Tragédia da TAM completa 6 anos e familiares esperam condenação em julgamento

Por Carolina Garcia -iG São Paulo |

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Segundo maior acidente aéreo do País deixou 199 mortos em 2007. Famílias acreditam que há "chance de justiça"

Há seis anos, o dia 17 de julho tem uma marca no calendário dos familiares das 199 vítimas do voo JJ3054, o acidente da TAM. Neste ano, a data trágica ainda é lembrada com dor, mas ganhou tom de esperança de justiça. E isso porque em agosto, a partir do dia 7, começa o julgamento do caso, com três réus acusados de atentado contra a segurança de transporte aéreo.

Em 2007, um Airbus A320 operado pela TAM atravessou a pista do aeroporto de Congonhas e bateu em alta velocidade contra o prédio da TAM Express.

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Memorial 17 de Julho recebe flores em homenagem às vítimas. Hoje a tragédia completa seis anos (16/07/2013). Foto: Renato S. Cerqueira/Futura PressDetalhe da parede do memorial na zona sul de São Paulo. Familiares realizarão vigília no local (16/07/2013). Foto: Renato S. Cerqueira/Futura PressMemorial foi oficialmente inaugurado no 5º aniversário da tragédia. Na terça (16), local foi limpo para receber os familiares. Foto: Renato S. Cerqueira/Futura PressDetalhe do Memorial 17 de Julho, ao lado do aeroporto de Congonhas. Vigília está marcada para começar às 16h nesta quarta (16/07/2013). Foto:  Renato S. Cerqueira/Futura PressFlor deixada por familiar de vítima do acidente durante a inauguração do Memorial 17 de Julho (17/07/2012). Foto: AEMemorial 17 de Julho, em homenagem às 199 vítimas do acidente do voo TAM JJ 3054 (17/07/2012). Foto: AEFamiliar arremessa rosas brancas em direção ao memorial que possui os nomes de todas as vítimas (17/07/2012). Foto: AEVista aérea da praça que fica na frente da cabeceira da pista do Aeroporto de Congonhas, na zona sul de São Paulo (17/07/2012). Foto: AEBispo diocesano de Santo Amaro, dom Fernando Antonio Figueiredo, realizou a missa em homenagem às vítimas (17/07/2012). Foto: AEFamiliares de vítimas carregam estrelas com os nomes dos que morreram naquela noite chuvosa de 2007 (17/07/2012). Foto: AEConclusão da Praça Memorial 17 de julho entregue na terça-feira aos familiares das vítimas (16/07/2012). Foto: AEOperários realizam limpeza e últimos detalhes antes da entrega do memorial (16/07/12). Foto: AEPraça foi desenhada pelos associados da Afavitam e foi projetada pelo arquiteto Marcos Cartum (16/07/12). Foto: Fábio Arantes/SecomOperários fazem os últimos retoques no Memorial 17 de julho antes da inauguração (16/07/12). Foto: Fábio Arantes/SecomAmoreira que sobreviveu ao acidente de 2007 no centro do Memorial 17 de julho, na zona sul. Foto: Fábio Arantes/SecomPara a realização do memorial, um convênio foi assinado com a Prefeitura de São Paulo no ano passado (16/07/12). Foto: AESilvia Xavier perdeu a filha Paula Masseran Xavier no acidente de 2007. "Esse lugar é santo", disse ao iG (16/07/12). Foto: AEMãe da vítima Douglas Henrique Outor Teixeira, Maria Estela Outor Teixeira, durante visita ao memorial (16/07/12) . Foto: AEChamas do acidente com o Airbus A320 da TAM. Choque com prédio da TAM Express causou uma explosão no terminal da companhia, na zona sul de São Paulo (17/07/07). Foto: AEChamas do acidente com o Airbus A320 da TAM. Ao todo, 199 pessoas morreram  (17/07/07). Foto: AEBombeiros tentam conter as chamas após acidente com Airbus A320, ao lado do Aeroporto de Congonhas, na zona sul (17/07/07). Foto: AEGrande incêndio era visto de longe na zona sul de São Paulo. Prédio atingido pelo Airbus ficava na av. Washington Luís (17/07/07). Foto: AEApós conter incêndio, bombeiros observam estragos com colisão de Airbus ao prédio da TAM Express (17/07/07). Foto: AESomente a parte traseira da aeronave que podia ser reconhecida após o incêndio (17/07/07). Foto: AECuriosos acompanham do outro lado da av. Washington Luís o trabalho dos bombeiros no combate as chamas (17/07/07). Foto: AEEscombros do prédio da TAM Express (06/08/07). Foto: AEJá no quarto ano de aniversário do acidente, familiares realizam missa no local da tragédia (16/07/11). Foto: AESilvia e Maria Estela acompanham os últimos trabalhos no Memorial 17 de julho antes da inauguração (16/07/12). Foto: AEEscombros do prédio TAM Express (06/08/07). Foto: AEAo lado, a antiga localização do prédio da TAM Express. Acidente é considerado o maior da aviação brasileira (16/07/12). Foto: AE

"Quando a Justiça aceitou a denúncia contra eles [os diretores] tivemos nossa primeira vitória. Aí o juiz recusou a absolvição sumária e ganhamos um novo presente. E agora posso estar perto de vê-los condenados. Seria a maior conquista em todo o processo de luto, a nossa chance de justiça". A fala é do jornalista Roberto Corrêa Gomes, que perdeu o irmão Mário Lopes Corrêa Gomes, empresário de 49 anos, na noite do dia 17 de julho de 2007.

Veja página especial do iG sobre desastres aéreos

"No dia que o juiz aceitou a denúncia, dormi 15h direto. Pensei: 'Vencemos'. Estamos em uma caminhada de seis anos. E quero acreditar que estamos perto de ver isso acabar", disse o jornalista, que é integrante da Associação dos os Familiares e Amigos das Vítimas do Voo TAMJJ3054 (Afavitam). Ele citou ainda que é certa a presença de familiares na porta do fórum em São Paulo. “Já pedimos ao De Grandis (promotor e responsável pela acusação) para deixar a Afavitam acompanhar as audiências”. Ainda sem resposta, ele diz que pode esperar na porta.

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Segundo a assessoria da Justiça Federal, o julgamento do caso será divido em três blocos. São eles: oitivas de testemunhas de acusação (7 e 8 de agosto), testemunhas de defesa (11 e 12 de novembro e 3, 9 e 10 de dezembro) e o interrogatório dos três réus (ainda sem data marcada). E os trabalhos serão presididos pelo juiz Márcio Assad Guardia, da 8ª Vara Criminal Federal.

Na denúncia, o Ministério Público Federal (MPF) imputou aos três réus a prática do crime de atentado contra a segurança de transporte aéreo (art. 261 do Código Penal). Os ex-diretores da companhia aérea Marco Aurélio de Miranda e Alberto Fajerman foram acusados de colocar em risco aeronaves alheias mediante negligência. Já Denise Abreu, à época diretora da Anac, foi acusada de imprudência.

Veja o antes e depois do local do acidente:


Se condenados, Denise, Fajerman e Castro podem pegar de 1 a 3 anos de detenção, caso o juiz entenda que o crime foi culposo (sem intenção). Mas se a Justiça levar em consideração a destruição completa da aeronave - e o número de mortos -, a pena pode variar entre 4 e 12 anos.

Homenagens e indenizações

Além da expectativa sobre as repercussões jurídicas, a Afavitam mantém a programação de homenagens em São Paulo e Porto Alegre, de onde saiu o voo 3054. Familiares realizam duas vigílias simultâneas nas capitais no final da tarde até o horário do acidente, às 18h48. Na capital gaúcha, às 16h, parte da associação irá se reunir no Largo da Vida, praça em frente ao aeroporto Salgado Filho. Após a vigília, haverá missa na Catedral Metropolitana de Porto Alegre.

Já em SP, os familiares paulistanos ocuparão o Memorial 17 de Julho, local da colisão do Airbus, ao pé do aeroporto de Congonhas. “Não será um evento oficial, mas vamos para lá ficar lembrando de nossos amados e curtindo o local”, disse Silvia Masseran, que perdeu a filha Paula Masseran Xavier Gomes no dia em que completaria 24 anos. No último sábado (13), membros da Afavitam realizaram uma missa no memorial em São Paulo para facilitar o deslocamento de parentes que vivem em outros Estados.

Além do luto após perder uma pessoas querida, muitas famílias citaram o processo de indenização como o período mais doloroso. Até o último dia 10, segundo a TAM, 197 acordos indenizatórios foram fechados. Duas famílias não teriam aceitado sentar e debater valores com os advogados da companhia. "Foi o pior momento da minha vida depois da morte do meu irmão. Ele não era um carro para ser debatido em uma tabela. No final das contas, independente do valor acertado, saímos perdendo. Nós perdemos e muito."

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