Tumulto deixa feridos e adia eleição no sindicato dos motoristas de ônibus em SP

Por iG São Paulo | - Atualizada às

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Explosão de um artefato feriu pelo menos oito pessoas na frente do sindicato na capital, na véspera de uma eleição

Uma confusão entre membros de duas chapas que disputam as eleições no Sindicato dos Motoristas e Trabalhadores em Transporte Rodoviário Urbano de São Paulo, na região da Liberdade, no centro de São Paulo (SP), na noite desta quarta-feira (10) adiou a votação, que ocorreria nesta quinta (11), em uma semana.

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Nivaldo Lima/Futura Press
Confusão no Sindicato dos Motoristas e Trabalhadores em Transporte Rodoviário Urbano de São Paulo, na região da Liberdade, no centro de São Paulo

O tumulto teria começado quando funcionários foram ao sindicato com a urnas para votação. Na confusão, um artefato explodiu ferindo pelo menos oito pessoas. As vítimas, todas com ferimentos leves, foram encaminhadas para Hospital Santa Helena e para a Santa Casa de Misericórdia.

De acordo com sindicato, a eleição foi adiada em uma semana por orientação do Comando da Polícia Militar. O tempo seria necessário para que as autoridades apurem os fatos.

Disputa

De aliados a inimigos que se enfrentam nos tribunais, os dois homens que disputam a presidência do sindicato têm em comum um longo histórico de problemas com a Justiça. Nas fichas policiais de Isao Hosogi, de 60 anos, da situação, e de Valdevan Noventa, de 44, da chapa de oposição, constam acusações de enriquecimento ilícito, formação de quadrilha e suspeita de ligação com o crime organizado.

Alguns desses crimes teriam sido cometidos por ambos até 2003, quando Hosogi e Noventa, diretores da mesma chapa que comandava o sindicato, foram presos acusados de comandar uma máfia que organizava greves em conluio com as empresas de ônibus. Hoje, porém, eles trocam acusações.

As rusgas começaram há cerca de cinco meses, quando Noventa passou a ganhar apoio de parte da atual diretoria para montar chapa própria pela disputa da entidade. Noventa distribuía nesta quarta-feira panfletos com o título "Jorginho do Patrão", com fotos de supostas casas de praia de Hosogi em Ilhabela e Itanhaém, além de imóveis que somariam um patrimônio de mais de R$ 16 milhões. A situação acusa os oposicionistas de terem "ficha-suja" com a polícia.

Após serem libertados em 2004, Hosogi assumiu a presidência do sindicato, com apoio do ex-presidente Edvaldo Santiago, de 65 anos. Noventa passou a comandar uma cooperativa de perueiros em Taboão da Serra, onde se tornou vereador. No comando do sindicato, Hosogi voltou a ter problemas com a Justiça em 2010. Após a morte de dois diretores da entidade, a polícia colocou Hosogi como suspeito de ter desviado dinheiro de contratos de planos de saúde da categoria. Na mesma época, Noventa foi investigado por suspeita de lavar dinheiro para o tráfico de Paraisópolis nos lotações de Taboão. Ambos dizem já terem respondido todas as acusações.

* Com AE

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