SP assina nesta terça obra em monumento constitucionalista fechado desde 2002

Por Daniel Torres , iG São Paulo |

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Há mais de 10 anos fechado, mausoléu do obelisco do Ibirapuera tem nova previsão de abertura para 2014

O governo de São Paulo assina nesta terça-feira (09) um novo contrato para a reforma o Monumento do Mausoléu do Soldado Constitucionalista de 1932, mais conhecido por Obelisco do Iburapuera, na zona sul de São Paulo. Fechado desde 2002 por problemas estruturais, o ponto turístico da capital paulista só é reaberto em três datas por ano, todos relativas às comemorações da revolução.

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Daniel Torres
Inaugurado em 1955, a construção do Obelisco foi iniciada em 1947 e totalmente concluída em 1970

Principal palco das homenagens aos soldados e paulistas que lutaram pela Revolução Constitucionalista há 81 anos, o monumento já sofreu algumas tentativas de restauração nos últimos 11 anos - com dinheiro público -, mas ele nunca chegou a ser reaberto ao público.

No ano passado, Geraldo Alckmin anunciou, nesta mesma data (9 de julho), o contrato para a elaboração do projeto executivo da reforma. Um ano se passou e desta vez será anunciado o contrato assinado com a empresa vencedora para a realização da reforma. Caberá à Concrejato Serviços Técnicos de Engenharia S/A começar a obra a partir de quarta-feira (10), ao custo de R$ 8.727.700,00. O prazo para a execução das obras é de 1 ano. Assim, a expectativa é que no aniversário de 82 anos da Revolução Constitucionalista, o monumento possa ser reaberto para a visitação na homenagem aos paulistas que no início da década de 30 pegaram em armas para lutar contra o governo de Getúlio Vargas, que revogou a Constituição de 1891 após tomar o poder na Revolução de 1930. .

Obelisco visto por quem frenquenta o Parque do Ibirapuera, na zona sul de São Paulo. Foto: Daniel TorresInaugurado em 1955, a construção do Obelisco foi iniciada em 1947 e totalmente concluída em 1970. Foto: Daniel TorresEntrada do mausoléu e a inscrição em homenagem aos combatente mortos - Viveram pouco para morrer bem,morreram jovens para viver sempre. Foto: Daniel TorresVista do corredor que leva ao salão principal do mausoléu. Foto: Daniel TorresNo corredor estão blocos de mármore que lembram os nomes dos combatentes que têm os restos mortais no monumento. Foto: Daniel TorresNo fim do corredor há um salão onde estão os painéis e os túmulos em homenagem aos combatentes mortos. Foto: Daniel TorresEmbaixo do obelisco, o Monumento do Mausoléu do Soldado Constitucionalista de 1932 está fechado há 9 anos. Foto: Daniel TorresInscrições do poema de Guilherme de Almeida nas faces do Obelisco. Foto: Daniel TorresInfiltração deixa as ferragens da construção expostas em parte do teto do mausoléu. Foto: Daniel TorresPedra com inscrição em homenagem aos mortos, em frente ao altar de um dos painéis, está quebradas em algumas partes. Foto: Daniel TorresPainel que traz a ressurreição de Cristo evoca a Constituição de 1934, que veio após a luta de 1932. Foto: Daniel TorresVista da escultura em mármore que representa o Herói Jacente, no centro do mausoléu. Foto: Daniel TorresInfiltração é um dos problemas do monumento em memória da revolução paulista. Foto: Daniel TorresPainel da Natividade, com pastilhas venezianas, sobre o nascimento de Cristo. Nele há inscrições sobre a revolução. Foto: Daniel TorresPainel que representa a crucificação de Cristo em uma das paredes do mausoléu. Foto: Daniel TorresNo alto da cúpula sobre a escultura do heroi, um dos paineis que traz a representação das classes trabalhadoras. Foto: AETúmulo de um dos heróis da revolução, Guilherme de Almeida, autor do poema que está gravado nos quatro lados do obelisco. Foto: Daniel TorresNo monumento estão gravados o nomes dos quatro estudantes mortos que deram início à revolução. Foto: Daniel TorresMartins, Miragaia, Dráusio e Camargo (M.M.D.C.) foram morto em 23 de maio durante uma manifestação. Foto: Daniel TorresLado de fora do obelisco também tem alguns problemas. No pé do monumento, parades tem algumas fissuras e plantas brotam do meio do mármore. Foto: Daniel TorresMarcas de infiltação entre os blocos de mármore das paredes do mausoléu vem desde o teto. Foto: Daniel TorresGoteiras no teto deixam marcas de umidade no chão do monumento. Foto: Daniel TorresFechado ao público, alguns pontos do mausoléu estão sujos. Antes do evento de 9 de julho, o local passará por uma limpeza. Foto: Daniel TorresLuminária com problema dentro do mausoléu. Foto: Daniel TorresArco dentro do mausoléu marcado pelos problemas de umidade. Foto: Daniel TorresInfiltração marca a parede em mármore travertino do mausoléu. Foto: Daniel Torres

Reformas

Essa não é a primeira vez que o monumento passa por uma operação de tentativa de reabertura. De 2002 a 2005, a reforma do obelisco ficou travada por uma briga judicial que envolvia a família do artista Galileo Emendabile - criador do monumento -, a Sociedade Veteranos de 32 – que administrava o obelisco na época -, a prefeitura, o governo do Estado e a iniciativa privada. Quando foi fechado, a previsão para a reforma era de aproximadamente R$ 2,5 milhões.

Em 2006, a Prefeitura de São Paulo e o governo do Estado fizeram uma convênio que definiu que a prefeitura seria a responsável pelos serviços de projeto paisagístico, ajardinamento, limpeza e segurança na praça, inclusive na área pertencente ao Estado. Já governo estadual ficou responsável pelas obras de recuperação e também passou a gerir, administrar, manter e conservar o monumento. Assim, a Polícia Militar realizaria a guarda permanente e o policiamento ostensivo no local. Uma nova previsão de gastos foi feita e a reforma ficaria em R$ 5 milhões.

Em 2008, o governo do Estado gastou R$ 282 mil em reformas nas instalações elétricas e R$ 625 mil em impermeabilização, drenagem e captação de águas fluviais. Foram obras emergenciais que não resolveram o problema a ponto de reabrir o espaço ao público. Desde que foi fechado, foram R$ 1,1 milhão investido, mas só os policiais que fazem a segurança do local frequentam o monumento

O obelisco

O Monumento do Mausoléu do Soldado Constitucionalista de 1932 é um projeto do escultor italiano Galileo Emendabili, que chegou ao Brasil em 1923 fugindo do regime fascista. Em mármore travertino, o monumento tem 72 metros de altura e foi inaugurado oficialmente em 9 de julho de 1955, um ano após a inauguração do Parque do Ibirapuera. Sua construção começou em 1947 e foi concluída apenas em 1970.

Tombado pelos conselhos estadual e municipal de preservação do patrimônio histórico, o mausoléu que existe dentro do obelisco guarda os restos mortais dos quatro estudantes mortos durante um protesto contra o governo Vargas - Mário Martins de Almeida, Euclides Miragaia, Dráusio Marcondes de Sousa e Antônio Camargo de Andrade -, cujas iniciais formam a sigla MMDC, o grande símbolo da revolução. A cripta existente no monumento também mantém as cinzas de cerca de 800 ex-combatentes.

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Martins, Miragaia, Dráusio e Camargo (M.M.D.C.) foram morto em 23 de maio durante uma manifestação

O monumento é formado pelo obelisco e pela cripta e foi concebido baseado em relações numéricas, que levam sempre a algum número da data da revolução: 9/7/1932. O obelisco tem 81 metros de altura, cuja raiz quadrada é 9. Também tem 9 metros a base maior do trapézio, no chão, para quem olha o monumento de frente. Na base menor, em cima, tem 7 metros. A largura da cripta, embaixo, tem 32 metros. Quem olhar de frente o perfil da planta, teria as dimensões 32 - 9 - 7, que lembram o ano, o dia e o mês do início do conflito. Para entrar no monumento é preciso percorrer 9 degraus. A partir do acesso, existem três grupos de três arcos cada, somando 9 arcos.

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Inscrições do poema de Guilherme de Almeida nas faces do Obelisco

Do lado de fora, o obelisco é a imagem de uma espada, com quatro faces, voltadas para cada um dos pontos cardeais da cidade, fincada numa praça em formato de coração. Exatamente embaixo da base do obelisco, existe uma escultura em mármore que representa o Herói Jacente.

“Enquanto o obelisco é uma espada que atravessa o coração da mãe terra paulista e fere de morte esse coração, representado pelos filhos que caíram pela revolução, por dentro, ele é um canhão. De onde está o herói, olhando para a base, se vê um enorme projétil de canhão”, explica o advogado Paulo Emendabili Souza Barros de Carvalhos, neto de Galileo Emendabile. Segundo o advogado, esse seria um ‘canhão cívico’. “O herói está circundado pelo exército constitucionalista que não está morto, mas repousa. Se houver uma violação à constituição brasileira, se houver tirania novamente, o soldado levanta, chama as fileiras do exército constitucionalista e aciona novamente o canhão. Essa é a simbologia.”

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