Para acolher filha, casal ajuda a criar casa que recebe adultos especiais em SP

Por iG São Paulo - Beatriz Atihe | - Atualizada às

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Centro de vivência Asa recebe adultos com necessidades especiais na zona sul de SP. Conheça abaixo alguns deles

A inspiração foi Kika. Foi a partir dela que o centro de vivência Asa, localizado no bairro de Campo Belo, São Paulo, saiu dos planos da professora de educação física Ângela Jovelho e se tornou realidade. Hoje a casa atende dez alunos com necessidade especiais que passam o dia realizando atividades para estimular o desenvolvimento e a integração social. 

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A ideia do centro para atender os 'adultos especiais' começou a se formar após Ângela se formar em educação física e ir trabalhar em uma escola para pessoas com deficiências. Lá foi conquistada pelo trabalho feito com elas e, junto com uma sócia, decidiu criar a ASA Passeios, em que programava excursões para pessoas especiais. Assim Ângela conseguiu levar alguns de seus alunos para a Disney, para o Beto Carrero World e para acampamentos de férias.

“O lado braçal é bem pesado, mas o estímulo externo era incrível”, afirma Ângela, que por causa desse projeto ficou bem próxima das famílias dos seus alunos. Assim conheceu Marita Elza Alves de Araújo, mãe da Kika, que precisava tirar a filha da antiga escola - que não aceitava adultos - e decidiu ajudar a professora a realizar o sonho de criar um centro de vivência para pessoas especiais.

E foi com a ajuda de mais três famílias que Ângela abriu, há 20 anos, a ASA. Com atividades culinárias, terapias assistidas por cães, exercícios na piscina e passeios, a casa proporciona vivências aos alunos para que eles possam ter maior autonomia, além de terem o desenvolvimento sensorial e motor estimulados.

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Matrícula nº 1

Beatriz Atihe/iG São Paulo
Kika realiza terapia na piscina com o professor Paulo

Cristiana, mais conhecida como Kika, tem 49 anos e possui uma lesão no cerebelo que afetou sua fala e a parte motora. Na ASA desde o primeiro dia, Kika passa os dias entre as atividades na piscina e com os cachorros.

“Na minha gestação tive placenta prévia e quando a Kika tinha seis meses ela tinha muitas dificuldades para sentar. Então decidimos levá-la ao médico e, depois de muitos exames, descobrimos que ela tinha uma lesão no cerebelo que afeta a parte motora dela”, disse Marita, mãe da Kika.

Marita foi a responsável por reunir outras famílias e ajudar a abrir a ASA. “A Ângela fazia a fisioterapia da Cristiana em outra escola, só que tive que tirar a minha filha de lá porque essa escola não queria trabalhar com adultos. Então, a Ângela continuou fazendo as sessões de fisioterapia com a Kika na minha casa e acabei sabendo do sonho dela de abrir uma escola para pessoas com deficiência. Assim eu e outras três famílias ajudamos com o que podíamos para abrir a ASA”.

"A escola é tudo para ela (Kika). Agora ela é muito mais participativa e alegre. Eu e meu marido temos casa na praia, onde pretendíamos morar, mas por causa da paixão da nossa filha pela escola temos que passar metade do mês aqui em São Paulo para que a Kika possa ir à ASA”, diz Marita sobre a relação dde Kika com a Asa.

Alunos e profissionais do Centro de Vivência ASA. Foto: Beatriz Atihe/iG São PauloDurante a terapia assistida por cães, os alunos realizam diversos exercícios que estimulam a parte motora. Foto: Beatriz Atihe/iG São PauloOs alunos realizam duas vezes por semana terapia assistida por cães com o professor Júnior. Foto: Beatriz Atihe/iG São PauloKika realiza terapia na piscina com o professor Paulo. Foto: Beatriz Atihe/iG São PauloFrederico é o único aluno da ASA que fala. Foto: Beatriz Atihe/iG São PauloCristiana e seus pais Marita e Celso. Foto: Beatriz Atihe/iG São PauloIvana e seu pai Emílio. Foto: Beatriz Atihe/iG São PauloAndréa e seu pai Mário. Foto: Beatriz Atihe/iG São PauloAlgumas alunas do Centro de Vivência. Foto: Beatriz Atihe/iG São Paulo

Ivana

“Com três meses de idade, a Ivana teve uma otite que desencadeou em uma meningite. Por causa disso, ela teve que ficar 16 dias internada na UTI e se recuperou muito bem e muito rápido, o que impressionou até os médicos. Só que depois disso, ela adquiriu a síndrome de West, o que faz com que ela tenha crises até hoje”, conta Emílio Manzano Paulo que é o pai de Ivana.

Beatriz Atihe/iG São Paulo
Ivana e seu pai, Emílio

Por conta da sequência de doenças, Ivana só começou a andar com 2 anos e 4 meses e a meningite acabou afetando a fala e a coordenação motora dela.

Com 15 anos de ASA, o pai de Ivana diz que ela adora a casa e acredita que a escola faz muito bem a ela: “Além da compreensão dela ter melhorado muito, ela interage muito mais com as pessoas. Antes ela era bem isolada”.

Aposentado, Emílio sempre que pode colabora de alguma maneira com a escola: “Há uns dois anos, eu saia com eles, nós íamos num parque para eles caminharem um pouco e depois que eu me aposentei, falei que se precisasse de mim, estaria á disposição”.

“Queria viver para sempre, para estar sempre com ela”, 

Outra aluna há bastante tempo na ASA, Andrea tem paralisia cerebral e já passou por diversos tratamentos. O parto foi demorado e os médicos acreditam que faltou oxigênio e que isso teria causado a paralisia. “Quando Andrea tinha cinco meses, minha esposa notou algumas diferenças nas atitudes e respostas dela e com seis meses, os médicos confirmaram que ela tinha alguma deficiência”, relata o pai Mário.

Apesar do momento ter sido muito difícil, Mário diz que ele e a mulher aprenderam muito com isso: “Eu percebi que o meu problema se tornou menor quando eu conheci os problemas dos outros, porque quando você tem a necessidade de frequentar lugares como a AACD, você aprende a viver e a aceitar que você precisa tocar sua vida pra frente”.

Fred

Beatriz Atihe/iG São Paulo
Frederico é o único aluno da ASA que fala

Frederico Mangold tem 37 anos, também é aluno da ASA e o único que não tem a parte da fala afetada pela deficiência. Segundo Maria Lúcia Trench, coordenadora do Centro de Vivência, Fred tem uma deficiência mental com epilepsia, porém a causa não foi descoberta.

Fred era muito recluso e não demonstrava interesse em se relacionar com as pessoas. Então seus pais conheceram a ASA e gostaram da ideia de ser um local pequeno e aos poucos Fred foi se soltando e se tornou um menino mais alegre e sociável.

Terapias

A terapia assistida por cães tem o objetivo de proporcionar diferentes vivências para estimular o lado cognitivo e motor dos alunos. “Sempre tive vontade de trabalhar com o desenvolvimento de pessoas especiais e todas as minhas pesquisas na faculdade foram sobre isso. Como eu já era adestrador, comecei a desenvolver esse projeto que foca o desenvolvimento lúdico-motor das pessoas”, conta o adestrador e professor de educação física Júnior Marques.

Sobre os cachorros utilizados na terapia, Júnior diz que todos são adestrados e que os cães escolhidos precisam ser pacientes e não muito ansiosos. “Eu tento promover com que os alunos façam as coisas sozinhos, mas é claro que eles têm todo um suporte. Eles precisam vivenciar os momentos. Todos têm capacidades, desde que se vivencie e acredite".

Beatriz Atihe/iG São Paulo
Alunos realizam duas vezes por semana terapia assistida por cães com o professor Júnior


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