"Aposentei no quintal do meu barraco", diz morador da Favela Funchal

Por Carolina Garcia - iG São Paulo |

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Comunidade e Vila Olímpia se tornam mesmo bairro quando o assunto é trabalho. Conheça a história de moradores que lidam com os dois mundos da zona sul

Apesar de mundos divididos por uma base da PM, a interação entre moradores da Favela Funchal e o bairro Vila Olímpia, na zona sul, ocorre quando o assunto é trabalho e busca por oportunidades. Foi o caso do aposentado Raimundo José da Silva, de 71 anos, o sr. Rouxinho. "Acompanhei a construção do bairro e acabei trabalhando como segurança do e-Tower (prédio vizinho a comunidade). Me aposentei no quintal do meu barraco", contou rindo ao iG.

Raimundo José da Silva, de 71 anos, o sr. Rouxinho. Após perder a esposa, ele procura uma "nova gata". Foto: Carolina Garcia / iG São PauloRouxinho trabalhou como pedreiro antes de ser segurança do e-Tower prédio de 37 andares vizinho a comunidade. Foto: Carolina Garcia / iG São PauloDanilo Pereira Cruz, de 19 anos, trabalha dentro e fora da comunidade como cabeleireiro. "No final, todos são clientes". Foto: Reprodução/Wanderley Preite SobrinhoDanilo Pereira Cruz, de 19 anos, trabalha dentro e fora da comunidade como cabeleireiro. "No final, todos são clientes". Foto: Reprodução/Wanderley Preite SobrinhoMaleta vermelha onde Danilo organiza seus produtos e escovas. Em dia agitado, ele chega a atender 20 clientes. Foto: Reprodução/Wanderley Preite SobrinhoCecília na janela de sua casa, que recusa a chamar de barraco, na Favela Funchal, zona sul . Foto: Carolina Garcia / iG São PauloEm sua casa item foram doados pela família em Belém (PA). "Agradecemos pois já temos muito", disse. Foto: Carolina Garcia / iG São PauloPara ter acesso ao espaço as crianças não podem faltar na escola e ter notas abaixo da média. Na entrada, há um cartaz com as regras. Foto: Carolina Garcia / iG São PauloPara ter acesso ao espaço as crianças não podem faltar na escola e ter notas abaixo da média. "Uma forma de estimular a ida ao colégio", diz Cecília. Foto: Carolina Garcia / iG São PauloEspaço foi criado após doações com o objetivo de para tirar as crianças das ruas. Há dez computadores com internet, livros e jogos. Foto: Carolina Garcia / iG São PauloEspaço foi criado após doações com o objetivo de para tirar as crianças das ruas. "Eles deixam a escola e já correm para lá". Foto: Carolina Garcia / iG São PauloToda sexta a professora é responsável pela pipoca na sessão cinema da comunidade. "Se coloco filme, eles já esperam a pipoca". Foto: Carolina Garcia / iG São PauloToda sexta-feira a professora é responsável pela pipoca na sessão cinema da comunidade. "Se coloco filme, eles já esperam a pipoca". Foto: Carolina Garcia / iG São PauloCecília na entrada da sede com os primeiros alunos. O espaço funciona entre 15h e 19h durante a semana. Foto: Carolina Garcia / iG São PauloAna Cecília Vieira, de 29 anos, professora na comunidade Favela Funchal. Foto: Carolina Garcia / iG São PauloEm sua casa item foram doados pela família em Belém (PA). "Agradecemos pois já temos muito", disse. Foto: Carolina Garcia / iG São PauloEspaço foi criado após doações com o objetivo de para tirar as crianças das ruas. "Eles deixam a escola e já correm para lá". Foto: Carolina Garcia / iG São PauloMônica Maria, irmã da líder comunitária, também trabalha com as crianças na sede. Foto: Carolina Garcia / iG São PauloHá dez computadores com internet para as crianças por uma hora cada. Facebook é o campeão de acessos entre os adolescentes. Foto: Carolina Garcia / iG São PauloEspaço foi criado após doações com o objetivo de para tirar as crianças das ruas. Foto: Carolina Garcia / iG São PauloEspaço foi criado após doações com o objetivo de para tirar as crianças das ruas. "Eles deixam a escola e já correm para lá". Foto: Carolina Garcia / iG São PauloZézinho com um dos animais criados na Favela Funchal, o gato Markinho. Foto: Carolina Garcia / iG São PauloJosé Gouveia, o Zézinho, mostra a sua coleção de LPs dos Beatles que guarda em seu barraco. Foto: Carolina Garcia / iG São PauloZézinho com sua coleção de LPs dos Beatles que guarda em seu barraco. Disco Let it Be é o seu favorito. Foto: Carolina Garcia / iG São PauloDetalhe do anel "Autoridade" na mão esquerda. Frequentador da igreja Universal do Reino de Deus, Zé ganhou o anel em uma corrente de oração. Foto: Carolina Garcia / iG São PauloZézinho ao lado de sua cadela Radja. Ao fundo o mural com um dos seus sonhos, a urbanização da favela. Foto: Carolina Garcia / iG São PauloZézinho com sua coleção de LPs dos Beatles que guarda em seu barraco. Disco Let it Be é o seu favorito. Foto: Carolina Garcia / iG São PauloJosé Gouveia, o Zézinho, mostra a sua coleção de LPs dos Beatles que guarda em seu barraco. Foto: Carolina Garcia / iG São PauloCarroça personalizada com "Let it Be" é usada para coletar materiais recicláveis em São Paulo. Foto: Carolina Garcia / iG São PauloCarroça personalizada com "Let it Be" é usada para coletar materiais recicláveis em São Paulo. Foto: Carolina Garcia / iG São PauloCarroça personalizada com "Let it Be" é usada para coletar materiais recicláveis em São Paulo. Foto: Carolina Garcia / iG São PauloZézinho mostra o postal com a foto eleita a melhor de 2005 pelo World Press Photo. "Até a Yoko Ono me conhece". Foto: Carolina Garcia / iG São PauloO vizinho rico da comunidade, o edifício e-Tower com mais de 37 andares. "Nos chamam de favela, mas chegamos primeiro". Foto: Carolina Garcia / iG São PauloO vizinho rico da comunidade, o edifício e-Tower com mais de 37 andares. "Nos chamam de favela, mas chegamos primeiro". Foto: Carolina Garcia / iG São PauloA Favela Funchal, chamada de 'Sou Coliseu' pelos moradores, está localizada no bairro Vila Olímpia, na zona sul. Foto: Carolina Garcia / iG São PauloA Favela Funchal, chamada de 'Sou Coliseu' pelos moradores, está localizada no bairro Vila Olímpia, na zona sul. Foto: Carolina Garcia / iG São PauloA Favela Funchal, chamada de 'Sou Coliseu' pelos moradores, está localizada no bairro Vila Olímpia, na zona sul. Foto: Carolina Garcia / iG São PauloA Favela Funchal, chamada de 'Sou Coliseu' pelos moradores, está localizada no bairro Vila Olímpia, na zona sul. Foto: Carolina Garcia / iG São PauloA Favela Funchal, chamada de 'Sou Coliseu' pelos moradores, está localizada no bairro Vila Olímpia, na zona sul. Foto: Carolina Garcia / iG São PauloA Favela Funchal, chamada de 'Sou Coliseu' pelos moradores, está localizada no bairro Vila Olímpia, na zona sul. Foto: Carolina Garcia / iG São PauloA Favela Funchal, chamada de 'Sou Coliseu' pelos moradores, está localizada no bairro Vila Olímpia, na zona sul. Foto: Carolina Garcia / iG São PauloProfessora Ana Cecília Vieira, de 29 anos. A Favela Funchal, chamada de 'Sou Coliseu' pelos moradores, está localizada no bairro Vila Olímpia, na zona sul. Foto: Carolina Garcia / iG São PauloA Favela Funchal, chamada de 'Sou Coliseu' pelos moradores, está localizada no bairro Vila Olímpia, na zona sul. Foto: Carolina Garcia / iG São PauloO casal Aluísio Isidoro da Silva, 42, e sua mulher Edileuza Lima, de 28. Eles moram na comunidade há 10 anos. Foto: Carolina Garcia / iG São PauloA Favela Funchal, chamada de 'Sou Coliseu' pelos moradores, está localizada no bairro Vila Olímpia, na zona sul. Foto: Carolina Garcia / iG São PauloA Favela Funchal, chamada de 'Sou Coliseu' pelos moradores, está localizada no bairro Vila Olímpia, na zona sul. Foto: Carolina Garcia / iG São PauloA Favela Funchal, chamada de 'Sou Coliseu' pelos moradores, está localizada no bairro Vila Olímpia, na zona sul. Foto: Carolina Garcia / iG São PauloA Favela Funchal, chamada de 'Sou Coliseu' pelos moradores, está localizada no bairro Vila Olímpia, na zona sul. Foto: Carolina Garcia / iG São PauloA Favela Funchal, chamada de 'Sou Coliseu' pelos moradores, está localizada no bairro Vila Olímpia, na zona sul. Foto: Carolina Garcia / iG São PauloA Favela Funchal, chamada de 'Sou Coliseu' pelos moradores, está localizada no bairro Vila Olímpia, na zona sul. Foto: Carolina Garcia / iG São PauloA Favela Funchal, chamada de 'Sou Coliseu' pelos moradores, está localizada no bairro Vila Olímpia, na zona sul. Foto: Carolina Garcia / iG São PauloA Favela Funchal, chamada de 'Sou Coliseu' pelos moradores, está localizada no bairro Vila Olímpia, na zona sul. Foto: Carolina Garcia / iG São PauloA Favela Funchal, chamada de 'Sou Coliseu' pelos moradores, está localizada no bairro Vila Olímpia, na zona sul. Foto: Carolina Garcia / iG São PauloA Favela Funchal, chamada de 'Sou Coliseu' pelos moradores, está localizada no bairro Vila Olímpia, na zona sul. Foto: Carolina Garcia / iG São PauloA Favela Funchal, chamada de 'Sou Coliseu' pelos moradores, está localizada no bairro Vila Olímpia, na zona sul. Foto: Carolina Garcia / iG São PauloA Favela Funchal, chamada de 'Sou Coliseu' pelos moradores, está localizada no bairro Vila Olímpia, na zona sul. Foto: Carolina Garcia / iG São PauloA Favela Funchal, chamada de 'Sou Coliseu' pelos moradores, está localizada no bairro Vila Olímpia, na zona sul. Foto: Carolina Garcia / iG São PauloA Favela Funchal, chamada de 'Sou Coliseu' pelos moradores, está localizada no bairro Vila Olímpia, na zona sul. Foto: Carolina Garcia / iG São Paulo

O iG publicou outras três reportagens sobre a Favela Funchal. Entre sua história e liderança, conheça a história de Zézinho, o catador de papelão fã dos Beatles, e Ana Cecília, a professora da favela

"Meus colegas sempre ficavam com inveja quando eu falava que estava indo embora [do trabalho]. Eles sabiam que eu só ia demorar três minutos para chegar em casa". Já aposentando, hoje diz que quando tem saudade volta ao prédio e é bem recebido pelos funcionários. "Entro e saio de cabeça erguida."

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Carolina Garcia / iG São Paulo
A Favela Funchal, chamada de 'Sou Coliseu' pelos moradores, localizada na Vila Olímpia

Morador da favela há quase 40 anos, Rouxinho conta que deixou "sua vida e o amor" na cidade de Seabra, na Bahia, por melhores oportunidades em São Paulo. Antes de se aposentar, também trabalhou como pedreiro e segurança em eventos. "Deixei a morena por lá e tentei a vida por aqui. Depois de cinco anos, resolvi ir buscá-la". E o investimento deu certo, a relação com dona Elizabeth durou 52 anos e gerou oito filhos. Beth morreu no ano passado vítima de um derrame.

Com todos os filhos criados e espalhados pela capital paulista, Roxinho acredita que está na hora de encontrar um novo amor. "Estou caçando uma gata para casar. Mas não precisa casar no papel, só morar junto está bom. É muito ruim ficar sozinho à noite", disse Roxinho, enquanto arrumava a posição do chapéu. Questionado se poderia encontrar uma pretendente na comunidade, ele rebateu: "Ah, até acho. Mas não quero qualquer porcaria também não."

"Aqui dentro e lá de fora"

Danilo Pereira Cruz, de 19 anos, é outro morador que - apenas iniciando sua vida profissional - já lida com as diferenças de público. "Atendo os dois públicos, uma classe mais baixa aqui na comunidade e um pessoal mais rico na Vila Olímpia. Tenho clientes aqui dentro e lá de fora. No final, são todos clientes."

Reprodução/Wanderley Preite Sobrinho
Danilo Pereira, de 19 anos, trabalha dentro e fora da comunidade como cabeleireiro

Com uma pequena maleta vermelha, onde organiza escovas de cabelo e secador, o cabeleireiro atende suas vizinhas com hora marcada. Danilo descobriu a profissão há pouco tempo e já pensa como poderia expandir os negócios. "Agora o próximo passo é um curso para ser maquiador profissional". Em um dia agitado, ele chega a atender 20 clientes.

Morar próximo ao trabalho é vantajoso, mas quando se trata de uma região tão desigual, a vantagem pode levar ao preconceito. A diarista D.O., de 30 anos, que preferiu não ter nome divulgado, já passou por situações complicadas. Mãe de quatro filhos e com o aluguel de R$ 200 para pagar, ela realiza faxinas em uma residência "no bairro ao lado".

"Quando disse que morava na Funchal, ela [patroa] perguntou: 'Você morando Vila Olímpia? Em qual parte'. Ela achou que eu estava mentindo", disse D. Para ela, foi compreensível o mal-entendido já que "o salário do marido fica abaixo do aluguel da região".

Para D. é difícil conseguir um emprego na região pelo preconceito com moradores de comunidade. "Acho que tem medo de empregar pensando que vamos roubar ou outra coisa". Hoje, a família espera a construção de uma nova casa na comunidade. O proprietário pediu o barraco de volta após os rumores de uma futura urbanização.

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