Cadeirante pendura lençol branco na janela para apoiar protestos

Por Vitor Sorano , iG São Paulo |

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Estratégia, combinada pelas redes sociais, conquista também quem está fora da internet

Vitor Sorano/iG São Paulo
Lençóis brancos são pendurados em prédio próximo à av. Paulista

Houve quem, mesmo estando na Paulista, não desceu para se juntar às manifestações. Não por serem contrários a elas, longe disso. Tanto que ajudaram a compor a paisagem de protesto pendurando panos brancos pelas janelas - uma meia dúzia deles, simbólica, pendia em algumas fachadas dos edifícios da avenida.

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A estratégia havia sido lançada numa rede social no início da semana. O objetivo era permitir que quem estivesse solidário com os protestos, mas impossibilitado de ir às ruas das cidades brasileiras, pudesse manifestar seu apoio.

Mas, presa a uma cadeira de rodas, Cândida Maria Savarese de Freitas, 66 anos, nem precisou ver o chamado na internet. Desde o início das grandes manifestações, há mais de uma semana, Cândida pendura, todo dia que tem protesto, um lençol branco pela janela de seu apartamento, no segundo andar de um prédio residencial na avenida Paulista, quase esquina com a avenida Brigadeiro Luiz Antônio.

"Como não posso me juntar à passeata, penduro o pano para mostrar que sou totalmente a favor. Pagamos impostos e queremos mudanças", diz Cândida.. "Parabéns à juventude mente aberta, que está expressando a vontade geral, a insatisfação geral", afirma.

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Os jovens, lembra a idosa, sempre são protagonistas das grandes mobilizações. Cândida cita o M.M.D.C., acrônimo de Martins, Miragaia, Dráusio e Camargo, manifestantes paulistas mortos às vésperas da Revolução Constitucionalista de 1932. E recorda como, após o golpe de 1964, ela era uma jovem que ocupava o papel hoje assumido pelos que passam sob sua janela.

"Na minha juventude eu participava nas passeatas [contra a ditadura]. De forma ordeira", sublinha.

Na manifestação desta quinta-feira (20), quando Cândida conversou com a reportagem pelo interfone do prédio, as críticas aos partidos políticos soaram mais alto do que em dias anteriores. A idosa, aparentemente, ouviu tudo.

"Eu estou maravilhada com o que está acontecendo, sem partidos infiltrados e de forma natural, como ficou patente", conta.

Na hora do expediente

O horário de trabalho e a mistura de bandeiras - para além da redução da tarifa de ônibus, o combate à corrupção, as críticas ao projeto da cura gay em tramitação no Congresso, a revolta com a inflação - e a sensação de insegurança levaram o empresário Vander Vendramini, de 38 anos, a também optar por ver os protestos da janela.

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Por telefone, do alto do escritório em que trabalha na esquina da avenida Paulista com a Rua da Consolação, Vendramini conta que a violência também o afastou das ruas nesses dias. Mas não do espírito que tomou conta da cidade de São Paulo.

"Vi pela internet que as pessoas que estavam a favor da manifestação deveriam pendurar panos brancos. E as pessoas do escritório quiseram participar", conta. "Pendurei em solidariedade."

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