Decisão sobre baixar tarifa é política, diz Haddad

Por iG São Paulo | - Atualizada às

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Prefeito de São Paulo admitiu que valor da passagem pode ser revisto, mas disse que custos precisam ser repassados

O prefeito de São Paulo, Fernando Haddad (PT), afirmou nesta terça-feira, 18, que a decisão sobre a revisão do reajuste do preço da passagem é política. A declaração foi feita enquanto o petista comentava a revisão do aumento e a adoção de uma política de tarifa zero, bandeira defendida pelo Movimento Passe Livre (MPL), durante reunião do Conselho  da Cidade, na sede da Prefeitura.

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Futura Press
Prefeito Haddad participa de Conselho da Cidade, junto com representantes do Movimento Passe Livre

"A decisão não é técnica, é política mesmo", disse Haddad. Do encontro, participaram membros do MPL, além de representantes de partidos políticos como o PSTU e o PSOL.

Segundo ele, a população deveria antes saber dos custos que isso acarreta, e que haveria redução de verbas para setores como educação e saúde.

Temos caminho para isso (a redução), mas passa pela desoneração dos tributos federais e estaduais que incidem sobre o transporte público, como o diesel, que já seria responsável por grande parte desses R$ 0,20 do aumento", disse.

Além disso, o prefeito explicou que a entrada em vigor de uma possível política de tarifa zero antes precisaria ser debatida nas 31 subprefeituras.

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Na reunião, Haddad repudiou a violência em manifestações contra o aumento das passagens do tranporte público e destacou que, na manifestação de ontem, houve pouquíssimos incidentes. O MPL organizou os cinco protestos contra a elevação da tarifa de R$ 3 para R$ 3,20, em vigor desde o início do mês.

“Eu nunca utilizei uma palavra que desmerecesse o movimento. Nunca usei palavras como vândalos e baderneiros. Eu tenho repudiado a violência, principalmente, quando ela parte do Estado”.

Negociação

Ponte Estaiada lotada após encontro de dois blocos de manifestantes. Foto: Igor Frias VieiraPonte Estaiada lotada após encontro de dois blocos de manifestantes. Foto: Igor Frias VieiraAv. Faria Lima lotada na altura do Shopping Iguatemi, um dos mais caros da cidade. Foto: Igor Frias VieiraManifestantes forçam o portão do Palácio dos Bandeirantes, no fim da noite desta segunda-feira, em São Paulo. Foto: Vitor Sorano/iGManifestante na Faria Lima carrega vinagre e alface, em alusão às prisões na semana passada. Foto: Igor Frias VieiraCena da manifestação contra o aumento das passagens de ônibus na capital paulista em 17/06. Foto: Igor Frias VieiraCartaz faz alusão à repórter que foi atingida no olho por uma bala de borracha, na última quinta-feira. Foto: Igor Frias VieiraCena da manifestação contra o aumento das passagens de ônibus na capital paulista em 17/06. Foto: Igor Frias VieiraIdosa participa da manifestação. Foto: Igor Frias VieiraIdosa participa da manifestação. Foto: Igor Frias VieiraManifestante usa máscara do grupo Anonymous durante concentração no Largo da Batata. Foto: Igor Frias VieiraCena da manifestação contra o aumento das passagens de ônibus na capital paulista em 17/06. Foto: Igor Frias VieiraConcentração no Largo da Batata. Foto: Igor Frias VieiraGrupos de manifestantes se reunem na Ponte Estaiada e se dirigem ao Palácio dos Bandeirantes. Foto: Susan Souza/iGGrupos de manifestantes se reunem na Ponte Estaiada e se dirigem ao Palácio dos Bandeirantes. Foto: Susan Souza/iGGrupos de manifestantes se reunem na Ponte Estaiada e se dirigem ao Palácio dos Bandeirantes. Foto: Susan Souza/iGProtesto passa pela Faria Lima, na altura da Rua Tabapuã. Foto: Rafael MantegaManifestante empunha cartaz durante protesto do Movimento Passe Livre na segunda-feira (17). Foto: Susan Souza/iGManifestante empunha cartaz durante protesto do Movimento Passe Livre na segunda-feira (17). Foto: Susan Souza/iGMatheus Preis, um dos líderes do Movimento Passe Livre. Foto: Renan TruffiProtesto contra o aumento das passagens de ônibus, trens e metrô, em São Paulo (SP), nesta segunda-feira. Foto: Gabriela BilóInício da passeata que saiu do Largo da Batata, na Zona Oeste de São Paulo. Foto: Futura PressManifestante empunha cartaz no início do protesto no Largo da Batata. Foto: Natália EirasCartaz na entrada do metrô Faria Lima ironiza prisão de jornalista que  no protesto de quinta portava vinagre para se proteger do gás lacrimogêneo. Foto: Vitor Sorano/iGManifestante pinta o rosto antes do início do protesto, na estação faria lima. Foto: Vitor Sorano/iGInvanise Marchesano, 82 anos, aposentada: "Eu não págo mais passagem, mas não consigo usar metrô no horário de pico nem para ir ao médico". Foto: Vitor Sorano/iGCaco Barcellos é hostilizado por manifestantes do 5º protesto do Movimento Passe Livre. Foto: Ricardo Galhardo/iG São PauloCartazes colados em mureta no Largo da Batata, durante preparação do protesto de 17/06. Foto: Futura PressAlunos da Universidade de São Paulo (USP) se reúnem para fazer faixas antes protesto contra o aumento do transporte público. Foto: Alex FalcãoManifestantes se reúnem no Largo da Batata, na zona oeste de São Paulo, nesta segunda-feira. Foto: Euclides Oltramari Jr

Para o Movimento Passe Livre (MPL), a grande manifestação que aconteceu na segunda-feira  contra o reajuste da tarifa de ônibus aumenta o poder do prefeito para negociar com os empresários do ramo do transporte. "Com o povo na rua fica muito mais fácil de o senhor argumentar com os empresários uma outra forma de concessão", disse Mayara Vivian, uma das líderes do MPL, durante reunião extraordinária do Conselho da Cidade, na prefeitura.

Semana passada: Haddad diz que valor da passagem será mantido e repudia violência

"Um direito público não deve ser encarado como lucro para ninguém. Se tem dinheiro para receber mega evento, para privilegiar diversos setores que não o povo, acho que deve haver a mesma disposição em revogar o aumento", completou.

Haddad afirmou que vai examinar planilhas e avaliar lucros dos empresários e se necessário “cortar a gordura”. “Vamos ver o que dá para fazer, se a solução é para aumentar a arrecadação ou o imposto sobre a gasolina”.

O movimento convocou uma nova manifestação para esta terça-feira, 18, às 17h, na Praça da Sé. Nesta manhã, eles ressaltaram que o movimento existe desde 2005 e isso contraria argumentos de que as manifestações seriam antipetistas. Líderes do MPL contam que eles já fizeram manifestações contra corte de linhas de ônibus, contra terminais que ficavam aquém das necessidades da população e diversas mobilizações contra o aumento.

Para o movimento, revogar o aumento da tarifa é uma demonstração de respeito à vontade popular, dado o tamanho da mobilização. O MPL ressaltou que, apesar de participar do Conselho da Cidade, não descarta uma reunião direta com o prefeito Fernando Haddad e com o governador, Geraldo Alckmin. O Conselho da Cidade não tem poder deliberativo e a revogação do aumento da tarifa precisa ser tomada pelos líderes do poder executivo.

*Com AE e Agência Brasil

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