Com medo de confronto, lojistas do Largo da Batata fecham as portas mais cedo

Por Carolina Garcia - iG São Paulo | - Atualizada às

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Região de canteiros de obras, zona oeste tem materiais de construção nas calçadas e oferece riscos ao quinto protesto. "Aqui ninguém está seguro, você vai ver", disse PM

A grande dimensão do quinto protesto contra o transporte público de São Paulo - que já conta com quase 260 mil presenças confirmadas na rede social Facebook - desperta medo e apreensão nos comerciantes da região do Largo da Batata, palco da nova manifestação, na zona oeste da capital. Muitos lojistas relataram ao iG que fechariam suas portas a partir das 15 horas, duas horas antes do ato.

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"Não dá para prever o que vai acontecer. Por mais que eu apoie a causa, tenho medo e não quero estar aqui para ver", explicou Edilson Batista Ferreira, de 36 anos, dono de uma banca de jornal. Ele confirmou que fecharia sua banca às 15 horas, uma hora mais cedo do que no último protesto. "Esse promete ser maior e para me garantir vou sair bem antes."  

Região do Largo da Batata abriga pelo menos quatro canteiros de obras. Materiais ficam expostos e preocupam comerciantes. Foto: Carolina Garcia / iG São PauloFuncionários começam a cobrir materiais (barras de aço, pisos e blocos de concreto) expostos na Largo da Batata. Foto: Carolina Garcia / iG São PauloRegião do Largo da Batata abriga pelo menos quatro canteiros de obras. Materiais ficam expostos e preocupam comerciantes. Foto: Carolina Garcia / iG São PauloRegião do Largo da Batata abriga pelo menos quatro canteiros de obras. Materiais ficam expostos e preocupam comerciantes. Foto: Carolina Garcia / iG São PauloRegião do Largo da Batata abriga pelo menos quatro canteiros de obras. Materiais ficam expostos e preocupam comerciantes. Foto: Carolina Garcia / iG São PauloRegião do Largo da Batata abriga pelo menos quatro canteiros de obras. Materiais ficam expostos e preocupam comerciantes. Foto: Carolina Garcia / iG São PauloRegião do Largo da Batata abriga pelo menos quatro canteiros de obras. Materiais ficam expostos e preocupam comerciantes. Foto: Carolina Garcia / iG São PauloRegião do Largo da Batata abriga pelo menos quatro canteiros de obras. Materiais ficam expostos e preocupam comerciantes. Foto: Carolina Garcia / iG São PauloRegião do Largo da Batata abriga pelo menos quatro canteiros de obras. Materiais ficam expostos e preocupam comerciantes. Foto: Carolina Garcia / iG São PauloRegião do Largo da Batata abriga pelo menos quatro canteiros de obras. Materiais ficam expostos e preocupam comerciantes. Foto: Carolina Garcia / iG São PauloRegião do Largo da Batata abriga pelo menos quatro canteiros de obras. Materiais ficam expostos e preocupam comerciantes. Foto: Carolina Garcia / iG São PauloRegião do Largo da Batata abriga pelo menos quatro canteiros de obras. Materiais ficam expostos e preocupam comerciantes. Foto: Carolina Garcia / iG São PauloRegião do Largo da Batata abriga pelo menos quatro canteiros de obras. Materiais ficam expostos e preocupam comerciantes. Foto: Carolina Garcia / iG São PauloRegião do Largo da Batata abriga pelo menos quatro canteiros de obras. Materiais ficam expostos e preocupam comerciantes. Foto: Carolina Garcia / iG São PauloRegião do Largo da Batata abriga pelo menos quatro canteiros de obras. Materiais ficam expostos e preocupam comerciantes. Foto: Carolina Garcia / iG São PauloRegião do Largo da Batata abriga pelo menos quatro canteiros de obras. Materiais ficam expostos e preocupam comerciantes. Foto: Carolina Garcia / iG São PauloRegião do Largo da Batata abriga pelo menos quatro canteiros de obras. Materiais ficam expostos e preocupam comerciantes. Foto: Carolina Garcia / iG São PauloEdilson Ferreira, de 36 anos. Iria fechar sua banca de jornal às 15h. "Não dá para saber o que vai acontecer". Foto: Carolina Garcia / iG São PauloGerente Ademilson Costa, de 53 anos. Trabalha há 25 anos na região e teme por novas cenas de violência. Foto: Carolina Garcia / iG São Paulo

Além de um possível confronto com a Polícia Militar, Ferreira disse estar preocupado com a oferta de materiais de construção na região. "Estamos em um grande canteiro de obras. Tem pau, aço e pedras por todos os lados. Quem garante que isso não fará parte do protesto? Na hora do calor, não dá nem para ver quem começou errado".

Carolina Garcia / iG São Paulo
Gerente Ademilton Costa, de 53 anos. "Prefiro encerrar o dia e começar de novo amanhã", disse

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Ademilson Costa, de 53 anos, trabalha há 25 anos como gerente de uma loja de roupas em frente à Estação Faria Lima do Metrô e não esconde o medo da nova manifestação. "Aquela quinta-feira foi terrível, torço para não ser do mesmo jeito. Tenho medo", explicou. Segundo Costa, ele e mais quatro funcionários deixariam a loja às 15h30, no máximo. "Não tem motivo de expor meus funcionários a esse risco. Prefiro encerrar o dia e começar de novo amanhã." 

Reforços

Segundo agentes da PM, há motivo para preocupação. O protesto desta segunda-feira dividirá espaço com pelo menos quatro canteiros de obra para a construção de prédios, praças e a revitalização do largo, a última obra vistoriada pela Prefeitura de São Paulo. Ao caminhar pela região, é comum ver pedras, pedaços de madeira e materiais de obra. Não é necessário o uso da força para se ter acesso a esses materiais.

"Protegidos" por frágeis tapumes de madeira e redes plásticas de isolamento, tais itens podem ditar o nível de violência do protesto. Em sua página no Facebook, o Movimento Passe Livre (MPL) considerou suspeito e "uma armadilha" o surgimento de tais materiais um dia antes do evento.

A reportagem do iG flagrou o momento que funcionários tentavam isolar os futuros postes de iluminação e blocos de concreto. O responsável, que preferiu não ter seu nome identificado, se mostrou cético ao comentar o reforço da segurança do local. "Se eles [manifestantes] quiserem pegar esses materiais, eles vão pegar. Posso colocar o que for que não irá impedi-los". Nesse momento, dois PMs "verificavam a segurança da região". "Esse lugar é perigoso, para todos. Para nós PM e para eles [manifestantes]. Ninguém aqui está seguro. Você vai ver", alertou o policial. 

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