A única negociação possível é revogar o aumento, diz Passe Livre

Por Natália Peixoto - iG São Paulo |

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Organizadores das manifestações em SP se negam a negociar trajetos ou discutir outras pautas com o governo

Representantes do Movimento Passe Livre (MPL) declararam que não irão negociar outra pauta além da redução dos R$ 0,20 no preço da passagem dos ônibus em São Paulo. "A única coisa que a gente vai negociar é: ou revoga o aumento ou revoga o aumento", disse Érica de Oliveira, membro do MPL.

Convocados para se reunirem com a Secretaria de Segurança Pública, que anunciou que iria negociar o trajeto da manifestação de hoje, marcada para às 17h no Largo da Batata, representantes dos manifestantes disseram que não têm o poder de fazer isso porque ele é definido na hora e o MPL não pode controlar possíveis atos de violência.

Protesto: Em resposta à violência, manifestantes preparam maior ato em São Paulo hoje

"O trajeto não depende só da gente. A manifestação é muito, muito maior que o Movimento Passe Livre", disse Caio Martins. "A gente não entende que deveria se reunir com a Secretaria de Segurança, que deveria se reunir com organizações criminosas, não com movimentos sociais. A gente queria se reunir com a Secretaria de Transportes."

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"Você pode dizer que São Paulo vive hoje uma revolta popular. Se tem uma pessoa que pode controlar essa revolta é o prefeito ou o governador, ao baixar a tarifa”, acrescentou Caio.

Em coletiva nesta manhã, eles também negaram que irão filmar os manifestantes para identificar possíveis agressores e vândalos.

Críticas a Haddad
As declarações recentes do prefeito Fernando Haddad, de que o movimento não estaria disposto ao diálogo e que teria negado convites para negociação, também foram criticadas pelos militantes do MPL.

"Isso é mentira. Ele não falou a verdade quando disse que convidou a gente duas vezes", disse Érica.

A manifestante afirmou que o MPL protocolou um pedido de reunião com a prefeitura no início de junho, sem resposta. Além disso, eles participaram de uma reunião de negociação convocada pelo Ministério Público na semana passada, mas sem a presença de representantes da Prefeitura que tivessem força de negociação.

O MPL anunciou também um convite para uma reunião com o prefeito na próxima quarta-feira, às 10h, no sindicato dos jornalistas, para negociar. 

Haddad convidou a entidade a compor o Conselho da Cidade, que se reúne amanhã. O MPL aceitou e agradeceu o convite, mas frisou que não usará o espaço do conselho, que é consultivo, para negociar.

"Quem tem o poder de reduzir a tarifa não é o Conselho, mas a prefeitura", disse Érica.

Habeas
O MPL entrou com o pedido de habeas-corpus coletivo preventivo para os manifestantes no ato marcado para esta segunda, no Largo da Batata, mas o Tribunal de Justiça negou o pedido.

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