'Repressão brutal' de PM foi 'desvio perigoso', diz Repórteres Sem Fronteiras

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Responsável pelas Américas da Repórteres Sem Fronteiras disse que vai pedir às autoridades brasileiras para realizarem uma investigação sobre as violências cometidas

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A "repressão brutal" de jornalistas nos recentes protestos em São Paulo contra o aumento das tarifas do transporte público representa, na avaliação da ONG Repórteres Sem Fronteiras, "um desvio repressivo perigoso" e também uma ameaça à liberdade de informação.

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Manifestantes tomam as ruas de SP em protesto contra aumento da tarifa de ônibus. Foto: Euclides Oltramari Jr./Futura PressManifestantes colocam fogo em lixo durante concentração na Praça do Ciclista, na Avenida Paulista. Foto: Gabriela Bilo/Futura PressÔnibus incendiado e depredado próximo da Praça da Sé durante protesto contra o aumento das passagens de ônibus, trens e metrô, na cidade de São Paulo (SP).. Foto: Gabriela Bilo/Futura PressGrupo bloqueia passagem de carros na Paulista na altura da Bela Cintra, no fim do protesto. Foto: Renan TruffiManifestante e PMs em protesto contra o aumento das passagens de ônibus, trens e metrô em SP. Foto: Gabriela Bilo/Futura PressDepredação de agência bancária durante protesto contra o aumento das passagens de ônibus, trens e metrô em SP. Foto: Gabriela Bilo/Futura PressManifestantes picham e depedram ônibus no  Terminal Parque Dom Pedro . Foto: Futura PressManifestantes chegam à Paulista e invadem as duas faixas da avenida. Foto: Renan TruffiAgência bancária depredada na Avenida Paulista. Foto: Renan TruffiManifestantes chegam à Paulista. Foto: Renan TruffiO ato contra o aumento da passagem de ônibus se dirige à Avenida Paulista. Foto: Renan TruffiManifestantes bloqueiam o trânsito sentido Paulista da Avenida Brigadeiro Luiz Antônio. Foto: Renan TruffiAgências bancárias depredadas por manifestantes contra o aumento da passagem de ônibus na Avenida Brigadeiro Luiz Antônio. Foto: Renan TruffiManifestantes contra o aumento da passagem de ônibus picham poste na Brigadeiro Luiz Antônio. Foto: Renan TruffiAgências bancárias depredadas por manifestantes contra o aumento da passagem de ônibus na Avenida Brigadeiro Luiz Antônio. Foto: Renan TruffiManifestante ateia fogo a lixo na Praça da Sé, durante confronto com a Tropa de Choque. Foto: Renan TruffiCerca de 400 policiais acompanharam o protesto desde a Avenida Paulista. Foto: Futura PressManifestação reuniu mais de duas mil pessoas. Foto: Futura PressProtesto contra aumento das passagens de transporte público em São Paulo. Foto: Gabriela Bilo/Futura PressProtesto contra aumento das passagens de transporte público em São Paulo. Foto: Gabriela Bilo/Futura PressManifestantes mudam rumo do protesto e iniciam descida na rua da Consolação. Foto: Renan Tuffi/iG São PauloConcentração do protesto na Praça do Ciclista, no início da Avenida Paulista. Foto: Renan Tuffi/iG São PauloPoliciais militares prendem manifestante que tentou bloquear faixa de ônibus na Consolação. Foto: Renan TruffiProtesto contra aumento das passagens de transporte público em São Paulo. Foto: Gabriela Bilo/Futura PressManifestantes protestam contra o aumento no valor da tarifa nesta terça-feira(11). Foto: Gabriela Bilo/Futura Press

A Polícia Militar reagiu às manifestação desta quinta-feira no centro da capital paulista com bombas de efeito moral e balas de borracha. Vários jornalistas, cinegrafistas e fotógrafos foram atingidos pelos disparos ou levaram golpes de cassetete; alguns deles chegaram a ser presos.

"Vamos pedir à Secretaria dos Direitos Humanos e às autoridades brasileiras para realizarem uma investigação sobre as violências cometidas", disse à BBC Brasil Benoît Hervieu, responsável pelas Américas da Repórteres Sem Fronteiras, com sede em Paris, acrescentando que as autoridades precisarão explicar como a polícia chegou ao ponto de "realizar uma repressão tão brutal".

"A prefeitura e o governo de São Paulo e também o comando da Polícia Militar deverão prestar contas em relação às ordens transmitidas aos policiais", diz o porta-voz.

"A Constituição brasileira está sendo desrespeitada. Além da brutalidade dos policiais, as acusações contra os jornalistas não têm fundamento", afirma Hervieu.

Prisões 'escandalosas'

Em um comunicado que será divulgado nesta tarde, a ONG, que defende a liberdade de imprensa e luta contra a repressão a jornalistas, também pede a libertação do jornalista Pedro Ribeiro Nogueira, do Portal Aprendiz, detido sob a acusação de "formação de quadrilha".

"Essa acusação de formação de quadrilha é uma loucura", diz Hervieu, ressaltando que na França não ocorrem prisões de jornalistas que estão trabalhando na cobertura de manifestações nas ruas.

Repórteres como Marina Novaes, do portal Terra, Leandro Machado, do jornal Folha de S. Paulo, e Piero Locatelli, da revista Carta Capital, foram presos enquanto faziam a cobertura das manifestações e liberados depois.

Para Hervieu, essas prisões de jornalistas em São Paulo são "particularmente escandalosas".

"Na França, houve um trabalho de formação dos policiais, nos anos 80, sobre como lidar com o trabalho da imprensa durante protestos nas ruas. Os policiais recebem a orientação de respeitar o trabalho dos jornalistas", afirma Hervieu.

"No Brasil, a violência da Polícia Militar é algo mais sistemático e é uma violação à liberdade de informação. Isso lembra a época do AI-5 (Ato Institucional número 5 da ditadura militar, que instituiu a censura)", embora não sejam os mesmos métodos, diz o representante da ONG RSF.

"No Brasil, falta formação para os policiais. Falta sensibilização em relação ao princípio democrático de se manifestar", afirma Hervieu.

Outro lado

Em declaração publicada pela Folha de S. Paulo, o Secretário de Segurança Pública do Estado, Fernando Grella, lamentou os episódios de violência policial na noite desta quinta-feira e afirmou que eles serão apurados. Grella qualificou de “inadmissível” a violência contra jornalistas. “Se ficar caracterizado que o ataque foi deliberado, vai haver responsabilização.”

O pedido de investigação foi enviado à Corregedoria da Polícia Militar.

O prefeito de São Paulo, Fernando Haddad, destacou que, nos protestos desta quinta-feira, “a imagem que ficou foi a da violência policial” e disse ser correta a decisão de Grella de abrir “um inquérito para apuração rigorosa dos fatos”.

A Polícia Militar de São Paulo não se pronunciou sobre a conduta dos policiais durante o protesto, mas adiantou também que as denúncias de abusos serão investigadas.

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