Em noite violenta, PM atirou até em quem pedia 'não machuquem os meninos' em SP

Por Ricardo Galhardo - iG São Paulo | - Atualizada às

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Reportagem do iG flagrou diversos casos de arbitrariedades cometidos pela PM na região central ao longo da tarde e início da noite de quinta-feira. Mais de 230 foram detidos em SP

Uma unidade da Tropa de Choque atravessava a avenida Paulista, em São Paulo, por volta das 20h, quando uma moça negra usando camiseta branca com uma cruz preta fez um apelo da calçada, perto da esquina com a rua da Consolação, onde se encontravam pelo menos outras 20 pessoas: “Por favor, não machuquem os meninos, eles não fizeram nada contra vocês”. Um policial retardatário ouviu o apelo e respondeu. “Então toma, sua hipócrita filha da p...”, e atirou uma bomba de gás lacrimogêneo.

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Policiais atiram contra manifestantes nesta quinta-feira, em São Paulo. Foto: Gabriela Bilo/Futura PressJovens são detidos durante manifestação na região central de São Paulo. Foto: Euclides Oltramari Jr / Futura PressManifestantes ocupam as ruas no 4º dia de protestos contra o aumento da passagem de ônibus em São Paulo. Foto: Renan Tuffi/iG São PauloManifestantes ocupam as ruas no 4º dia de protestos contra o aumento da passagem de ônibus em São Paulo. Foto: Renan Tuffi/iG São PauloManifestantes ocupam as ruas no 4º dia de protestos contra o aumento da passagem de ônibus em São Paulo. Foto: Renan Tuffi/iG São PauloFogo na Praça do Patriarca durante protesto contra o aumento das tarifas do transporte coletivo na cidade. Foto: Futura PressManifestantes na avenida Angélica durante o 4º dia de protesto pela redução da tarifa de ônibus. Foto: Renan Truffi/iG São PauloDepredração de ônibus na Praça do Patriarca durante protesto. Foto: Futura PressManifestantes ocupam as ruas no 4º dia de protestos contra o aumento da passagem de ônibus em São Paulo. Foto: Renan Tuffi/iG São PauloManifestantes protestam pelo 4º dia contra o aumento da passagem de ônibus em São Paulo. Foto: Futura PressManifestantes protestam pelo 4º dia contra o aumento da passagem de ônibus em São Paulo. Foto: Futura PressAproximadamente 20 manifestantes são presos na Praça do Patriarca durante o protesto contra o aumento das tarifas do transporte coletivo na cidade, no centro. Foto: Gabriela Bilo/Futura PressManifestantes protestam pelo 4º dia contra o aumento da passagem de ônibus em São Paulo. Foto: Futura PressManifestantes protestam pelo 4º dia contra o aumento da passagem de ônibus em São Paulo. Foto: Futura PressManifestantes protestam pelo 4º dia contra o aumento da passagem de ônibus em São Paulo. Foto: Futura PressManifestantes protestam pelo 4º dia contra o aumento da passagem de ônibus em São Paulo. Foto: Futura PressManifestantes se reúnem em frente ao Teatro Municipal no centro de São Paulo, no 4º dia de protestos contra o aumento na passagem de ônibus. Foto: Futura PressManifestantes protestam pelo 4º dia contra o aumento da passagem de ônibus em São Paulo. Foto: Futura PressManifestantes protestam pelo 4º dia contra o aumento da passagem de ônibus em São Paulo. Foto: Futura PressManifestantes protestam pelo 4º dia contra o aumento da passagem de ônibus em São Paulo. Foto: Futura PressManifestantes protestam pelo 4º dia contra o aumento da passagem de ônibus em São Paulo. Foto: Futura PressManifestantes se reúnem em frente ao Teatro Municipal no centro de São Paulo, no 4º dia de protestos contra o aumento na passagem de ônibus. Foto: Futura PressManifestantes se reúnem em frente ao Teatro Municipal no centro de São Paulo, no 4º dia de protestos contra o aumento na passagem de ônibus. Foto: Futura PressMilitares prendem manifestantes na Rua Xavier de Toledo com vinagre e tintas antes que chegassem no protesto contra o aumento das tarifas . Foto: Luiz Claudio Barbosa/Futura PressMilitares prendem manifestante antes que chegassem no protesto contra o aumento das tarifas do transporte coletivo na cidade, na frente do Theatro Municipal, centro de SP. Foto: Euclides Oltramari Jr / Futura Press

O efeito da fumaça atingiu todos que estavam na calçada. Uma senhora aparentando ter mais de 60 anos passou mal e foi carregada pelos colegas para dentro de um prédio. Os outros saíram correndo. A maioria era composta por trabalhadores que ficaram presos na Paulista depois do trabalho sem conseguir voltar para suas casas.

As estações de Metrô da principal avenida da cidade fecharam os portões. Os seguranças escolhiam quem podia entrar pela cara e pelas roupas. O comércio fechou as portas por orientação da Polícia Militar, que impediu o tráfego de pessoas em vários pontos e os barrados no metrô se aglomeravam nas calçadas.

Algumas vezes os trabalhadores eram confundidos com grupos de manifestantes e viravam alvos das balas de borracha, bombas de efeito moral e gás. Pessoas choravam, tentavam se esconder e andavam com os braços erguidos para evitar a violência policial.

A reportagem do iG flagrou diversos casos de arbitrariedades cometidos pela PM na região central ao longo da tarde e início da noite de quinta-feira.

Um homem também negro, com camiseta de listras horizontais, foi detido violentamente depois de reclamar da falta de diálogo do governador Geraldo Alckmin (PSDB) no Largo do Patriarca, ainda antes do início da marcha.

O auxiliar de escritório Valdemir de Souza, 21 anos, levou um tapa na orelha de um PM na calçada da rua da Consolação. “Tira essa máscara e mostra a cara seu filho da p...”, gritava o policial enquanto o espancava.

Souza não estava mascarado. Ele colocou a camiseta preta no rosto para evitar os efeitos do gás lacrimogêneo e nem sequer participava do protesto.

“Acabei de sair do trabalho e estou tentando voltar para casa. Nem sei porque apanhei”, disse ele.

Daniel Klein, professor de Economia da PUC-SP, e outras duas pessoas foram detidos simplesmente por gravarem a ação da PM com seus tablets e celulares na Praça Roosevelt.

A reportagem também flagrou outras cinco pessoas sendo levadas pela PM por chamarem os policiais de fascistas.

“O único jeito de não ser preso hoje é andar com as mãos para cima e calado”, disse o advogado Estevão da Cunha. Ele recebeu uma reprimenda e quase foi preso por gritar “violência não”.

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