Mortes nas estradas de São Paulo aumentam de janeiro a abril

Por Agência Estado - | - Atualizada às

compartilhe

Tamanho do texto

Apesar da divulgação de balanços com queda de mortes nos feriados prolongados, o número de vítimas nas rodovias estaduais que servem de acesso à capital vem crescendo

Agência Estado

Apesar da divulgação de balanços com queda de mortes nos feriados prolongados, o número de vítimas nas rodovias estaduais que servem de acesso à capital cresceu nos quatro primeiros meses deste ano em relação ao mesmo período do ano passado. O aumento foi de 157 para 165 casos - o que demonstra o aumento de casos fora dos feriados. O balanço, inédito, foi obtido por meio da Lei de Acesso à Informação com a Polícia Militar Rodoviária.

Veja também a saída para o feriado de Corpus Christi

Os dados mostram que as rodovias usadas pelos paulistanos nos feriados seguem tendência contrária ao que é observado no Estado. Somando as rodovias entregues à gestão de concessionárias com as estradas gerenciadas pelo Departamento de Estradas de Rodagem (DER), que inclui até estradas vicinais, o total de mortos caiu 9,4% do ano passado para cá. A frota de veículos cresceu quase 7% no mesmo período. Nos primeiros quatro meses deste ano, foram 650 pessoas mortas, ante 720 em 2012.

Divulgação
Imigrantes é a primeira rodovia do país com seis faixas, o que facilita o tráfego e evita acidentes

Mas a Via Anchieta, por exemplo, um dos principais acessos ao litoral do Estado, teve duas mortes a mais neste ano do que no ano passado, totalizando 12 casos. Já a líder no crescimento de acidentes fatais é a Rodovia dos Bandeirantes, cujas mortes saltaram de 11 para 26. O balanço não inclui as Rodovias Fernão Dias, Régis Bittencourt e Presidente Dutra, que são fiscalizadas pela Polícia Rodoviária Federal.

Ações

O feriado que começa nesta quinta-feira (30) é o quarto prolongado deste ano. Nos três anteriores - Ano Novo, Carnaval e Páscoa -, o governo do Estado divulgou balanços com forte redução de acidentes nas rodovias estaduais, movimento que não se observa na comparação do ano todo nas rodovias usadas pelo paulistano para deixar a cidade. No Ano-Novo, a queda foi de 44%; no Carnaval, de 41,5%. Já na Páscoa, a redução foi de 47%.

Dois fatores explicam a diferença. Primeiro, nos feriados prolongados há mais trânsito nas estradas, o que faz com que os carros trafeguem em velocidade menor. Além disso, nesses períodos, há um reforço na fiscalização feita pela Polícia Militar Rodoviária, que inibe o consumo de álcool. No Carnaval, por exemplo, as blitze da Polícia Militar dispunham até de equipamentos capazes de detectar o consumo de maconha e cocaína. Mas esse mesmo efetivo não está nas estradas no dia a dia.

"É um resumo do que ocorre no País. Em ocasiões especiais, há mais ações, há discussões sobre mudanças nas leis. Mas, para que realmente haja uma mudança no quadro de acidentes, é preciso que as leis que já existem sejam cumpridas", diz o consultor de trânsito Sérgio Ejzenberg, mestre em transportes pela USP. "A Polícia Militar Rodoviária tem um corpo excepcional, mas eles são poucos. Para que os números caiam, não há segredo: aumentar o número de policiais", afirma.

Reações

A Polícia Militar Rodoviária disse, em nota, que reforça o patrulhamento nas folgas prolongadas, mas afirmou que há prioridade "tanto nos dias normais quanto nos feriados". A PM, entretanto, disse que não tinha como analisar os a dados na tarde desta quarta-feira, 29, véspera de feriado. A Agência de Transporte do Estado de São Paulo (Artesp), que tem a responsabilidade de fiscalizar essas rodovias paulistas, disse em nota que o número de mortos é o mais baixo dos últimos 12 anos, com queda de 52% desde 2000. "As ações que estão sendo feitas em conjunto com as concessionárias e a polícia estão surtindo efeito positivo."

A Autoban informou que as equipes de plantão estavam empenhadas nas ações do feriado e não teriam como comentar o balanço. E a Ecovias disse que sua área de concessão (que inclui as Rodovias Imigrantes, Padre Manuel da Nóbrega e Cônego Domênico Rangoni) teve queda de 25 para 23 mortes no período. 

Leia tudo sobre: São Pauloigspestradasmortesrodoviasferiado

compartilhe

Tamanho do texto

notícias relacionadas