Aécio Neves aproveita velório de Roberto Civita para atacar governo e o PT

Por Ricardo Galhardo - iG São Paulo | - Atualizada às

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Empresário e presidente do grupo Abril morreu neste domingo (26), aos 76 anos. Cerimônia é realizada no crematório Horto da Paz, em Itapecerica da Serra, na Grande São Paulo

O senador Aécio Neves, presidente nacional do PSDB e pré-candidato tucano à Presidência da República, aproveitou o velório do empresário Roberto Civita nesta segunda-feira (27) para desferir críticas contra o governo federal. Em entrevista coletiva, na entrada do cemitério Horto da Paz, onde Civita foi velado em São Paulo, Aécio alfinetou a administração da presidente Dilma Rousseff, os programas de distribuição de renda, e a propaganda do governo do PT.

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“Roberto Civita tinha sonhos para o Brasil e acho que o maior deles é que um dia tivéssemos uma educação de qualidade que permitisse ao Brasil mudar de patamar. O que poderíamos fazer para homenagear Roberto Civita, e tantos outros que como ele querem que o Brasil avance não apenas na propaganda oficial, mas na vida real das pessoas, é permitir cada vez mais que os brasileiros se qualifiquem”, disse.

Gabriela Bilo/Futura Press
Questionado sobre a morte do empresário, pré-candidato do PSDB à Presidência lembrou do Bolsa Família

Ao falar das qualidades do presidente do grupo Abril, o senador também cutucou o Bolsa Família, programa de transferência de renda que é marca da gestão petista. “A característica mais marcante dele era sonhar que o Brasil um dia seria um país de pleno desenvolvimento, onde o Estado fosse indutor do crescimento, e não apenas responsável por políticas de transferência de renda”, afirmou.

O tucano lembrou ainda que “quase sempre” se encontrava com Civita em São Paulo. Segundo ele, o empresário era, inclusive, grande incentivador de sua carreira politica. “Quase sempre que vinha a São Paulo, eu tinha o privilégio de ir a casa dele, onde almoçava e jantava. Roberto Civita foi um estimulador das boas caminhadas, e não da minha apenas. Acho que ele sentia a necessidade de o Brasil ter pessoas sintonizadas com o futuro e não apenas com o atraso”, opinou.

Provocado por um repórter de TV que perguntou sobre os projetos do PT de criar um marco regulatório para os meios de comunicação, Aécio fez uma defesa enfática da liberdade de imprensa. “É evidente que a revista Veja não é apenas um patrimônio do grupo Abril, é um patrimônio do Brasil. É nosso papel obstruir qualquer ação que impeça a liberdade de imprensa, talvez esta seja a conquista mais importante do nosso tempo. Que a democracia e a liberdade e imprensa sema perenes.

Roberto Civita morreu aos 76 anos, em São Paulo. Foto: Adriana Spaca / Futura PressRoberto Civita nasceu em Milão, na Itália, no dia 9 de agosto de 1936. Foto: Futura PressCivita estava internado para a correção de um aneurisma abdominal
. Foto: Futura Press
Roberto Civita foi presidente do conselho de administração e diretor editorial do Grupo Abril. Foto: Futura PressRoberto Civita era filho de Victor Civita (1907-1990), fundador do Grupo Abril. Foto: Fred ChalubVelório do empresário Roberto Civita será no crematório Horto da Paz, em Itapecerica da Serra. Foto: Marcos Bezerra/Futura PressCoroas de flores chegam ao velório do jornalista e empresário Roberto Civita. Foto: Marcos Bezerra/Futura Press

Antes, o pré-candidato do PSDB mencionou também a tentativa de parlamentares do PT, segundo ele, de criminalizar a revista Veja. O político disse que, na época do escândalo de corrupção envolvendo o bicheiro Carlinhos Cachoeira, o partido tentou a abertura de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para investigar a publicação e convocou Civita para depor no Congresso.

Também indagado por um repórter, o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso afirmou que os dirigentes partidários que defendem a regulação da mídia não tem compromisso com a democracia. “A imprensa está ai para criticar. Sei que é desagradável quando se está no governo e você, às vezes, lê um jornal ou uma revista e pensa injustiça. Nós vivemos um momento em que as pessoas têm que ficar insistindo que é bom para o povo, bom para o país, e não que é bom para os donos da imprensa, que haja um sentimento critico, mesmo quando essa critica é exagerada. Os dirigentes políticos que não entendem isso não são democráticos”, disse FHC.

O também ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o presidente nacional do PT, Rui Falcão, não se manifestaram sobre a morte de Roberto Civita.

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