Corpo de Ruy Mesquita é sepultado em cemitério de São Paulo

Por iG São Paulo |

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Diretor do jornal O Estado de S. Paulo morreu na noite de terça-feira, por volta das 20h40, em decorrência de um câncer na base da língua. Ele estava internado desde 25 de abril

Foi sepultado na tarde desta quarta-feira (22), por volta das 15h25, o corpo do diretor do jornal “O Estado de S.Paulo”, Ruy Mesquita, que morreu aos 88 anos na noite de terça (21) em decorrência de um câncer na base da língua. O sepultamento aconteceu no Cemitério da Consolação, na região central de São Paulo.

Ruy Mesquista estava internado desde o dia 25 de abril no Hospital Sírio-Libanês. Durante a manhã, o corpo foi velado na própria casa do jornalista, na região do Pacaembu. Os presentes na cerimônia destacaram o papel de Dr. Ruy, como era conhecido, na defesa da democracia e da liberdade de imprensa ao longo de décadas que atuou nos jornais de Grupo Estado.

Marcos Bezerra/Futura Press
Enterro do corpo do jornalista Ruy Mesquita no Cemitério da Consolação, zona oeste de São Paulo, nesta quarta-feira

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Compareceram no velório, entre outras pessoas, o ex-presidente da República, Fernando Henrique Cardoso, o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, o prefeito de São Paulo, Fernando Haddad, o ex-ministro do Desenvolvimento Miguel Jorge, que foi diretor de redação de "O Estado de S. Paulo", e o vice-presidente das Organizações Globo, João Roberto Marinho.

Autoridades e empresários comparecem ao velório de Ruy Mesquita

Miguel Jorge disse que a morte de Ruy Mesquita é símbolo do fim de uma geração no comando das grandes empresas de jornalismo no País. "A morte dele pode ser comparada a perda de figuras como Octavio Frias de Oliveira e Roberto Marinho. Não há mais quem possa substituir essa geração", disse.

Testemunha da história

Marcos Bezerra/Futura Press
Durante a manhã, o corpo de Ruy Mesquita foi velado na própria casa do jornalista, na região do Pacaembu, em São Paulo

Nascido em em 16 de abril de 1925, na cidade de São Paulo, Ruy Mesquita cresceu em uma das mais tradicionais famílias de jornalistas do País. Era filho de Julio de Mesquita Filho e de Marina Vieira de Carvalho Mesquita. Aos sete anos de idade, após a Revolução de 1932, viu seu pai ser preso e exilado para Portugal, onde viveu por um ano junto com seu tio, Francisco, e primos. Neste período, ficou internado por dois meses na Itália, tratando da paralisia infantil que o acometeu quando tinha três anos. Operado, recuperou a capacidade de se movimentar sem aparelhos.

Estudou por dois anos na Faculdade de Direito, do Largo São Francisco, transferindo-se posteriormente para a Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras da Universidade de São Paulo, onde se formou em Filosofia. Com 23 anos Iniciou sua carreira em O Estado de S. Paulo, em outubro de 1948, na seção do exterior, atual editoria internacional, sob a direção de Gianino Carta, o qual Ruy considerava o seu mestre. No ano seguinte, em 17 de dezembro de 1949, casa-se com Laura Maria Sampaio Lara Mesquita. Com um intervalo de cinco anos na década de 1950 nascem os quatro filhos do casal: Ruy Mesquita Filho (1950), Fernão Lara Mesquita (1952), Rodrigo Lara Mesquita (1954) e João Lara Mesquita (1955).

Na carreira, tinha preferência pelas reportagens internacionais. Considerava sua maior experiência como repórter a cobertura feita sobre o grande comício de Fidel Castro para 700 mil pessoas em Havana em 1959, quando o líder revolucionário anunciou que permaneceria na chefia do governo de Cuba. Foi um dos dois jornalistas brasileiros convidados pelo governo cubano para o evento.

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Divulgação
Morre em São Paulo o jornalista Ruy Mesquita, diretor de O Estado de S. Paulo

Em 1964, em meio à crise política do governo João Goulart, foi procurado por jovens oficiais das Forças Armadas para participar de um movimento pela destituição do presidente. Aderiu na expectativa de barrar o golpe que o vice-presidente empossado depois da renúncia de Jânio estava preparando para impor uma Republica Sindicalista ao Brasil. No ano seguinte, com a promulgação do Ato Institucional número 2, e a constatação de que o movimento militar não realizaria as prometidas eleições para a escolha do novo presidente, Ruy Mesquita, assim como o jornal, se distanciam do movimento.

Neste mesmo ano, é indicado por seu pai, Julio, e seu tio, Francisco, que dirigiam O Estado, a planejar e organizar um novo jornal vespertino. Inaugurou, então, em 4 de janeiro de 1966 o Jornal da Tarde, considerado uma grande inovação na linguagem jornalística da época, mas que fechou no início de 2012. Com o endurecimento do regime militar e a imposição de censura prévia aos veículos de comunicação, idealizou, num misto de protesto e alerta aos leitores, a publicação de receitas culinárias no lugar das matérias vetadas pelos censores, ideia que foi acompanhada pelo Estado com a publicação de versos dos Lusíadas no espaço das matérias censuradas. Dirigiu o Jornal da Tarde até 1996, quando assumiu a direção de O Estado de S. Paulo, onde estava até ser internado.

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