Autoridades e empresários comparecem ao velório de Ruy Mesquita em São Paulo

Por Ricardo Galhardo - iG São Paulo | - Atualizada às

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"Deixa a lembrança de um homem que lutou e teve convicções e princípios sempre em favor da liberdade de imprensa", disse João Roberto Marinho, das Organizações Globo

Personalidades da área política, financeira, empresarial, da publicidade e, principalmente, do jornalismo compareceram nesta quarta-feira (21) ao velório do diretor do jornal O Estado de S. Paulo, Ruy Mesquita, que morreu ontem (21), aos 88 anos, em São Paulo. Os presentes destacaram o papel de Dr. Ruy, como era conhecido, na defesa da democracia e da liberdade de imprensa ao longo de décadas que atuou nos jornais de Grupo Estado.

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Marcos Bezerra/Futura Press
Velório do jornalista Ruy Mesquita, diretor do O Estado de São Paulo, em sua casa no bairro do Pacaembu, na zona oeste de São Paulo

Colaboradores mais antigos lembraram de histórias em que ele se colocou pessoalmente em situações de risco para defender os profissionais durante a ditadura. O jornalista Carlos Brickmann, que fez parte da primeira equipe do Jornal da Tarde (JT), também do Grupo Estado, disse que logo após a morte de Vladimir Herzog, em 1975, Dr. Ruy se ofereceu para acompanhar o escritor Fernando Morais, na época repórter do jornal, em depoimento no Departamento de Ordem Política e Social (Dops).

Brickmann também lembrou que o Dr. Ruy se aproveitava de uma espécie de "imunidade" que tinha, por sem de uma família que comandava um importante jornal, para burlar a repressão. Ele lembra da história que o jornalista Fernando Portela, na época editor de geral do JT, publicou um título ofensivo ao delegado Sérgio Paranhos Fleury, um dos principais agentes da repressão. Intimado pelas forças da ditadura a entregar o autor do título, Dr. Ruy disse que outro tinha sido ele próprio, para preservar Portela. "É claro que os militares sabiam que aquilo era uma mentira, mas não puderam fazer nada porque senão teriam que prender um Mesquita", disse.

Divulgação
Morre em São Paulo o jornalista Ruy Mesquita, diretor de O Estado de S. Paulo

O ex-ministro do Desenvolvimento Miguel Jorge, que foi diretor de redação de "O Estado de S. Paulo", e antes disso trabalhou 11 anos com Mesquita no Jornal da Tarde, disse que sua morte é simbolo do fim de uma geração no comando das grandes empresas de jornalismo no País. "A morte dele pode ser comparada a perda de figuras como Octavio Frias de Oliveira e Roberto Marinho. Não há mais quem possa substituir essa geração", disse Miguel Jorge.

O vereador Andrea Matarazzo (PSDB) recordou que Ruy Mesquita nunca deixava de lado suas convicções, mesmo diante dos poderosos. Ele relembrou que na época do governo FHC, Fernando Henrique foi falar com Mesquita, já que eram amigos, sobre a criação de uma agência de notícias online do governo. Dr. Ruy afirmou que era contra, pois os pequenos jornais ficaram reféns de uma pensamento único do governo. "Era uma pessoa de convicções muito firmes e também de muita coragem. É evidente que naquele momento ela falava com Fernando Henrique 'não o amigo', mas 'o presidente da República'. Mas mesmo assim não teve medo de dar sua opinião contrária".

João Roberto Marinho, vice-presidente das Organizações Globo, também esteve presente ao velório. "Ele deixa a lembrança de um homem que lutou e teve convicções e princípios sempre em favor da liberdade de imprensa. Era um homem de muita cultura e que soube conduzir muito bem os jornais O Estado de S. Paulo e Jornal da Tarde", afirmou.

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O publicitário Alex Periscinoto lembrou da faceta de criativa de Mesquita, principalmente durante a ditadura, quando publicava receitas no lugar das matérias que eram censuradas. "Era um homem de ideias criativas. A grande marca do Estadão naquela época foram as receitas e é evidente que aquilo foi coisa da diretoria, do comando".

Também estiveram presentes ao velório, que acontece na casa da família, no bairro do Pacaembu, Lázaro Brandão, presidente do Conselho do Bradesco; Luiz Carlos Trabuco, presidente do Bradesco; Thomas Trauman, porta-voz da presidência da República; publicitário Luis Salles e dezenas de jornalistas. 

Várias coroas de flores foram expostas em frente a casa de estilo modernista, que possui pés da café no jardim, marcando a origem da família. Entre as coroas enviadas estão as de grandes meios de comunicação como Editora Abril, Rádio Jovem Pan e SBT, além de entidades representativas como a Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp). O enterro do corpo de Mesquita será ás 15h, no cemitério da Consolação.

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