Novas provas da defesa de pagodeiro adiam júri para setembro em Guarulhos

Por Carolina Garcia - iG São Paulo | - Atualizada às

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Promotor pediu que juiz anulasse a provas apresentadas pelos advogados de Evandro Gomes na última quinta-feira. Para evitar discussões, juiz adiou júri para setembro

As polêmicas que envolvem o julgamento do pagodeiro Evandro Gomes estão longe de chegar ao fim. Após o promotor do caso, Rodrigo Antunes Merli, pedir que novas provas apresentadas pela defesa fossem desconsideradas, o juiz Paulo Eduardo de Almeida Chaves Marsiglia decidiu adiar o julgamento para que não houvesse problemas entre acusação e defesa. O julgamento foi remarcado para o dia 11 de setembro, às 10h.

O júri: Foragido há 5 anos, pagodeiro Evandro Gomes vai a júri pela morte de ex-mulher

Marcos Bezerra/Futura Press
Ademar Gomes chega ao júri do pagodeiro Evandro Gomes, nesta quarta-feira, em Guarulhos

Evandro é acusado pela morte da ex-mulher Andréia Cristina Bezerra Nóbrega e por tentativa de homicídio contra o filho Lucas, em 2008. Andréia teria morrido quando tentava fugir do ex-marido. Ela pulou do terceiro andar de um prédio, depois de ter jogado o filho, que caiu sobre uma marquise e sobreviveu.

Na chegada ao Fórum Criminal de Guarulhos, o promotor afirmou que a defesa do réu continuava promovendo "novas palhaçadas" ao juntar provas surpresas dias antes do júri. Merli, que atuou no caso Mércia Nakashima em março deste ano, conversou com jornalistas na entrada do Fórum e não economizou nas críticas aos defensores de Evandro, os advogados Ademar Gomes e Eugênio Malavasi.

Para ele, "com evidente manobra procrastinatória", a defesa apresentou provas encomendadas para mostrar um suposto perfil suicida de Andréia. Ao todo, laudos psiquiátricos, 15 DVDs com 4 horas de duração e dois celulares que pertenciam a Evandro foram anexados ao processo pela defesa na última quinta-feira (02).

"Eles (defesa) tem um prazo de até três dias úteis para apresentar novos fatos. Mas não basta juntar tudo dentro de três dias, é preciso que a parte contrária tenha ciência no mesmo prazo", explicou. O promotor garantiu que teve o conhecimento das provas na segunda-feira (06) pela manhã e não teve tempo para analisá-las. "Não vivo apenas desse processo, como o doutor Ademar".

Merli confirmou que pediria ao juiz anulesse essas provas. "Se o juiz indeferir, a defesa pode abandonar o plenário e não temos júri. E é isso o que eles querem, nos deixar com cara de palhaço", ironizou. Sobre o suspense sobre a possível ida de Evandro ao julgamento, o promotor disse que o réu não tem medo e por isso continua dando entrevista à imprensa. "Talvez ele apareça fantasiado sei lá de que? De Elvis Presley, Belo, ou Salgadinho".

Defesa

O defensor Ademar Gomes chegou a fórum acompanhado por outros advogados e sua secretaria. A fim de provar que entregou as novas evidências dentro do prazo da Justiça, o advogado entregou o documento que comprova a apresentação das novas provas dentro do prazo, no dia 2. "Juntei as provas no dia 2. Ele (Merli) alega que não teve tempo de ver, mas eu também não vi as provas dele", disse.

Ao iG, o defensor protestou contra as declarações do promotor. Segundo Gomes "causou estranhesa o comportamento antiético do promotor de agredir os defensores". O advogado ainda afirmou que "a defesa não tem culpa do promotor não ter tido tempo para examinar os documentos juntados".

Gomes afirmou que as novas provas apresentadas são necessárias para a sua defesa que não abriria mão de explorá-las. Para evitar recursos sobre a nulidade do processo ou por cerceamento do direito de defesa, o juiz optou pela adiamento.

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