Criminosos combinam ataques a ônibus em São Paulo pelas redes sociais

Por Agência Estado |

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Morte do popular 'Robinwood' provocou cinco ataques na zona leste da capital. Amigos usaram página do Facebook para planejar a ação e criticar a "truculência da PM"

Agência Estado

No mundo do crime, aquele que falava demais era chamado pejorativamente de "guela" ou de "cagueta", defeito considerado imperdoável entre quem circula em um ambiente onde discrição é sinônimo de sobrevivência. Só que, em tempos de rede sociais, a lei do silêncio perdeu a força e os criminosos já combinam até incêndios em ônibus pela rede social.

Crime na rede social: Facebook falha em manter páginas que incentivam crimes
Entenda: Ônibus é incendiado e outros quatro coletivos são depredados na zona leste 

Edison Temoteo/Futura Press
Ônibus foi incendiado na rua José Inocêncio da Costa. Encontro de criminosos foi marcado pela rede social

Foi o que ocorreu no fim de semana passado, quando cinco ônibus foram incendiados e depredados na madrugada de domingo nas ruas do Jardim Robru, na zona leste. Um jovem com mais de 500 amigos na rede Facebook, morador do bairro e apelidado de Robinwood, foi morto por policiais militares na madrugada de sábado, segundo os usuários da página.

Apesar do apelido e de afirmar que trabalhava nas "faculdades criminosas", Robinwood era um jovem bastante popular. Vaidoso, vestia roupas de marcas caras e era bastante cobiçado pelas mulheres que o seguiam. Mesmo mantendo o estilo de "vida loka" nas redes sociais, combinava em sua página idas à igreja com os amigos. "Já fui ontem. Vamo ae, poow."

Depois do entrevero com a PM, a agonia do jovem no hospital passou a ser relatada pelos amigos em tempo real durante o sábado. E a revolta veio à tona com a notícia de que Robinwood estava morto. Assim como os flashmobs dos jovens de classe média (os movimentos relâmpagos), a internet foi apenas uma ferramenta para combinar o local dos protestos e da ação. Que ocorreram na rua.

"Queima buzão... Fogo na Penha... Destrói a Tiradentes... A Nazaré parou", convoca um dos amigos do morto. Um colega responde: "Já fizemos parça (parceiro) o Penha queimado e o Tiradentes destruído". Até que, finalmente, um jovem com um pouco mais de bom senso chama a conversa para um chat privado.

A truculência policial passou a fazer parte do debate. "A quebrada tá moiada dos malditos. Que Deus nos proteja desses vermes". Além de jovens que se dizem das "faculdades criminosas", outro debatedor afirmava abertamente trabalhar como "157" (roubo) na empresa "profissão perigo".

A mãe de um dos garotos que liderava o movimento se intromete no debate, dando uma bronca nos jovens que falavam mal da polícia. "Filho, eu já te falei. Eles não são malditos. Estão fazendo o trabalho deles. Vocês jovens precisam parar com isso. E pensem que as pessoas procuram às vezes a própria situação por achar que se pode tudo. Gente, nossos jovens estão se matando mais cedo por não escutarem os conselhos dos pais. Eles acham que a gente fala demais. Não é isso. A gente não quer que nossos meninos partam cedo." As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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