Em réplica, promotor detalha ‘currículo de mortes’ de PMs julgados por massacre

Por Renan Truffi - iG São Paulo |

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Após defesa chamar os réus de 'heróis', promotor comparou os delitos dos presos mortos com os processos que os policiais responderam

Após defesa chamar os policiais militares (PMs) de “heróis” e pedir a sua absolvição, a acusação usou suas duas horas de réplica para destrinchar a história dos presos mortos no massacre do Carandiru em contraposição ao “currículo de mortes” dos 26 réus que são acusados.

Tércio Teixeira/Futura Press
Fachada do Fórum da Barra Funda, na zona oeste de São Paulo, onde acontece o julgamento do massacre do Carandiru

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Friggi comparou os delitos pelos quais os mortos responderam com os processos que os PMs já responderam. Ele começou a contar, por exemplo, sobre o caso de um preso morto, que tinha sido detido por assaltar um cobrador usando uma faca. “Ele dirigiu-se para o cobrador e justificou o roubo dizendo que precisava comprar o leite das crianças. Ele levou o equivalente a cinco dólares, hoje. Esse é’ monstro’”, disse, ao ironizando o tamanho do crime cometido pelo morto.

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Depois de listar diversos casos dos presos, o promotor elencou os processos que os policiais envolvidos no julgamento já responderam. Friggi destacou os processos do réu capitão Ronaldo Ribeiro dos Santos, que tem cinco mortes no “currículo”. “Ronaldo já foi processado por atirar contra a perna de um menor de idade que estudava em escola pública, suspeito de furtar merenda escolar. Isso prescreveu, não deu em nada”, disse.

Depois de citar dezenas de outras mortes praticadas pelos outros réus, o promotor pediu para que os jurados fizessem justiça.

“Não importa se os mortos tinham praticado delito. (...) Não decidam com base nessa linha que ‘bandido bom é bandido morto’, pensem naqueles 111 que pelo menos hoje mereciam um pouco de consideração.”

Friggi usou imagens do filme Carandiru, que retrata o massacre. "Evidente que é um filme, mas avaliem depois de perceber quantos pontos são baseados em fatos que constam nos autos", afirmou. 

Heróis

Na réplica, o promotor respondeu à defesa dos policiais, que chamou os policiais julgados de “heróis”. Ele disse ser fã de "carteirinha" da Polícia Militar. "Meu problema são os maus policiais. (...) Eu não acolho a versão do preso porque eu gosto dele, mas porque a versão é compatível com a prova material", afirmou.

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A advogada Ieda Ribeiro de Souza buscou humanizar o conceito de soldados da Polícia Militar, tratados por ela como "seres invisíveis". "Me penitencio e me desculpo porque nem sempre se entende o papel do PM. A sociedade não os respeita. Me penitencio e me desculpo porque eu faço parte dessa sociedade", disse. Nesse momento, o capitão Ronaldo Ribeiro dos Santos ficou emocionado e chorou. Ieda continuou: "Os meus heróis não morreram de overdose. Eles estão aqui [no banco dos réus]. E vou dizer aos senhores quem são eles".

A defensora pediu aos jurados que não julguem a tropa como um todo, mas que criem "empatia" e busquem "individualizar a conduta". O pedido vai contra a tese da acusação , explicada horas antes pelo promotor Fernando Pereira da Silva. Para ele, a conduta criminosa partiu de policiais que formavam um grupo e que "como tropa possuem ação coletiva".

Contra o argumento de individualização da ação de cada réu, Friggi lembrou o processo do mensalão, no qual, segundo ele, o mesmo discurso foi usado para defender os políticos envolvidos no escândalo. "É a mesma coisa que eles disseram", disse ao se referir aos ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) Ricardo Lewandowski e Dias Toffoli, que absolveram o então ministro da Casa Civil José Dirceu da acusação de corrupção ativa, por aceitar a tese que que Dirceu não teria conhecimento das ações dos outros envolvidos.

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