Vídeos antecipam estratégia na reta final do julgamento do massacre do Carandiru

Por Carolina Garcia e Wanderley Preite Sobrinho - iG São Paulo | - Atualizada às

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Acusação veicula reportagem de policiais cometendo crimes e defesa mostra documentário com ação do PCC; estado de saúde de jurado encurtou a sessão

O quarto dia de julgamento de 25 policiais militares acusados de executar 15 detentos no Pavilhão 9 do complexo penitenciário do Carandiru, em outubro de 1992, foi encurtado pelo debilitado estado de saúde de um dos jurados. Defesa e acusação aproveitaram parte das 3 horas e 45 minutos da sessão para exibir vídeos que anteciparam as estratégias que devem dominar os debates, previstos para começar depois dos interrogatórios, marcados para 9h de amanhã.

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Depois de suspender a sessão de ontem em razão do imprevisto mal-estar do jurado, a equipe médica do Tribunal de Justiça de São Paulo só liberou o paciente perto das 15h de hoje. O julgamento foi retomado com a leitura das peças do processo pelo juiz José Augusto Marzagão.

Jornalistas esperam informações sobre a sequência do julgamento, nesta quarta-feira, em frente ao Fórum Criminal da Barra Funda. Foto: Carolina GarciaFachada do Fórum da Barra Funda, na zona oeste de São Paulo, neste terça-feira, no segundo dia de julgamento do massacre do Carandiru. Foto: Tércio Teixeira/Futura PressJulgamento dos 26 policiais militares acusados de envolvimento no Massacre do Carandiru, realizado no Fórum da Barra Funda, na zona oeste de São Paulo. Foto: Tércio Teixeira/Futura PressNa manhã desta segunda-feira (15), seis homens e uma mulher foram sorteados para formar o novo conselho de sentença que vai julgar os 26 acusados. Foto:  Tércio Teixeira/Futura PressMajor Olímpio em coletiva antes do julgamento dos 26 policiais militares acusados de envolvimento no massacre do Carandiru. Foto: Tércio Teixeira/Futura Press

Finalizada a leitura, que ocorreu na ausência dos réus, a promotoria veiculou uma série de reportagens com ações da polícia contra civis. Um deles relatava o assassinato do ator Pixote, que se envolveu em um assalto; outro, a execução de moradores da favela Naval, em Diadema, na região metropolitana de São Paulo.

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A defesa rebateu com um documentário de televisão que relembrava os ataques do Primeiro Comando da Capital (PCC) contra a polícia, em maio de 2006. Naquela ocasião, 67 penitenciárias se rebelaram e 46 policiais terminaram mortos.

Os vídeos, interrompidos três vezes por solicitação do jurado adoecido, são encarados como uma amostra do que será discutido entre promotoria e defesa nos próximos dias. Enquanto a acusação pretende dizer que policiais militares são frequentemente flagrados executando civis, a defesa vai defender a tese – refutada pelo então governador Luiz Antonio Fleury Filho – de que o PCC foi criado como resposta ao massacre do Carandiru.

A discussão em torno dessas polêmicas só deve acontecer depois dos depoimentos dos quatro réus escolhidos para representar os 25 acusados. Os interrogatórios vão abrir os trabalhos nesta sexta-feira.

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