No julgamento de 26 PMs pela morte de detentos na prisão em 1992, Pedro Franco de Campos afirma que repetiria a decisão: “A mesma situação, o mesmo procedimento"

O advogado Pedro Franco de Campos, secretário de Segurança Pública do Estado de São Paulo na época em que policiais militares assassinaram 111 detentos na Casa de Detenção São Paulo, conhecida como Carandiru, confirmou em oitiva nesta terça-feira (16) que partiu dele a ordem para que o coronel Ubiratan Guimarães decidisse sobre a invasão. Ele afirmou que tomaria a mesma decisão se o dilema se repetisse.

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Campos afirmou que sua ordem ao coronel Ubiratan foi “explícita”: “se for necessário, pode entrar”. Em depoimento de pouco mais de 30 minutos, o secretário disse que repetiria a decisão: “a mesma situação, o mesmo procedimento.”

Ele mantinha contato telefônico com duas pessoas que formavam o corpo de autoridades que tentava negociar a rendição dos presos: o próprio Ubiratan e o então secretário adjunto das penitenciárias, Antonio Filard Diniz.

Nesta terça-feira (16), continuam os depoimentos da defesa no julgamento do massacre do Carandiru no Fórum Criminal da Barra Funda, em São Paulo. Além do ex-secretário de segurança, falou também o então governador de São Paulo Luiz Antonio Fleury Filho, que assumiu "responsabilidade política", mas não criminosa do caso.

O julgamento

O maior massacre do sistema penitenciário brasileiro ocorreu no dia 2 de outubro de 1992, quando 111 detentos foram mortos e 87 ficaram feridos durante uma invasão policial para reprimir uma rebelião que ocorreu no Pavilhão 9 do presídio.

Devido ao grande número de réus envolvidos, 79 policiais, o julgamento será feito em etapas. A previsão é que a primeira fase dure entre uma ou duas semanas, período no qual os jurados deverão permanecer incomunicáveis.

Nesta primeira fase, estão sendo julgados 26 PMs, a quem são imputadas 15 acusações de homicídio qualificado. Os réussão os policiais militares que entraram no segundo pavimento do presídio, onde foram mortos 15 detentos.

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