“A responsabilidade política é minha”, diz ex-governador Fleury sobre Carandiru

Por Carolina Garcia e Wanderley Preite Sobrinho - iG São Paulo | - Atualizada às

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Testemunha no segundo dia de julgamento do massacre, o hoje advogado disse que a invasão foi “legítima e necessária”

“A responsabilidade política é minha.” Chamado pela defesa dos policiais militares para ser ouvido no segundo dia de julgamento do massacre do Carandiu, o ex-governador de São Paulo Luiz Antônio Fleury Filho (1991-1994) resumiu com essa frase sua visão sobre o assassinato de 111 detentos pela polícia militar no dia 2 de outubro de 1992.

O júri: Acompanhe o julgamento em tempo real
2º dia:  
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O ex-governador estava em Sorocaba quando soube, por telefone, que uma briga entre detentos havia saído do controle na Casa de Detenção. “O tempo estava fechado, tive dificuldades para voltar para a capital.”

Jornalistas esperam informações sobre a sequência do julgamento, nesta quarta-feira, em frente ao Fórum Criminal da Barra Funda. Foto: Carolina GarciaFachada do Fórum da Barra Funda, na zona oeste de São Paulo, neste terça-feira, no segundo dia de julgamento do massacre do Carandiru. Foto: Tércio Teixeira/Futura PressJulgamento dos 26 policiais militares acusados de envolvimento no Massacre do Carandiru, realizado no Fórum da Barra Funda, na zona oeste de São Paulo. Foto: Tércio Teixeira/Futura PressNa manhã desta segunda-feira (15), seis homens e uma mulher foram sorteados para formar o novo conselho de sentença que vai julgar os 26 acusados. Foto:  Tércio Teixeira/Futura PressMajor Olímpio em coletiva antes do julgamento dos 26 policiais militares acusados de envolvimento no massacre do Carandiru. Foto: Tércio Teixeira/Futura Press

Fleury iniciou sua fala lembrando-se de um fato que ele teria tido conhecimento nos bastidores: “Assim que o coronel Ubiratan Guimarães [responsável pela operação dentro presídio] tentou entrar, ele foi atingido por um tubo de televisão e desmaiou. Isso causou comoção na tropa.”

Policial militar reformado, o então governador disse que sua participação nas investigações foi pequena porque sua intenção era manter imparcialidade. Além disso, o Estado de São Paulo enfrentava outros problemas. “Eu era governador do Estado. Eu administrava uma São Paulo com inflação de 40% ao mês e 1,5 milhão de desempregados.”

Questionado pela advogada Ieda Ribeiro de Souza se o massacre era um “problema menor”, Fleury mudou seu tom de voz e disse que sua única responsabilidade é “política”: “a criminal caberá aos jurados decidir.”

“Não era minha obrigação ir ao local. Eu era governador, para isso existe uma hierarquia”, afirmou ele, que ainda hoje apoiaria a decisão de invadir o pavilhão. “Se hoje houvesse algo semelhante, eu daria a ordem. A omissão da polícia é criminosa como qualquer ação.”

Para o ex-governador, “a entrada da polícia foi absolutamente necessária”. “A PM responde ao secretário de segurança. Quem tomou a atitude foi apoiado por todas as autoridades.”

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