Haddad 100 dias: Falta até papel higiênico em autarquia que gerencia R$ 2,2 bi

Por Ricardo Galhardo , iG São Paulo |

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Em 1º de janeiro, membros da nova administração encontraram uma situação caótica na sede da AMLURB; prefeito de São Paulo tem evitado reclamar da herança do antecessor

Nos primeiros 100 dias de governo, o prefeito de São Paulo, Fernando Haddad, tem evitado reclamar publicamente da herança recebida da administração Gilberto Kassab (PSD). Em conversas reservadas, no entanto, auxiliares do prefeito dizem que boa parte do tempo e energia foram gastos para sanar problemas estruturais e reclamam do suposto sucateamento da máquina administrativa.

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Um dos casos mais gritantes é o da AMLURB (Autoridade Municipal de Limpeza Urbana), a antiga Limpurb. Responsável pela gestão de contratos que totalizam R$ 2,2 bilhões ao ano e tem impacto direto na vida dos paulistanos, a autarquia será objeto de uma ampla reforma física e administrativa.

Ao tomar posse no dia 1º de janeiro, os integrantes da nova administração encontraram uma situação caótica na sede da autarquia, no bairro do Canindé.

Segundo relatos e fotografias aos quais o iG teve acesso, o prédio está com vidros quebrados, mobiliário capenga, instalações elétricas e hidráulicas improvisadas, banheiros sujos e deteriorados, paredes encardidas, grades enferrujadas.

Integrantes da equipe de Haddad encontraram uma situação caótica na sede da AMLURB. Foto: DivulgaçãoIntegrantes da equipe de Haddad encontraram uma situação caótica na sede da AMLURB. Foto: DivulgaçãoIntegrantes da equipe de Haddad encontraram uma situação caótica na sede da AMLURB. Foto: DivulgaçãoIntegrantes da equipe de Haddad encontraram uma situação caótica na sede da AMLURB. Foto: DivulgaçãoIntegrantes da equipe de Haddad encontraram uma situação caótica na sede da AMLURB. Foto: DivulgaçãoIntegrantes da equipe de Haddad encontraram uma situação caótica na sede da AMLURB. Foto: DivulgaçãoIntegrantes da equipe de Haddad encontraram uma situação caótica na sede da AMLURB. Foto: DivulgaçãoIntegrantes da equipe de Haddad encontraram uma situação caótica na sede da AMLURB. Foto: Divulgação

A última pintura aconteceu em 2003, ainda na gestão da petista Marta Suplicy. Os dois elevadores que deveriam carregar 170 funcionários estão fora de funcionamento há cinco anos. Apesar do alto volume de dinheiro gerido pela repartição, não existe dinheiro sequer para comprar água e café. Os funcionários são obrigados a levar até papel higiênico de suas casas.

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De acordo com o secretário municipal de Serviços Públicos, Simão Pedro, a quem a AMLURB está subordinada, o sucateamento tem impacto direto na vida dos moradores da cidade. Embora os contratos sejam terceirizados, cabe aos funcionários da autarquia fiscalizar e checar os trabalhos, elencar e planejar prioridades serviços vitais como limpeza de bocas-de-lobo, uma das principais causas de enchentes em São Paulo.

“O pior é que tudo isso acaba tendo impacto negativo no serviço. Os contratos são terceirizados mas o setor público precisa ter mais condições de monitorar”, lamentou o secretário. “É um descaso em relação aos funcionários responsáveis pela fiscalização de contratos bilionários. Nestas condições eles ficam desanimados, com a auto estima prejudicada e acontece que no final você não fiscaliza”, completou.

Segundo ele, ao ver as fotos do local Haddad ficou “chateado” e autorizou a Secretaria de Finanças a liberar recursos para a reforma do prédio.

A única reclamação pública de Haddad em relação à gestão anterior foi quanto à falta de merendas e uniformes nas escolas municipais. O prefeito tem evitado se queixar da herança kassabista. Embora tenha apoiado José Serra (PSDB) na eleição do ano passado, o PSD de Kassab tem boas relações com Haddad na Câmara Municipal.

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A assessoria de Kassab informou, por e-mail, que as condições do prédio da AMLURB foram discutidas com os representantes de Haddad durante a transição.

“Além de investir na manutenção básica dos diversos prédios públicos, a gestão Gilberto Kassab instalou 46 mil novos pontos de luz, substituiu outros 207 mil em toda a cidade e trocou a iluminação convencional por lâmpadas led em 17 túneis em outros, a exemplo do que ocorreu nas avenidas Paulista e Faria Lima. Em relação ao prédio da AMLURB, todas as questões foram tratadas e informadas durante a ampla e transparente transição. O que ocorreu a partir de janeiro deste ano com as despesas continuadas, por exemplo, infelizmente não nos cabe informar”, diz a nota.

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