Testemunho de Fleury é 'essencial' para entender o caso Carandiru, diz defesa

Por Carolina Garcia e Wanderley Preite Sobrinho - iG São Paulo | - Atualizada às

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Advogada dos 26 PMs, que respondem pela morte de 15 detentos em 1992, espera que o ex-governador Luiz Antonio Fleury Filho compareça ao julgamento na próxima audiência

AE
Fachada da Casa de Detenção dois dias após o massacre ocorrido no local

O testemunho do ex-governador de São Paulo Luiz Antônio Fleury Filho será “essencial” para entender a ordem recebida por 26 policiais para invadir o pavilhão 9 do Carandiru, em outubro de 1992, na zona norte de São Paulo. A declaração é da advogada de defesa dos réus, Ieda Riberio de Souza, que considera “plausível” absolvição dos oficiais já que este foi o destino do Coronel Ubiratan Guimarães, responsável pelo pelotão. Neste júri, os réus responderiam pelas mortes de 15 detentos do segundo pavimento.

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“Essa é uma tese jurídica bem plausível”, respondeu Ieda sobre a influência que a absolvição de Ubiratan poderá ter sobre o julgamento dos seus comandados. A advogada disse que “ninguém na PM atua sem ordem superior” e que, por isso, acredita que a decisão tenha partido “de um órgão estatal, governamental”. “O que não se pode dizer é que ninguém sabia de nada.”

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Julgamento dos 26 policiais acusados de assassinar 15 dos 101 presos mortos no Massacre do Carandiru, no dia 2 de outubro de 1992. Foto: Marcos Bezerra/Futura PressAdvogada de defesa aguarda início do julgamento no Fórum Criminal da Barra Funda, em São Paulo (SP), nesta segunda-feira (8). Foto: Marcos Bezerra/Futura PressJulgamento será presidido pelo juiz José Augusto Nardy Marzagão. Foto: Marcos Bezerra/Futura PressAlunos da alunos da Faculdade de Direito colocaram 111 cruzes em frente ao Largo São Francisco como homenagem aos mortos do massacre do Carandiru . Foto: RENATO S. CERQUEIRA/FUTURA PRESS/AE

Ieda espera ainda que o ex-governador, em viagem, esteja presente na próxima audiência marcada para segunda-feira (15), quando o julgamento será retomado. Para ela, o depoimento de Fleury “é essencial” porque ele pode explicar como foi determinada a ordem e como foi a entrada desses (PMs). Questionado se o ex-governador e o ex-secretário de Segurança Pública Pedro Franco de Campos deveriam estar sentados nos bancos dos réus, Ieda preferiu dizer que não faz “juízo de valor”: “eu quero ver o que eles vão declarar”.

Proteção aos réus

Ao deixar o Fórum Criminal da Barra Funda, a defensora ainda criticou o trabalho do Tribunal de Justiça (TJ) que teria ignorado seu pedido de não divulgar os nomes dos 26 policiais militares julgados nessa primeira etapa.

“Quero entender o que aconteceu e quem divulgou no site do TJ. Fiz um pedido ao magistrado para protegê-los por causa da onda de ataques contra policiais”. Ela disse estudar alguma medida jurídica para buscar esclarecer o fato.

O promotor Fernando Pereira da Silva, representante do Ministério Público e responsável pela acusação, comentou o pedido da defesa que havia sido defendido pelo juiz. “Nós [MP] respeitamos a decisão judicial. Não vamos divulgar os nomes muito embora o site do TJ traga essas informações, que são públicas. Há 20 anos esses nomes são conhecidos”.

Adiamento não prejudica 

O julgamento dos 26 PMs acusados de matar 15 dos 111 presos que morreram na ação policial conhecida como massacre do Carandiru foi suspenso no início da tarde desta segunda (8). O motivo foi que uma das juradas se sentiu mal e não teve condições de retornar para o plenário. Por esse motivo, o julgamento foi remarcado para a próxima segunda-feira (15), a partir das 9h.

O promotor Fernando Pereira da SIlva lamentou o adiamento do julgamento, mas afirmou que isso não deve influenciar no resultado. "Estávamos preparados para a realização, tudo foi providenciado e a defesa se mostrou pronta. Mas o adiamento foge ao controle do Judiciário ou partes do processo. É uma frustração não realizar hoje, mas não me parece que houve prejuízo ao processo."

Para a advogada de defesa dos réus também não haverá problemas para desfecho do processo. "Foi um imprevisto e não podemos controlar problemas de saúde", disse Ieda Ribeiro de Souza.

 

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