Jurada passa mal e julgamento do massacre do Carandiru é adiado em SP

Por Carolina Garcia - iG São Paulo |

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Juiz José Augusto Nardy Marzagão adiou o início do julgamento em uma semana após uma das juradas sorteadas passar mal no plenário. "É uma frustração", afirma o promotor do caso

O julgamento de 26 policiais militares acusados de matar 15 dos 111 presos que morreram na ação policial conhecida como massacre do Carandiru, em outubro de 1992,  foi suspenso nesta segunda-feira (08). O motivo foi que uma das juradas se sentiu mal e não teve condições de retornar para o plenário. Por esse motivo, o julgamento foi remarcado para a próxima segunda-feira (15), a partir das 9h.

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Julgamento dos 26 policiais acusados de assassinar 15 dos 101 presos mortos no Massacre do Carandiru, no dia 2 de outubro de 1992. Foto: Marcos Bezerra/Futura PressAdvogada de defesa aguarda início do julgamento no Fórum Criminal da Barra Funda, em São Paulo (SP), nesta segunda-feira (8). Foto: Marcos Bezerra/Futura PressJulgamento será presidido pelo juiz José Augusto Nardy Marzagão. Foto: Marcos Bezerra/Futura PressAlunos da alunos da Faculdade de Direito colocaram 111 cruzes em frente ao Largo São Francisco como homenagem aos mortos do massacre do Carandiru . Foto: RENATO S. CERQUEIRA/FUTURA PRESS/AE

Ao passar mal, a jurada foi atendida pelo corpo médico do Tribunal de Justiça que atestou que ele não tinha condições de permanecer no julgamento. Pelas regras do Tribunal do Júri, caso um jurado que já tenha sido escolhido e entrado em contato com o processo não possa continuar no conselho de sentença, o júri deve ser remarcado e iniciado do zero. Para o julgamento da próxima semana, novos jurados devem ser escolhidos.

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O promotor Fernando Pereira da SIlva lamentou o adiamento do julgamento, mas afirmou que isso não deve influenciar no resultado. "Estávamos preparados para a realização, tudo foi providenciado e a defesa se mostrou pronta. Mas o adiamento foge ao controle do judiciário ou partes do processo. É uma frustração não realizar hoje, mas não me parece que houve prejuízo ao processo."

Para a advogada de defesa dos réus também não haverá problemas para desfecho do processo. "Foi um imprevisto e não podemos controlar problemas de saúde", disse Ieda Ribeiro de Souza.

O julgamento

A sessão do julgamento de parte dos policiais militares acusados de participação na mortes de presos do complexo penitenciário do Carandiru havia começado por volta de 11h, quase duas horas após o previsto.

Das 50 pessoas convocadas para compor o Conselho de Sentença, cinco mulheres e dois homens foram sorteados para formar o júri. A promotoria usou os três direitos a vetos contra dois homens e uma mulher. A defesa dos réus recusou apenas uma mulher. Após serem definidos os jurados, ele começaram a ler o processo. Foi neste momento que uma das juradas começou a se sentir mal.

Dos 26 réus, 24 compareceram ao Fórum Criminal da Barra Funda. Segundo a defesa, os dois réus que não estiveram no fórum também apresentaram problemas de saúde. Nesta primeira fase do julgamento, os 26 policiais que pertenciam à época da Rondas Ostensivas Tobias de Aguiar (Rota) são acusados de homicídio doloso qualificado (quando há a intenção de matar e sem chances de defesa por parte das vítimas). Outros 

Somente após a divulgação da sentença deste julgamento é que serão decididas as datas dos próximos júris, que ainda vão julgar mais de 50 policiais que também se envolveram na ação no presídio. O juiz Marzagão pretende dividir o julgamento em quatro blocos com o intervalo de julgamento de, no máximo, três meses de um para o outro. O juiz pretende terminar todos os julgamentos neste ano.

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