Julgamento de réus do massacre do Carandiru começa nesta segunda-feira

Por iG São Paulo | - Atualizada às

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No júri popular marcado depois de 21 anos, 26 policiais militares vão responder por homicídio qualificado pela morte de 15 vítimas que estavam no Pavilhão 9

Começa nesta segunda-feira (9) o julgamento de 26 réus do massacre do Carandiru, como ficou conhecido o confronto entre policiais e presos que deixou 111 mortos na Casa de Detenção de São Paulo, em 2 de outubro de 1992. Mais de 20 anos depois, o júri popular será realizado no Fórum da Barra Funda, na zona oeste da capital paulista.

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AE
Fachada da Casa de Detenção do Complexo Penitenciário do Carandiru, dois dias após o massacre ocorrido no local



A demora para o julgamento acontece porque em um primeiro momento houve conflito de competência entre a Justiça Militar e a Comum para julgar o caso. Houve, também, muitos recursos durante esses anos. O juiz José Augusto Nardy Marzagão começou atuar no processo em julho de 2012 e, em setembro, marcou a data do júri para janeiro (essa data foi adiada em virtude de Recurso Interposto pelo Ministério Público).

Devido a demora para que acontecesse o julgamento, também mudou o número inicial de policiais militares envolvidos, que chegou a ser de 116. Atualmente há apenas 79 réus citados por homicídio. Isso porque alguns dos outros crimes cometidos naquele dia prescreveram. Além disso, vários dos acusados morreram no decorrer dos anos.

Também por causa da quantidade de réus, o julgamento foi dividido em partes. O primeiro júri popular, que começa hoje, vai analisar o caso de 26 réus. Eles são acusados de homicídio qualificado (mediante curso que dificultou defesa da vítima) de 15 pessoas que estavam no segundo pavimento do Pavilhão 9. Com exceção de uma delas, que morreu com golpes de arma branca, todas as outras faleceram por causa de disparos de arma de fogo.

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Os réus são Ronaldo Ribeiro dos Santos; Aércio Dornelas Santos; Wlandekis Antonio Candido Silva; Roberto Alberto da Silva; Antonio Luiz Aparecido Marangoni; Joel Cantilio Dias; Pedro Paulo de Oliveira Marques; Gervásio Pereira dos Santos Filho; Marcos Antonio de Medeiros; Paulo Estevão de Melo; Haroldo Wilson de Mello; Roberto Yoshio Yoshikado; Fernando Trindade; Salvador Sarnelli; Argemiro Cândido; Elder Tarabori; Antonio Mauro Scarpa; Marcelo José de Lira; Roberto do Carmo Filho; Zaqueu Teixeira; Osvaldo Papa; Reinaldo Henrique de Oliveira; Sidnei Serafim dos Anjos; Eduardo Espósito; Maurício Marchese Rodrigues; e Marcos Ricardo Poloniato. Valter Ribeiro da Silva e Luciano Wukschitz Bonani também eram acusados deste crime, mas já morreram.

A previsão é que o júri, formado por sete pessoas, decida em torno de 10 dias se os policiais militares são culpados ou inocentes. O plenário 10 do Fórum Criminal da Barra Funda está reservado para duas semanas, se for preciso. Se o julgamento não for decidido até sexta-feira (12), as sessões seguirão no sábado e domingo.

Ficou acordado entre o magistrado, os promotores e a defesa que o debate terá duração de três horas, enquanto que réplica e tréplica durarão duas horas. Os réus podem comparecer ou não ao julgamento. Das testemunhas que foram arroladas, 13 são de acusação e 10 são de defesa.

Somente após a divulgação da sentença é que serão decididas as datas dos próximos júris. Marzagão pretende dividir o julgamento em quatro blocos com o intervalo de julgamento de, no máximo, três meses de um para o outro. O juiz pretende terminar todos os julgamentos neste ano.

O massacre e o coronel

Divulgação
O Complexo do Carandiru após ser implodido, em 08/12/2012

O massacre do Carandiru ocorreu no dia 2 de outubro de 1992. Durante uma rebelião, a Polícia Militar resolveu invadir o local e matou 111 presos. Todos policiais saíram ilesos. A invasão foi comandada pelo coronel Ubiratan Guimarães, que chegou a ser condenado a 632 anos de prisão, mas em fevereiro de 2006 o Tribunal de Justiça de São Paulo reformou a decisão e absolvel o coronel. Ubiratan acabou morto no mesmo ano, em setembro de 2006, com um tiro na barriga, em seu apartamento nos Jardins, região nobre de São Paulo.

Depois de ter sua história manchada, a casa de detenção foi desativada no começo de 2002 e demolida no final do ano. No lugar, foi construído o Parque da Juventude.

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