Manifestantes simulam distribuição de drogas com açúcar e doces em São Paulo

Por Renan Truffi - iG São Paulo | - Atualizada às

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Integrantes de movimentos em São Paulo simularam a distribuição de maconha, cocaína e outros entorpecentes com doces, açúcar, erva mate, cachaça e aspirina

Integrantes do movimento Marcha da Maconha SP e do coletivo Desentorpecendo a Razão (DAR) protestaram de uma forma inusitada na tarde desta terça-feira (2) no Viaduto do Chá, no centro de São Paulo. Contra um projeto que promete criar uma “nova lei antidrogas”, os manifestantes simularam a distribuição de maconha, cocaína e outros entorpecentes com doces, açúcar, erva mate, cachaça e aspirina.

Manifestações:
Marcha da Maconha termina em confusão no Rio
Marcha da Maconha ocorre “disfarçada” em Curitiba
PM ataca manifestantes depois de liberar marcha 

Renan Tuffi/iG São Paulo
Manifestantes durante protesto nesta terça-feira em São Paulo

A proposta em questão é o projeto de lei 7.663/10, de autoria do deputado federal Osmar Terra (PMDB-RS), que tramita em regime de urgência na Câmara dos Deputados. No projeto, Terra sugere aumentar a pena por tráfico de drogas e a internação involuntária de dependentes químicos.

"O protesto tem formato irônico para escancarar a hipocrisia que é essa guerra contra as drogas. É hipocrisia porque quem quer ter acesso às drogas consegue. A proibição tem o discurso de que é pela saúde pública. Mas proibição não inibe consumo", explica uma das integrantes do movimento Gabriela Moncau, de 23 anos.

De acordo com Gabriela, o grupo também é a favor de uma mudança na lei antidrogas brasileira, mas em sua visão essa proposta seria um "retrocesso". "O formato do ato foi para chamar atenção da população. Estamos a ponto de um retrocesso. Nossa principal crítica é que o projeto de lei favorece o sistema manicomial. É a ideia da internação compulsória. Esse projeto de lei vê a internação compulsória como pilar central", argumenta.

A Polícia Militar deslocou dez policiais, distribuídos em duas viaturas e oito motos, para o local. Mas o tenente responsável pela operação negou que o objetivo era prender manifestantes em flagrante. Isso porque o movimento divulgou na internet que distribuiria drogas sem especificar qual tipo, licítas ou ilícitas. "Viemos garantir o direito de manifestação e impedir que eles ocupassem a rua e bloqueassem o trânsito", disse o PM que se identificou apenas como Tenente Lange. 

O grupo também já está trabalhando nos preparativos da próxima Marcha da Maconha, marcada para o dia 8 de junho no Museu de Arte de São Paulo (MASP). A novidade será a formação de "blocos" temáticos formado por grupos que também defendem a legalização da droga, como por exemplo feministas, regiliosos e interessados no uso medicinal. 

Renan Tuffi/iG São Paulo
Movimento critica hipocrisia por liberação de outras drogas como o álcool


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