Sou uma pessoa melhor e vou me adaptar ao máximo, diz ciclista atropelado em SP

Por Carolina Garcia - iG São Paulo | - Atualizada às

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David Santos Sousa afirmou nesta terça-feira que tem pena do estudante Alex Siwek, que o atropelou, mas que não guarda mágoas. "Eu o perdoo, mas ele não me procurou", disse

O operador de rapel David Santos Sousa, de 21 anos, que teve um braço arrancado em uma colisão com um carro enquanto andava de bicicleta na avenida Paulista, em São Paulo, afirmou nesta terça-feira (26) que está superando bem o trágico acidente que sofreu no último dia 10. "Outra pessoa eu já sou. Sou uma pessoa melhor e vou me adaptar ao máximo", afirmou em entrevista coletiva, na zona sul da capital.

Carolina Garcia / iG
David Santos Sousa durante entrevista nesta terça-feira, em São Paulo

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Sousa falou ainda sobre o sentimento que tem pelo estudante de psicologia Alex Siwek, de 21 anos, que conduzia o carro no dia acidente. "Tenho muita pena dele", revelou o ciclista. O membro cortado na colisão foi jogado no córrego do Ipiranga, também na zona sul, segundo o atropelador.

Apesar da gravidade do acidente, o jovem disse que não guarda mágoas de Siwek. "Eu o perdoo, mas ele não me procurou [desde quando deixou o presídio]", disse o jovem. Souza negou que irá procurar o motorista, mas disse esperar a família dele o ajude com as despesas médicas. "Não vai curar e nem livrá-lo do que fez, mas iria me ajudar muito". Siwek saiu da prisão na última semana depois que um desembargador determinou a expedição do alvará de soltura e a suspensão da habilitação do motorista.

'Anjos da guarda'

Durante a coletiva, o ciclista também reencontrou os seus "anjos da guarda", como ele mesmo classificou, Thiago Chagas dos Santos, 26, e Agenor Pereira Jr., de 41, que o socorreram no dia do acidente. Bastante emocionado, Sousa chorou muito e apenas agradeceu aos dois. "Minha vida estava nas mãos deles. Estou arrepiado atá agora".

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David Santos Sousa abraça Thiago Chagas dos Santos e Agenor Pereira Jr. no reencontro, nesta terça-feira

Aos jornalistas, a dupla contou que voltava de uma festa no horário do acidente, por volta das 5h30. Eles ouviram um forte estrondo e correram para o local. "Na hora, olhei para ele e pensei que estivesse morto. Tentei sentir seu pulso e respiração, mas não consegui. Era muito sangue e vi que já estava sem o braço", relatou Thiago. Enquanto ele tentava reanimar a vítima, com respiração boca a boca e massagem cardíaca, Agenor buscou o braço pela av. Paulista.

Ademar Gomes, advogado criminalista e responsável pela defesa do ciclista, disse ter convicção da culpabilidade do motorista, que terá o dolo do crime julgado nos próximos 15 dias. "Esperamos que ele responda por dolo eventual com agravantes já que ultrapassou o sinal vermelho, invadiu a ciclofaixa e ainda atirou o braço de Souza no rio".

Caso seja condenado, o defensor explicou que o motorista pode pegar oito anos de prisão. Gomes citou também que irá entrar com um pedido de indenização moral e física. No entanto, "como a Justiça é lenta", a decisão judicial pode levar de cinco a dez anos para sair.

Fisioterapia e prótese

O advogado comentou também que cerca de dez empresas especializadas em próteses já manifestaram interesse em doar uma peça a Santos. No entanto, o ciclista deverá ainda enfrentar pelo menos dois meses de fisioterapia para usar o material. "Procuramos o serviço pelo SUS e a próxima vaga é para setembro. Ele não pode esperar por tanto tempo", disse. 

Souza é otimista sobre sua recuperação e disse acreditar que retomará suas atividades preferidas em breve, como andar de bicicleta e desenhar. Destro, ele disse estar disposto a "aprender tudo de novo" e que vai "fazer de tudo para a prótese cair como uma luva". Ele recebeu alta do Hospital das Clínicas, na zona oeste, no último sábado (23).

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