Promotor Rodrigo Merli quer aumentar condenação em dois ou três anos. Acusado enfrentou júri popular na semana passada, em Guarulhos, pelo assassinato de Mércia Nakashima

O réu ouve a sentença lida pelo juiz, com seus advogados de defesa ao fundo (14/03)
Reprodução de TV
O réu ouve a sentença lida pelo juiz, com seus advogados de defesa ao fundo (14/03)

Promotor de Justiça de Guarulhos Rodrigo Merli Antunes entrou com recurso, na terça-feira (19), pedindo o aumento da pena fixada a Mizael Bispo de Souza, condenado na semana passada pela morte de Mércia Nakashima, sua ex-namorada. Na ocasião, o Tribunal do Júri sentenciou Mizael a 20 anos de reclusão .

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A promotoria quer aumentar a pena em dois ou três anos. Isso porque o Ministério Público não está de acordo com um dos critérios utilizados na dosagem da pena. "A jurisprudência majoritária é no sentido de aplicar um aumento de um sexto sobre a pena base para cada uma das agravantes reconhecidas. E, no caso concreto, o juiz não agiu dessa forma, aplicando quantidade menor", argumenta. O promotor alega que as razões fundamentadas para o recurso serão apresentadas posteriormente.

'Pena branda'

Os familiares de Mércia, de mãos dadas, ouviram atentamente à leitura da sentença, emocionados. Após a condenação, Márcia, irmã de Mércia, gritou no plenário: "Assassino maldito!". Por ser policial reformado, Mizael irá cumprir pena no Presídio Militar Romão Gomes, no Tremembé, na zona norte de São Paulo, a única cadeia para policiais militares no Estado de São Paulo.

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Fora do fórum, o número de manifestantes a favor da condenação de Mizael foi maior no último dia de julgamento. Grupos formados por famílias que tiveram parentes vítimas de violência foram prestar solidariedade à família de Mércia. Antes da sentença, eles soltaram fogos de artifício.

Márcio Nakashima, irmão da vítima, comemorou a condenação de Mizael, mas lamentou a pena . “O mais importante é a condenação”, afirmou ao deixar o fórum. “O que pega é a questão da pena, que nos deixa muito triste.” Para o assistente e acusação, Alexandre de Sá Domingues, a família da vítima deixouo julgamento de “honra lavada”, mas “para ela a pena ficou abaixo do esperado”.


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