Audiência pública discute polêmica do Metrô 24 horas nesta quarta-feira em SP

Por Renan Truffi - iG São Paulo |

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Deputados defendem que transporte comece a operar sem interrupção. Especialista diz que seria preciso ter linha e frota maior para garantir manutenção preventiva do sistema

Uma petição que circula pela Internet reacendeu o debate sobre o Metrô 24 horas na cidade de São Paulo. Criada no site Avaaz.org, que reúne o abaixo-assinado, a proposta já foi apoiada por aproximadamente 90 mil pessoas. Com a repercussão, os deputados Luiz Claudio Marcolino (PT-SP) e Leci Brandão (PCdoB) organizaram uma audiência pública, marcada para esta quarta-feira (20), às 19h, na Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp), com o objetivo de discutir propostas sobre o caso.

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Marcolino já é autor de um projeto de lei (PL621) de 2011 que propõe a extensão do horário de funcionamento do Metrô para 24 horas, incluindo fins de semana e feriados. A proposta do petista tramita indexada ao projeto de lei (PL 379) de Leci Brandão, que sugere a operação contínua do Metrô em São Paulo pelo menos aos sábados e domingos.

Entre os convidados para a audiência pública estão os secretários de transporte e segurança do Estado e da cidade de São Paulo, as presidências do Metrô e da Empresa Metropolitana de Transportes Urbanos (EMTU) e representantes dos sindicatos dos metroviários e dos bancários de São Paulo, entre outros.

Fernanda Aranda/ iG São Paulo
São Paulo tem hoje 65,3 quilômetros de rede com 58 estações

De acordo com Marcolino, a proposta beneficiaria funcionários de empresas que trabalham com quatro turnos, como é o caso de call centers, hotéis, supermercados e restaurantes. “Nossa intenção com o diálogo é buscar alternativas, de um dia para o outro não vai acontecer. Mas, é um debate importante. Não adianta também eu ter o Metrô e não ter o transporte municipal”, explica.

Além de Metrô 24 horas aos sábados e domingos, o deputado diz que na audiência pública serão discutidas outras possibilidades, como por exemplo negociar a construção de um terceiro trilho em todas as novas obras deste tipo de transporte público em São Paulo. De acordo com ele, isso facilitaria, no futuro, a operação ininterrupta do Metrô na cidade. “Não posso fazer um projeto [de lei], porque tem que partir do Executivo, mas poderíamos fazer indicação ao governador [de São Paulo] para que todas novas linhas saiam com o terceiro trilho. Queremos ouvir sugestões da população. A partir disso vamos construir um projeto mais detalhado. Podem surgir outras propostas”, conta.

Manutenção

De acordo com o professor de transportes da Escola Politécnica da Universidade de São Paulo (USP) Telmo Giolito Porto, um dos empecilhos para a operação 24 horas em São Paulo é a necessidade de manutenção da via e dos trens em determinado horário para garantir o funcionamento normal em horários de pico. “O principal inconveniente é que você fica sem tempo para manutenção dos equipamentos. Você precisaria de mais trens, aumentaria necessidade de uma frota maior. Outros países fazem isso porque já tem uma malha [de metrô] fechada que nós ainda não temos. O que acontece é que em outros países você tem mais de um caminho para operação. Você fecha um dos caminhos, mas existem outros para chegar no mesmo lugar. Você consegue parar trechos das via sem prejudicar acesso total. Aqui são poucas as estações que têm acesso a mais de uma linha. Essa é uma diferença muito forte”, argumenta.

Porto também explica que, mesmo se todas as linhas de Metrô tivessem um terceiro trilho hoje, não seria possível fazer um rodízio na manutenção preventiva. “O trem roda em três trilhos, mas continua precisando fazer a troca deste trem. Tem que fazer manutenção da energia, da finalização, da sinalização. Ainda assim teria que aumentar a frota. Do ponto de vista de manutenção, é uma sobrecarga justamente porque a malha não está fechada”, diz.

No entanto, o deputado Marcolino argumenta que o problema da pequena malha de linhas de Metrô em São Paulo não é por falta de recursos. Ele culpa o governo do Estado. “Em 2011, o governo do Estado poderia ter usado R$ 21 bilhões para expansão do Metrô, mas usou apenas R$ 13 bilhões. Em 2012, usou R$ 16 bilhões, mas podia usar R$ 21 bilhões”, critica.

Já a Secretaria dos Transportes Metropolitanos rebate, por meio de nota, que já ampliou o horário de funcionamento do Metrô aos sábados em uma hora, quando o transporte funciona até a 1h de domingo. No entanto, de acordo com o comunicado, neste horário apenas 12.300 pessoas usam o trasnporte neste horário. Enquanto que a média diária é de 4,6 milhões de passageiros.

Além disso, o Metrô justifica que a única cidade no mundo que tem funcionamento 24 horas é Nova York, nos Estados Unidos. “Por possuir linhas paralelas numa mesma direção, é o único entre os maiores do mundo que funciona sem parar, realizando manutenção alternada. Nos demais metrôs de grande capacidade em todo o mundo há interrupção da operação comercial nas madrugadas para a realização da manutenção, assim como é feito em São Paulo“, afirma o texto. Atualmente o Metrô de São Paulo possui quatro linhas em operação. São 65,3 quilômetros de rede com 58 estações. Em Nova York, são aproximadamente mil quilômetros de trilhos e 468 estações.

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