Rodrigo Merli Antunes ironizou tentativa da defesa de descreditar conclusões da investigação policial. "O mundo conspirou contra Mizael", debochou o promotor

Primeiro a defender em plenário a tese de que o advogado Mizael Bispo de Souza matou a ex-namorada Mércia Nakashima em maio de 2010, o promotor Rodrigo Merli Antunes passou mais de uma hora tentando desconstruir os argumentos da defesa, que durante os três últimos dias de julgamento descreditou as conclusões da investigação policial.

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“Não existe excesso de coincidências”, afirmou o promotor com as mãos sobre os volumes do processo e olhos fixados nos sete membros do júri, que no final do dia decidirão o futuro do réu.

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De acordo com o promotor, embora a defesa tentasse descreditar todas as provas, a confirmação de apenas uma delas “seria capaz de condenar o senhor Mizael”.

“O mundo conspirou contra Mizael?”, perguntou Antunes ao se referir ao rastreador instalado em seu veículo que aponta seu carro parado perto do Hospital de Guarulhos enquanto seu celular recebia uma chamada próxima à represa em que o corpo de Mércia foi encontrado. “A defesa vai querer dizer que o rastreador estava com problema. Ele funcionou muito bem até agosto e o crime foi em maio.”

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O promotor também ironizou o réu ao dizer que seus álibis nunca apareceram para defendê-lo. Ele se referia à suposta namora do acusado na Bahia, à garota de programa que teria estado com ele na hora do crime e ao amigo que ele teria tentado encontrar perto da casa da vítima.

O promotor lembrou ainda que o telefone “frio” utilizado por Mizael para conversar com o suposto comparsa, Evandro Bezerra da Silva, foi jogado fora no dia seguinte ao assassinato. “No dia do crime, ele é usado para falar 19 vezes com Evandro. Será uma coincidência?”

Antunes concluiu lembrando as amostras encontradas em um dos sapatos do acusado, que apontava indícios de ossos, sangue, metal e uma alga subaquática. “A antena está maluca, o osso não é osso, a alga não é alga?”, perguntou. “O mundo conspirou contra Mizael entre 18h37e 21h12 do dia 23 de maio de 2010”, ironizou.

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