Após o debate entre acusação e a defesa de Mizael Bispo de Souza, os jurados se reuniram para votar seis quesitos que decidiram se o réu é culpado ou inocente

Os sete jurados já decidiram se o policial reformado e advogado Mizael Bispo de Souzaé culpado ou inocente da acusação de homicídio triplamente qualificado da sua ex-namorada Mércia Nakashima, em maio de 2010. Agora, com base na decisão, os juiz Leandro Cano Bittencourt redige a sentença do acusado.

Debates: 
Acusação:  “Não existe coincidência”, diz promotor sobre indícios que incriminam Mizael 
Acusação:
Mizael é um psicopata que não aceita rejeição, diz acusador
Defesa:  Advogados de Mizael dizem que provas do processo são “meros indícios”
Veja os detalhes do julgamento de Mizael Bispo de Souza

Julgamento de Mizael Bispo de Souza sobre o caso Mércia Nakashima
Marcos Bezerra/Futura Press
Julgamento de Mizael Bispo de Souza sobre o caso Mércia Nakashima

As cinco mulheres e os dois homens decidiram o futuro do réu com respostas “sim” ou “não” em seis quesitos formulados pelo juiz.

As perguntas que os jurados responderam são:

1) No dia 23 de maio de 2010, em horário precisamente ignorado, mas entre as 19h e 21h, no interior das águas do reservatório denominado por “Represa Atibainha”, próxima da Rodovia Juvenal Ponciano de Camargo, antigamente conhecida como Estrada Velha Guarulhos-Nazaré, altura do km 51, bairro Cuiabá, em Nazaré Paulista/SP, a vítima Mércia Mikie Nakashima veio a falecer por afogamento, conforme laudo de exame de corpo de delito (nº 1.854/2010 - exame necroscópico fls. 893/903)?

2) O réu MIZAEL BISPO DE SOUZA concorreu para o crime acima descrito, na medida em que praticou todos os atos executórios descritos na denúncia?

3) O jurado absolve o acusado?

4) O crime foi cometido por motivo torpe, em razão da insatisfação com o rompimento do relacionamento amoroso?

5) O crime foi cometido com emprego de meio cruel, decorrendo dos disparos efetuados em regiões não vitais do corpo humano, mormente com a nítida intenção de provocar na vítima sofrimento intenso e desnecessário?

6) O crime foi cometido mediante a utilização de recurso que dificultou ou impossibilitou a defesa da vítima, consistente na dissimulação?

O dia
Nesta quinta-feira, quarto dia de julgamento, os membros da acusação e defesa fizeram seu debate sobre o crime. Primeiro a defender em plenário a tese, o promotor Rodrigo Merli Antunes passou mais de uma hora tentando desconstruir os argumentos da defesa , que durante os três últimos dias de julgamento descreditou as conclusões da investigação policial. “Não existe excesso de coincidências”, afirmou o promotor com as mãos sobre os volumes do processo e olhos fixados nos sete membros do júri, que no final do dia decidirão o futuro do réu.

Depois de o promotor, o assistente de acusação, Alexandre de Sá Domingues, tomou a palavra para comentar a relação do réu com a vítima.  Domingues apontou 19 “mentiras” ditas por Mizael e, com fotos de Mércia e da família sendo projetadas na parede, ele leu um e-mail enviado pelo réu à Mércia com suas razões para sentir-se magoado com ela.

Na sequencia, os três advogados de defesa de Mizael - Wagner Garcia, Samir Haddad Jr. e Ivon Ribeiro - tentaram mostrar que as provas não comprovam que Mizael esteve na cena do crime e que as provas mais fortes contra o réu foram forjadas pelos policias que participaram da investigação, coordenada pelo delegado Antonio de Olim.

1º dia : 'Defesa de Mizael adotou a tática de confundir os jurados', afirma acusação
2º dia: Acusação ironiza testemunhas de defesa de Mizael: "Colaborou muito conosco"
3º dia: Mizael acusa delegado, jura pela filha e diz que prefere morrer do que a prisão

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