Para convencer o júri da inocência do réu, defensores colocou em dúvida a parcialidade da polícia e do Ministério Público

Depois da participação da promotoria no último dia de julgamento do caso Mércia Nakashima, foi a vez dos advogados de Mizael Bispo de Souza defender o réu da acusação de assassinar a ex-namorada em maio de 2010. Os defensores usaram suas duas horas de argumentação para plantar dúvidas sobre a investigação policial, a parcialidade do Ministério Público e a veracidade das provas colhidas nos quase três anos de investigação. Em caso de dúvida, os jurados são orientados por lei a absolver o acusado.

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Julgamento de Mizael Bispo de Souza sobre o caso Mércia Nakashima
Marcos Bezerra/Futura Press
Julgamento de Mizael Bispo de Souza sobre o caso Mércia Nakashima

O advogado Samir Haddad Junior usou cerca de dez minuto de sua fala contando a história da sua vida e do pai, promotor de Justiça. Depois, citou o advogado Jorge Severiano para pedir que os jurados esquecessem o que tinham lido na imprensa sobre o caso Mércia, ao afirmar que as empresas de comunicação “condenam ou absolvem com o mesmo poder de um juiz”.

Em seguida, o advogado passou a colocar em dúvida a parcialidade da investigação policial. Ele lembrou da suposta tortura que Evandro Bezerra Silva – suposto cúmplice de Mizael – teria sofrido em Sergipe para confessar que apanhou Mizael próximo à represa em que o corpo de Mércia foi encontrado. “Por que essa denúncia não foi investigada? Típico da ditadura!”, afirmou o defensor.

Para a defesa, a testemunha que diz ter visto um “vulto” empurrando o veículo da vítima para o fundo da represa era um “laranja” plantado pela polícia. Haddad Junior disse ainda que a família de Mércia sempre esteve insatisfeita com a atuação do delegado Antônio de Olim nas investigações. “A raiva da família é que o delegado não conseguia elementos para prender Mizael.”

A desqualificação do delegado continuou quando o advogado Ivon Ribeiro tomou o microfone. “Um fanfarrão! Sabe quantos homicídios o Olim investigou? Só o do meu cliente.”

Ribeiro classificou de “falácia” o resultado da investigação, que “nada de concreto” teria revelado. “Esse processo é uma obra mirabolante, essa alquimia. Dezenove volumes, 27 apensos e não conseguiram trazer sequer uma prova. Meros indícios.”

Ribeiro também questionou a veracidade da alga – nativa em represas – encontrada no sapato de Mizael, o que o colocaria na cena do crime. “Disseram que estava na lateral do sapato, depois na sola...”

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Ministério Público

“A cultura [no Brasil] é a seguinte: condena, condena, condena!”, afirmou Ribeiro, que também colocou em dúvida a parcialidade do Ministério Público, “que tem mais dinheiro do que a magistratura”.

“O filme Tropa de Elite não acontece no Brasil. Se vocês lerem a história, vão ver onde estava o Ministério Público: alinhados com o poder”, afirmou. “São valentes hoje, mas quando precisamos, eles estavam ao lado da ditadura.”

Para o advogado, "as pessoas plantam factóides e esperam que as pessoas sigam como manada”, afirmou. “Querem condenar? Tragam provas concretas.”

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