Delegado disse que com aparelho, instalado sem o réu saber, foi possível refazer os passos do acusado. "Ele e Evandro cercaram as casas do pai e avó da vítima no dia do crime"

A advogada Mércia Nakashima, assassinada em maio de 2010, instalou um rastreador no veículo e acabou produzindo algumas das principais provas contra o ex-namorado, o também advogado Mizael Bispo dos Santos, acusado de assassiná-la em uma represa na cidade de Nazaré Paulista, cidade a 90 km de São Paulo. O júri popular do acusado é realizado no Fórum de Guarulhos, região metropolitana de São Paulo, desde segunda-feira (11).  

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O delegado responsável pelas investigações, Antônio de Olim, que foi ouvido por mais de cinco horas como testemunha de acusação, afirmou que foi a vítima quem instalou um rastreador no veículo do namorado sem que ele soubesse. A intenção era baratear o seguro do automóvel – o mesmo utilizado por ele para circular pela vizinhança de Mércia e que foi deixado perto do Hospital Geral de Guarulhos enquanto ele se dirigia no carro da ex para Nazaré Paulista, segundo Olim.

Testemunhas:
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“Ele não sabia do rastreador, por isso usou esse veículo”, garantiu o delegado. “Refizemos o itinerário por meio desse rastreador". Em seu depoimento, Olim defendeu que Mizael e seu suposto comparsa, Evandro Bezerra Silva, estiveram vigiando a casa do pai e da avó de Mércia no dia do crime. As antenas de telefonia celular também revelaram que os dois trocaram ligações nesse período.

“A antena bate com o rastreador”, disse. Esse mesmo aparelho, instalado por Mércia, confirma que o carro de Mizael ficou estacionado perto do hospital no mesmo horário em que outra antena capta uma ligação recebida pelo advogado perto de Nazaré Paulista, o que reforça a tese de que ele esteve no local do crime. A distância entre os dois locais varia de 10 km a 14 km. 

Telefone “frio”

A ligação foi feita de um telefone clandestino, o mesmo que revelou à polícia a relação dele com o suposto comparsa Evandro . Segundo o delegado, Evandro foi contratado por Mizael para apanhá-lo perto da represa onde o corpo de Mércia foi encontrado.

Único acusado pelo crime, Mizael negava em seus depoimentos conhecer Evandro, já investigado pela polícia. “Foram 19 ligações entre os dois no dia 23 de maio”, afirmou Olim. “Ele só falou do Evandro quando descobrimos o sexto celular.”

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