“Ele sempre foi muito inteligente: saiu da roça para estudar”, disse seu Turíbio, que acompanha o julgamento com olhos marejados

Corpo inclinado para frente, mãos apoiando o queixo e olhos marejados. É com essa postura que o aposentado Turíbio Ferreira de Souza acompanha o julgamento do filho, o policial reformado Mizael Bispo de Souza, acusado de matar a ex-namorada Mércia Nikie Nakashina em maio de 2010.  Veja como foi o julgamento até agora, em Guarulhos .

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O irmão de Mizael Bispo, Adão Noe Bispo de Souza, é um dos filhos que acompanham o pai no julgamento
Marcos Bezerra/Futura Press
O irmão de Mizael Bispo, Adão Noe Bispo de Souza, é um dos filhos que acompanham o pai no julgamento

Homem de 70 anos, seu Turíbio, como é chamado, viajou da Bahia para São Paulo a fim de acompanhar os cinco dias previstos para o julgamento de Mizael. Sempre ao lado de três filhos, o aposentado acompanha a audiência calado, às vezes pedindo silêncio a eles, que se irritam com as acusações de que o irmão é alvo.

Nesta terça-feira (12), seu Turíbio deixou três vezes o auditório durante a inquirição do delegado Antônio de Olim, que diz não ter dúvidas sobre a culpa do réu. Ele passou pela fileira em que mãe de Mércia, Janete Nakashima , acompanha o julgamento, mas eles não se olharam nem trocaram palavras.

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Seu Turíbio deixou de lado o silêncio pedido pelos advogados e, enquanto procurava um restaurante para almoçar, comentou com o iG o que lhe passa pela cabeça enquanto vê seu filho no banco dos réus. “O que meu filho está sofrendo é uma injustiça. Não é fácil assistir.”

“Criado na roça”, Mizael é um de seus dez filhos (oito homens e duas mulheres), e o que lhe deu mais orgulho em razão dos diplomas que conquistou ao chegar em São Paulo. Ele só lamenta o fato de a mulher, morta em 1985, não ter visto a ascensão social do filho. “Ele sempre foi muito inteligente. Ele saiu da roça para estudar. Ele chegou em São Paulo aos 18 anos, virou sargento, advogado...”, afirmou.

Para o pai de Mizael, o filho é inocente e a Justiça “será feita”. Ele pretende acompanhar todo o julgamento e permanecer mais alguns dias em São Paulo, independentemente do que decidir o júri. “Tenho alguns filhos aqui e vou ficar alguns dias com eles. Tenho confiança de que Jesus vai ajudar meu filho.”

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