No primeiro dia de júri, Mizael ficou detido a maior parte do tempo a pedido da testemunhas. Ele não viu o choro e a revolta do irmão da vítima e a troca de ofensas de promotor e defesa

Acusado de matar a ex-namorada Mércia Nakashima, o advogado Mizael Bispo dos Santos (43) não viu o primeiro dia de seu julgamento a pedido das testemunhas, que preferiram responder às perguntas dos advogados sem a presença do réu. Detido, ele não viu o choro do irmão da vítima, Márcio Nakashima , nem o bate-boca entre defesa e acusação, que saiu do plenário dizendo que os defensores de Mizael estão tentando “confundir os jurados”.

Testemunhas: 
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Mizael Bispo de Souza é acusado pelo assassinato de Mércia Nakashima
Marcos Bezerra/Futura Press
Mizael Bispo de Souza é acusado pelo assassinato de Mércia Nakashima

Constituído defensor de si mesmo no processo, o acusado ameaçava atuar no julgamento fazendo até perguntas para as testemunhas, mas a primeira delas, o irmão de Mércia, pediu que Mizael se retirasse, solicitação seguida pelas outras duas testemunhas.

Longe dos holofotes, o réu não assistiu ao choro de Márcio, que durou as mais de três horas de declarações . “Ele narrou o relacionamento do casal e mostrou que o Mizael não era rejeitado pela família de Mércia e nem era objeto de preconceito”, afirmou o assistente da acusação, Alexandre de Sá Domingues, depois da audiência.

O acusado também não presenciou o bate-boca entre Márcio e o advogado de defesa Ivon Ribeiro, que – longe do júri – teria dito que Mércia era uma garota de programa. Para dar continuidade aos trabalhos, o juiz Leandro Cano precisou interromper a sessão por cinco minutos.

A discussão era só um sinal do que aconteceria nos outros depoimentos do dia. Dessa vez, o bate-boca foi entre Ribeiro e o promotor, Rodrigo Merli Antunes. Algumas provocações foram trocadas na fala do biólogo Carlos Eduardo de Matos Bicudo , que concluiu em perícia que a alga encontrada no sapato do réu era compatível com a planta nativa encontrada em represas, como a que o corpo de Mércia foi encontrado. “Hoje falou-se da alga, amanhã serão discutidos os vestígios de sangue, osso e metal encontrados na mesma sola”, prometeu Domingues. “Quatro elementos em um único sapato.”

O tom voltou a subir quando o engenheiro Eduardo Amato Tolezani afirmou ser “impossível” que o réu efetuasse ou recebesse chamadas telefônicas dos arredores do Hospital Geral de Guarulhos, onde ele afirmou ter estado no dia em que Mércia desapareceu.

O advogado de defesa Ivon Ribeiro pediu uma diligência para saber se é mesmo possível receber e efetuar ligações de uma antena a 10 quilômetros de onde Mizael disse estar. Diante das negativas do engenheiro e da insistência do advogado, o promotor se levantou e passou a gritar em plenário, afirmando não saber se aquela postura da defesa era “estratégia, ignorância ou má-fé": "Não é falando alto que o senhor vai intimidar", respondeu Ribeiro.

“Ele não aceitava a resposta da testemunha”, afirmou o promotor após a audiência. “Enquanto ele não arrancava o que queria, ele não sossegava.” Para Domingues, trata-se de uma estratégia: “A defesa adotou como tática confundir os jurados.” Os advogados de Mizael não conversaram com a imprensa depois da audiência.

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Terça-feira

O segundo dia de julgamento está marcado para começar nesta terça-feira (12) a partir das 9h. Espera-se que as duas testemunhas que restam da acusação sejam ouvidas e que Mizael esteja presente pelo menos para assistir à fala das cinco testemunhas arroladas por seus advogados.

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