Márcio Nakashima apontou o dedo para Ivon Ribeiro, que teria insinuado que Mércia seria uma "garota de programa". Juiz chegou a paralisar julgamento para acalmar discussões

Márcio Nakashima, irmão da vítima Mércia, chega ao Fórum de Guarulhos para o primeiro dia de júri
Marcos Bezerra/Futura Press
Márcio Nakashima, irmão da vítima Mércia, chega ao Fórum de Guarulhos para o primeiro dia de júri


A primeira fase do julgamento de Mizael Bispo de Souza, acusado pelo assassinato de Mércia Nakashima, foi bastante conturbado. O primeiro a ser ouvido nesta segunda-feira, como testemunha arrolada pelo Ministério Público, foi Márcio Nakashima, irmão da vítima. Durante sua fala, que durou pouco mais de três horas, Márcio protagonizou diversos momentos de atritos com a defesa. Para dar continuidade aos trabalhos, o juiz Leandro Cano precisou interromper a sessão por cinco minutos. 

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A primeira briga começou durante uma pergunta do assistente de acusação, Alexandre de Sá, que questionava sobre um colchonete encontrado no carro de Mércia. Márcio respondeu que Mizael teria chamado Mércia de garota de programa ao se referir ao colchão em uma entrevista coletiva. Ivon Ribeiro tomou a palavra para dizer que quem havia dado a declaração tinha sido ele e não o ex-namorado de Mércia, acusado de cometer o assassinato.

Márcio, então, apontou o dedo para o defensor dizendo ter sido alvo de declarações mentirosas por parte dele. Ribeiro respondeu pedindo que o irmão da vítima provasse essas afirmações em um processo judicial. "Me processa então", disse o advogado. "Pode esperar que vou processar",  rebateu Márcio. 

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Marcio Makoto, pai da vítima Mércia Nakashima
Wanderley Preite Sobrinho/iG
Marcio Makoto, pai da vítima Mércia Nakashima

O juiz interrompeu o bate-boca pedindo que a transmissão do julgamento fosse interrompida. Enquanto os funcionários do fórum cobriam as câmeras, os dois aumentavam o tom da discussão. Cano interrompeu a briga e chamou a atenção do depoente ameaçando interromper seu depoimento.

“Eu sei o seu sofrimento. Agora, não adianta nada o senhor ficar querendo denegrir a imagem de quem quer que seja. Preste seu depoimento e os representantes do povo vão decidir. O seu descontrole emocional pode comprometer o seu julgamento. Tome água, se acalme e, quando o senhor estiver pronto, volte”, advertiu o juiz.

Falta de respeito

Ao deixar as dependências do fórum, durante o intervalo para almoço, o pai de Mércia, Mário Makoto, disse que preferia comentar depois a participação do filho em plenário. No entanto, deixou claro que não gostou dos comentários e ataques da defesa contra Márcio. "Faltou respeito, o Márcio é um ser humano", disse. 

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