Médico que fez ultrassom diz não lembrar de mãe de bebê 'desaparecido' em Mauá

Por Wanderley Preite Sobrinho - iG São Paulo | - Atualizada às

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Layane Cardoso dos Santos saiu da Santa Casa de Mauá sem o bebê após passar por cesariana em dezembro. Médicos dizem que não havia bebê e que gravidez era psicológica

A ajudante de cozinha Layane Cardoso Santos, de 19 anos, quer encontrar o médico Samir Abdala Mustafá para reconhecê-lo diante da polícia como o responsável pelos ultrassons que atestam sua gravidez. O obstetra afirma que não se lembra da garota, que depois de passar por uma cesariana, em 26 de dezembro de 2012, recebeu da Santa Casa de Mauá, na Grande São Paulo, a notícia de que sua gravidez havia sido psicológica.

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Divulgação
Foto de Layane na reta final da suposta gravidez

“Eu acho que eles sumiram com o bebê, ou ele morreu na hora do parto e eles não quiseram falar para a gente. Sumir de uma hora para outra? Não pode sumir”, diz Layane.

De acordo com o delegado responsável pelo inquérito, José Itamar da Silva, Mustafá prestou depoimento depois que o médico responsável pelo pré-natal, Uesley Lima, foi ouvido. “O Uesley disse que fez o acompanhamento pré-natal com base nos ultrassons levados por Layane, mas o médico que assina o pré-natal disse que não se lembra dela.”

Ao iG, Layane afirmou que se recorda de Mustafá e está pronta para reconhecê-lo quando for chamada à delegacia para fazer isso. “No último ultrassom, eu me lembro que ele tinha a marca de quem tinha acabado de fazer a barba. Ele tem cabelo baixo, quase liso, com entradas. Ele tem estatura média e ombros largos, mas não chega a ser gordinho.”

Investigações

O delegado pediu à Justiça mais 30 dias para concluir o inquérito, que até agora tem os depoimentos dos médicos e de uma testemunha sigilosa que diz ter visto e ouvido os batimentos da criança no dia da cesariana.

Itamar também pretende interrogar na semana que vem os médicos que fizeram o parto. “Eu também pedi uma ressonância magnética na garota porque a Santa Casa alega que no dia da cirurgia a equipe médica cortou as camadas do abdômen, mas parou no útero ao perceber que não havia feto. Esse exame vai provar se houve ou não incisão no útero.”

Embora a cesariana já tenha ocorrido há mais de dois meses, somente na próxima terça-feira (5) Layane vai passar por um exame de corpo de delito no Instituto Médico Legal (IML), que na ocasião exigiu um documento negado pela Santa Casa para realizar o procedimento.

O caso

Segurando os exames que comprovariam sua gravidez, Layane e o marido, o serralheiro Lourival Alves Júnior (28), acusam a Santa Casa de desaparecer com a criança, uma menina que receberia o nome de Sofia.

Layane procurou o hospital depois de sentir fortes dores abdominais e apresentar sangramento. Ela chegou no início da tarde, fez o cardiotoco - exame que mede a frequência cardíaca do bebê - e teria sido orientada a voltar mais tarde porque ainda não havia dilatação.

O casal retornou às 18h acompanhado da família. Antes de subir para o quarto, Layane avisou a equipe médica que o futuro pai gostaria de acompanhar o parto, mas ele não foi chamado. Júnior conta que só foi recebido na sala de cirurgia depois do procedimento: “O médico mostrou o útero vazio e disse que não havia bebê. Que a gravidez foi psicológica”.

Foto de Layane durante a suposta gravidez. Foto: DivulgaçãoO cartão do pré-natal aponta as consultas a que Layane passou na UBS do Jardim Primavera, em Mauá. Foto: Wanderley Preite Sobrinho/iGA nove dias do parto, o bebê estaria com 3,4 quilos. Foto: Wanderley Preite Sobrinho/iGO ultrassom da foto teria sido feito faltando nove dias para o parto. Foto: Wanderley Preite Sobrinho/iGNo ultrassom do dia 25 de outubro, a criança estaria com 27 semanas. Foto: Wanderley Preite Sobrinho/iGImagem do ultrassom do dia 25 de outubro. Foto: Wanderley Preite Sobrinho/iGDe acordo com Layane, o casal alugou uma casa maior para receber o bebê e já gastou R$ 5,8 mil com roupas da criança e móveis para o quarto. Foto: Divulgação


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