Dono do imóvel que desabou no centro de SP deve ser indiciado por crime doloso

Por Wanderley Preite Sobrinho - iG São Paulo | - Atualizada às

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De acordo com o delegado, depoimento de engenheiro civil não convenceu. Proprietário só deve ser ouvido na próxima sexta-feira

O dono do imóvel cuja fachada cedeu na última quinta-feira (28) matando soterrado um homem no bairro da Liberdade, na região central de São Paulo, deve ser indiciado por homicídio doloso, com intenção de matar, afirmou ao iG o delegado José Sampaio Lopes Filho, responsável pelas investigações. Proprietário do futuro estacionamento, Antonio Manoel só deve receber oficialmente a notícia na sexta-feira (8), quando ele finalmente prestará depoimento.

O desabamento:
Fachada de sobrado desaba e deixa um morto na região central de São Paulo
Bombeiros encerram buscas por novas vítimas em desabamento no centro de SP

 

Tércio Teixeira/Futura Press
Local onde ocorreu o desabamento na avenida Liberdade, no centro de São paulo

“A novidade nas nossas investigações é que o responsável pelo desabamento e lesão corporal pode ser indiciado por responsabilidade dolosa”, afirmou o delegado, que preferiu guardar sigilo quanto à linha investigatória que aponta para essa possibilidade. De acordo com o site De Olho na Obra, da Prefeitura de São Paulo, não existia alvará para que a reforma fosse feita.

Além do proprietário, o engenheiro Carlos Eduardo Lopes de Oliveira também pode responder pelo mesmo crime. Em seu depoimento, na sexta-feira (1º), ele atribuiu a infiltrações a responsabilidade pelo desabamento, declaração que não convenceu o delegado. “Ele disse que houve infiltração, mas tudo indica que faltaram vigas para escorar o muro.”

Tércio Teixeira/Futura Press
Fachada de sobrado de dois andares que desabou na última quinta-feira

Apenas um Policial Militar foi prestar esclarecimentos nesta segunda-feira. O soldado José De Castro deixou a delegacia depois de completar o boletim de ocorrência registrado no dia do acidente. “Minha viatura foi a primeira a chegar no local, por isso vim complementar o B.O”, justificou.

A expectativa é que novos depoimentos sejam feitos a partir das 15h desta terça-feira, quando oficiais do Corpo de Bombeiros devem descrever o que precisaram fazer para encontrar o corpo nos escombros. Mas a expectativa maior gira entorno das declarações do proprietário, que só será ouvido na sexta-feira, mais de uma semana depois do acidente.

Questionado sobre a demora em ouvir Manoel, o delegado respondeu que “os advogados dele alegaram problemas pessoais. É a lei, temos de aguardar”.

Acidente

A parede do imóvel, que fica na esquina da avenida Liberdade com a rua Condessa de São Joaquim, desabou por volta das 18h15 da última quinta-feira. O antigo bar estava fechado desde 2012 para uma reforma que deve transformá-lo em um estacionamento.

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