Prefeitura sabia dos riscos na obra em imóvel que caiu no centro de São Paulo

Por Agência Estado |

compartilhe

Tamanho do texto

Administração expediu ordem para que responsável do imóvel fizesse obra emergencial de escoramento da parede após primeiro acidente. Engenheiro confirmou notificação em obra

Agência Estado

Tércio Teixeira/Futura Press
Fachada de sobrado de dois andares que desabou na avenida Liberdade, em São Paulo

A Prefeitura sabia havia dez dias dos riscos de desabamento da obra na avenida Liberdade, na região central da cidade, que matou um pedestre anteontem à noite. A administração expediu ordem para que o responsável pelo imóvel fizesse obra emergencial de escoramento da parede, sob pena de embargo da obra.

O caso: Fachada de sobrado desaba e deixa um morto na região central de São Paulo

A vistoria aconteceu após um primeiro acidente, em que parte da marquise atingiu a vendedora Deusa Machado dos Santos, de 36 anos. Após a ordem para realização da obra, a construtura Construt entrou com pedido para Execução de Obra de Emergência. A partir daí, segundo a Prefeitura, a responsabilidade era do construtor.

O engenheiro civil Carlos Eduardo Lopes de Oliveira, que se apresentou como responsável pela obra, minimizou o primeiro acidente. "Caiu uma pedrinha da fachada e a Prefeitura nos intimou a regularizar. Entramos com uma comunicação de obra emergencial e efetuamos os tapumes. Estávamos fazendo os processos que deveriam ser feitos", disse, após prestar depoimento no 1.º DP (Sé).

Oliveira afirmou também que a obra estava em situação regular. "Existe uma autorização, tem cinco pedidos dentro da regional, que já foram apresentados durante o depoimento. A Prefeitura tem um prazo normal de tramitação dela. Tenho um protocolo em novembro, outros dois em dezembro."

Tércio Teixeira/Futura Press
Buscas por novas vítimas seguiram pela madrugada, mas bombeiros não encontraram mais nada

Ele disse que existe a possibilidade de vazamentos na rede pública de água e esgoto terem causado o problema. Segundo Oliveira, que também é sócio da construtora que tocava a obra, a Sabesp foi acionada pelo menos 15 vezes para checar os vazamentos. "Já havia algum indício, tanto é que temos vários protocolos na companhia concessionária pedindo para verificar, todos eles registrados", disse. Há muita água acumulada no terreno.

A Sabesp classificou como "irresponsáveis" as afirmações do engenheiro. "Não há qualquer evidência de vazamentos prévios ao desabamento e, do ponto de vista técnico, diante das condições da região, é absurdo afirmar a relação de desabamento de um prédio com um eventual vazamento de uma rede de 5 cm de raio", afirma a concessionária, em nota.

A Sabesp diz ainda que não há rede da concessionária debaixo do imóvel, somente na via pública, e que atendeu às solicitações do proprietário.

Leia tudo sobre: desabamentomarquiseigsp

compartilhe

Tamanho do texto

notícias relacionadas