Estratégia da promotoria pode ter decidido condenação de Gil Rugai

Por Wanderley Preite Sobrinho - iG São Paulo |

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Defesa teria reservado uma última cartada para tréplica abortada pelo promotor

Uma manobra arriscada pode ter garantido a vitória do promotor Rogério Zagallo sobre os advogados de defesa que por cinco dias tentaram absolver Gil Rugai da acusação de ter matado o pai e a madrasta em 2004.

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Alice Vergueiro/Futura Press
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O defensor Thiago Anastácio dava por encerrada o que todos esperavam ser a primeira parte dos debates entre defesa e acusação. Sentados na platéia, promotores, advogados e juízes davam como certa a realização da réplica por parte da promotoria, que teria mais uma hora para defender sua tese, o que daria à defesa o direito de fazer o mesmo, concluindo os trabalhos.

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O assistente de Zagallo, o acusador Ubirajara Mangini, prometia ao microfone que muito ainda se "provaria" na réplica. Mas quando o juiz Adilson Paukoski Simoni perguntou à dupla se desejava argumentar por mais uma hora, ela respondeu negativamente.

Enquanto os jurados tomavam sua decisão em uma sala secreta, na platéia, o presidente da Associação dos Advogados Criminalistas do Estado de São Paulo (Acrimesp), Juan Carlos Muller, falava da sensação de que a defesa não havia concluído sua tese no tempo regulamentar, provavelmente porque teria algo a dizer na tréplica.

"Ao não ir para a réplica, Zagallo tirou a possibilidade da defesa ter uma hora a mais para concluir o que estava faltando", afirmou Muller admitindo que era "um caso muito difícil e a defesa atuou muito bem". "Eles conseguiram explorar bem o processo. Eu só não entendi o final. Faltou tempo para eles concluírem a defesa".

Para Muller, esse era um caso "para ir para réplica, sem dúvida nenhuma". "Mas eu tenho de entender que o doutor Zagallo tirou da defesa a chance de ter uma hora mais. Eles tinham certeza que iriam concluir nesse tempo".

Novas provas

Antes da manobra, pessoas ligadas à defesa afirmaram ao iG que, na tréplica, a defesa apresentaria o resultado dos exames nas gotas de sangue encontradas no banheiro e na sala de ginástica. A intenção era mostrar que o material não pertencia às vítimas e nem era de Gil Rugai. Questionado se havia alguma surpresa preparada para a tréplica, o advogado Marcelo Feller negou:

"Não havia carta em manga nenhuma. As provas foram apresentada em quatro dias. Não havia segredo. Houve debate em que a acusação usou seu tempo para mostrar a historia do Gil e a defesa para mostrar as provas que tiram o Gil da cena do crime."

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