Rugai se descontrai em julgamento após aparecimento de 'provas esquecidas'

Por Wanderley Preite Sobrinho - iG São Paulo | - Atualizada às

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Réu acusado de matar pai e madrasta foi interrogado ontem (21) e poderá ouvir o veredicto dos jurados nesta sexta-feira. Juiz, defensores e promotoria já mostram sinais de cansaço

Alice Vergueiro/Futura Press
Réu Gil Rugai chega ao segundo dia do júri popular, em SP. 'Eu não matei. Sou inocente', disse

Depois de três dias exibindo um comportamento discreto, distante até de seus defensores, o único acusado de matar o pai e a madrasta em 2004, Gil Rugai relaxou, sorriu e descontraiu-se no quarto dia de julgamento, quando ele próprio foi interrogado para esclarecer as mortes de Luiz Carlos Rugai e Alessandra de Fátima Troitino.

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Após mais de três horas de depoimento, dois intervalos, um bate-boca entre defesa e acusação, chegou a vez do réu ser ouvido por seus advogados: as mãos repousadas sobre as pernas, a voz tranquila e o raciocínio linear somaram-se a um sorriso relaxado, quando seu defensor Thiago Anastácio exibiu a projeção de alguns extratos telefônicos "não periciados".

Os documentos mostrariam ligações trocadas entre o acusado e o pai no dia e horário em que os dois teriam discutido ao ponto de Luiz Carlos expulsar o filho de casa. Até a revelação do documento, Rugai resumia suas respostas dizendo que não tinha nada contra seus acusadores e que mal havia formulado alguma hipótese para ser o único apontado como o assassino. Desde então, Rugai passou a sorrir, gesticular e tentar alguma aproximação com o advogado, que ao perceber o comportamento, lhe chamou a atenção.

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O réu dizia, aliviado, que não sabia da existência dos extratos, mas que Anastácio "bem que tinha dito que iria mostrar uma surpresa". O sorriso se desfez logo em seguida, quando o advogado lhe perguntou: " Você me acha bravo, Gil? Porque eu sou bravo mesmo!".

Cansaço

Réu, juiz, advogados e jurados chegam cansados para o quinto e possível último dia de julgamento. Na quarta-feira (20), o promotor Rogério Zagallo trabalhou quase 12h sob efeito de remédios. Naquele dia, o irriquieto Anastácio pediu licença para sentar-se depois de reclamar de dores nas costas. Enxugando o suor que lhe cobria o rosto, ele esqueceu do caso quando, na coletiva de imprensa, lhe foi pedido um balanço das últimas audiências.

"O cansaço tomou conta de todo mundo. O rito do Tribunal do Júri precisa ser repensado neste País. Isso é um fato. Talvez seja hora de mudar, dar uma enxugada. Um julgamento desse porte, com tantas testemunhas e por tantos dias leva a uma exaustão física absolutamente incomum."

A audiência que poderá definir o futuro do réu começou com atrasos nesta sexta-feira. O período dos debates entre acusação e defesa foi iniciado, por volta das 11h, com a fala do promotor. Após Zagallo, será a vez da defesa de Rugai expor sua versão sobre o crime. Por último, os jurados serão retirados do salão para decidir se o réu é inocente ou culpado. 

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