Advogados de defesa do réu fizeram uma apresentação desqualificando as provas do processo e apresentou extratos telefônicos que colocariam Gil Rugai fora da cena do crime

Depois de ouvir o pedido da promotoria para condenar Gil Rugai , o corpo de jurados acompanhou a argumentação da defesa, que desqualificou as provas do processo ao dizer que o Ministério Público acreditou em uma investigação "mais ou menos" para construir a imagem de um "psicopata" capaz de matar o pai Luiz Carlos Rugai e a madrasta Alessandra de Fátima Triotino.

Acusação: Rugai disse que seria mais feliz se o pai morresse, relata promotor aos jurados

Réu Gil Rugai chega ao segundo dia do júri popular, em SP
Alice Vergueiro/Futura Press
Réu Gil Rugai chega ao segundo dia do júri popular, em SP

"O caso Richthofen não é o caso do Gil", afirmou em voz alta o advogado Thiago Anastácio, que ficou com a segunda parte da argumentação: o convencimento do jurados de que, em outro lugar do mundo, o caso não teria sido aceito pelo Ministério Público. "A promotoria preferiu o mais ou menos. Isso é abominável".

Antes da fala de Anastácio, o advogado Marcelo Feller tentou desconstruir "os pilares da acusação", como o depoimento do vigia que diz ter visto Rugai deixar a residência do casal 20 minutos depois dos disparos. Segundo a defesa, a principal testemunha de acusação foi pressionada pela polícia para dizer que viu o réu deixar o local do crime. Para isso, relembrou o testemunho do vigia Valeriano dos Santos , que reclamou da forma como foi tratado pelos investigadores.

Interrogatório: 'Não fui eu. Agora quem foi eu não sei', diz Gil Rugai

Feller também mostrou extratos telefônicos que provariam que uma vizinha do casal ligou para a polícia 22h14, mesma hora que outro vizinho telefonou para seu motorista pedindo uma ronda na casa após a segunda sequência de disparos. Outros comprovantes telefônicos revelariam uma ligação de Rugai a uma amiga dois minutos antes, às 22h12, feita de seu escritório, a 4,5 quilômetros do local do crime. Segundo esta versão, o crime não aconteceu às 21h30, como afirma a acusação. "Levaram 44 minutos pra chamarem a polícia?", questionou Feller.

O advogado também tentou desqualificar os peritos responsáveis pelo laudo que avaliou a pegada de um sapato na porta arrombada no interior da casa no dia do duplo homicídio . Feller afirmou que Adriano Issamu Yonanime responderia a um processo em Goiás por vender laudos. "Ele mentiu no tribunal ao dizer que nunca foi investigado", disse.

4º dia de júri:  Defesa aponta braço-direito da vítima como "verdadeiro suspeito" por assassinato
3º dia de júri: 'Eu acredito nele', declara irmão de Gil Rugai
2º dia de júri: Promotor do caso Rugai espera 'ansioso' relação entre vídeo e homicídios
1º dia de julgamento: Acusação minimiza lapso em vídeo que 'trocou os pés' de Gil Rugai

Para a defesa, a forma como a pistola encontrada no prédio em que Rugai tinha escritório também é suspeita. Feller diz que o zelador responsável por levar a arma para a delegacia está "desaparecido" desde que ele mudou a versão de que a prova foi encontrada em uma caixa de águas pluviais, no interior do prédio, e não no esgoto externo à edificação. "Ele mudou a versão porque descobriram que a caixa de esgoto havia sido lavada seis meses antes", e o crime já havia transcorrido 12 meses.

    Faça seus comentários sobre esta matéria mais abaixo.