'Ele é um menino perigoso', disse pai de Gil Rugai a amigo dias antes de morrer

Por Wanderley Preite Sobrinho - iG São Paulo | - Atualizada às

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Depoimento da quarta testemunha causou bate-boca entre advogados e assistente de acusação. Instrutor de voo relatou desabafo de Luiz Rugai após descobrir golpe do filho

Quatro dias antes de ser assassinado com cinco tiros nas costas, Luiz Carlos Rugai, pai do acusado Gil Rugai, teria confessado sua preocupação em relação ao filho a seu instrutor de voo, Alberto Bazaia Neto, de 29 anos. Ele é a quarta testemunha de acusação a ser ouvida no julgamento de Rugai, que responde também pela morte da madrasta, Alessandra Fátima Triotino.

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"Ele é um menino muito perigoso", teria confessado Luiz a Bazaia Neto. O instrutor conta que ouviu o desabafo do aluno no dia 24 de maio de 2004, uma quarta-feira. Luiz estaria abatido depois de ouvir no jantar da noite anterior a confissão do filho de que ele teria efetuado um desfalque na conta da empresa da família.

Gil Rugai é visto chegando para o 5º dia de júri pelo subsolo do fórum, em São Paulo . Foto: Alice Vergueiro/Futura PressAdvogado de defesa Thiago Anastácio, durante chegada ao Fórum da Barra Funda, nesta terça-feira. Foto:  Alice Vergueiro/Futura PressRéu Gil Rugai chega ao segundo dia do júri popular, em SP. 'Eu não matei. Sou inocente', disse. Foto: Alice Vergueiro/Futura PressO perito Adriano Issamu Yonanime, ao deixar o Fórum da Barra Funda. Foto: Wanderley Preite Sobrinho/iGDefensores ocupam lugar no Salão do Júri no fórum. Cinco homens e duas mulheres decidirão o futuro de Rugai. Foto: Alice Vergueiro/Futura PressJuiz Adilson Simoni (ao centro) e equipe de acusação no plenário do Fórum Criminal da Barra Funda . Foto: Alice Vergueiro / Futura PressGil Rugai chega ao Fórum da Barra Funda, em São Paulo, com a mãe e o irmão. Foto: Futura PressPromotor Rogério Zagallo durante entrevista no primeiro dia do júri, em SP. Foto: Alice Vergueiro / Futura PressPerito Ricardo Molina, convocado para auxiliar a defesa, concedeu entrevista aos jornalistas em frente ao fórum. Foto: Alice Vergueiro/Futura PressLéo Rugai, irmão do réu, chega ao Fórum Criminal da Barra Funda para acompanhar o julgamento. Foto: Terra Britto/Futura Press

Abalado depois de um voo com destino a Sorocaba, Luiz teria contado que, ao ouvir a confissão do filho, lhe deu um prazo para ir embora de casa, devolver o dinheiro e apontar quem mais estaria envolvido. A decisão de expulsar Gil Rugai teria sido tomada depois de Luiz ouvir a seguinte frase do filho: "Pai, eu não sei o que está acontecendo, eu só tenho vontade de te prejudicar", repetiu Bazaia Neto.

Saiba o que aconteceu no primeiro dia do júri:

1º depoimento: Vigia confirma ter visto Gil Rugai deixar local do crime após disparos
2º depoimento: Perito confirma lesão em pé de Gil Rugai, mas evita relacioná-la ao crime
3º depoimento: 'Eu reitero e confirmo: o chute foi desferido por Gil Rugai', diz perito

Luiz voltou a tocar no assunto com o instrutor no sábado, véspera do crime. Na ocasião, o empresário afirmou que Gil havia feito o desfalque sozinho. "Filho é complicado..."

Bate-boca

Depois de ouvir a história contada pelo instrutor, a defesa do réu passou a relacionar a família de Bazaia Neto a suspeitas de tráfico de drogas e contrabando. Descontente, o assistente de acusação, Ubirajara Mangini Pereira, interviu pedindo que o juiz Adilson Paukoski Simoni colocasse em ata que a defesa estava insinuando que a família de Bazaia estaria envolvida com o crime.

"O pai dele [do instrutor] é reu no processo? Responda! Isso é nojento", gritou Ubirajara, que ouviu do advogado de defesa Thiago Anastácio: "Nojento é o senhor, que se vende por alguns tostões para encobrir."

Ubirajara respondeu dizendo que ele teria de responder à Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), mas Anastácio pertuntou: "Que medo eu tenho da Ordem? Minha responsabilidade é com a Justiça." Com o plenário já em silêncio, o advogado de defesa Marcelo Teller concluiu as perguntas e o juiz dispensou a testemunha.

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