Defesa pressiona delegado do caso Rugai e explora 'deficiências' da investigação

Por Wanderley Preite Sobrinho - iG São Paulo |

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Advogados questionaram contradições no depoimento do zelador que entregou a arma e a ausência de perícia na maconha encontrada na casa das vítimas e em imagens de shopping

Os advogados de defesa do ex-seminarista Gil Rugai pressionaram por quase quatro horas o delegado Rodolfo Chiareli, responsável pelo inquérito que aponta o rapaz de 29 anos como o responsável pelo assassinato do pai Luiz Carlos Rugai e da madrasta Alessandra de Fátima Trotino. Durante todo o tempo, a defesa apontou contradições no depoimento do zelador que entregou a arma do crime na delegacia, questionou a ausência de perícia na maconha encontrada na casa e nos vídeos que teriam captado as imagens do réu no interior do shopping Frei Caneca, na região central de São Paulo, na hora do duplo homicídio.

1º dia de julgamento: Acusação minimiza lapso em vídeo que 'trocou os pés' de Gil Rugai
2º dia de júri: 'Vídeo da perícia foi terceirizado', admite acusação de Rugai
Depoimentos do dia:
'Ele é um menino perigoso', disse pai de Gil Rugai a amigo
'Não tenho dúvida', diz delegado sobre participação de Gil Rugai em homicídios

Alice Vergueiro/Futura Press
Réu Gil Rugai chega ao segundo dia do júri popular, em SP. 'Eu não matei. Sou inocente', disse

De acordo com a defesa, o acusado passou na casa de uma amiga por volta das 21h e ido com ela assistir ao filme 'A Paixão de Cristo' no shopping Frei Caneca. Com as sessões lotadas, ele teria saído de lá às 22h e ido para seu escritório, onde, por volta das 22h10, teria feito uma ligação. Como os disparos ocorreram por volta das 21h30, segundo a defesa, Gil não poderia estar no local do crime. Questionado sobre a perícia nos vídeos que comprovariam a versão da defesa, o delegado respondeu dizendo que "o shopping não tinha as imagens" do dia do crime guardadas.

Os advogados também disseram que o recibo de compra de um coldre servia para que a equipe da produtora de vídeo de propriedade de Gil guardasse canetas. O delegado respondeu que o vendedor confirmou em depoimento que Rugai fez questão de pedir um objeto próprio para guardar uma arma Taurus, igual a que efetuou os disparos.

O local em que o revólver (uma Taurus calibre 380) foi encontrado também foi posto em dúvida. Segundo a acusação, ele estava há cerca de um ano em "uma caixa coletora de águas fluviais" no subsolo do prédio em que Rugai tinha um escritório. Segundo a defesa, o mesmo zelador que deu o testemunho afirmou em outra ocasião que o revólver estava em uma caixa de esgoto fora da edificação.

A defesa também questionou a razão pela qual os 359 gramas de maconha encontradas na residência do casal não foram periciadas. Chiareli respondeu dizendo que "deduziu" que a droga pertencia ao consumo de Luiz e Alessandra.

Cena do crime

A cena do crime foi parcialmente reconstituída durante o depoimento de Chiareli. Alessandra foi morta primeiro, ao abrir a porta da casa. Luiz teria visto a cena por uma janela que ligava a sala de TV, onde ele estava, ao corredor em que a mulher foi morta. O pai de Gil teria trancado a porta da sala e tentando se esconder atrás de uma estante. O assassino arrombou a porta e teria puxado a vítima até o corredor, onde efetuou os cinco disparos. Para o delegado, Gil Rugai obrigou o pai a se ajoelhar antes de atirar contra ele.

Gil Rugai é visto chegando para o 5º dia de júri pelo subsolo do fórum, em São Paulo . Foto: Alice Vergueiro/Futura PressAdvogado de defesa Thiago Anastácio, durante chegada ao Fórum da Barra Funda, nesta terça-feira. Foto:  Alice Vergueiro/Futura PressRéu Gil Rugai chega ao segundo dia do júri popular, em SP. 'Eu não matei. Sou inocente', disse. Foto: Alice Vergueiro/Futura PressO perito Adriano Issamu Yonanime, ao deixar o Fórum da Barra Funda. Foto: Wanderley Preite Sobrinho/iGDefensores ocupam lugar no Salão do Júri no fórum. Cinco homens e duas mulheres decidirão o futuro de Rugai. Foto: Alice Vergueiro/Futura PressJuiz Adilson Simoni (ao centro) e equipe de acusação no plenário do Fórum Criminal da Barra Funda . Foto: Alice Vergueiro / Futura PressGil Rugai chega ao Fórum da Barra Funda, em São Paulo, com a mãe e o irmão. Foto: Futura PressPromotor Rogério Zagallo durante entrevista no primeiro dia do júri, em SP. Foto: Alice Vergueiro / Futura PressPerito Ricardo Molina, convocado para auxiliar a defesa, concedeu entrevista aos jornalistas em frente ao fórum. Foto: Alice Vergueiro/Futura PressLéo Rugai, irmão do réu, chega ao Fórum Criminal da Barra Funda para acompanhar o julgamento. Foto: Terra Britto/Futura Press


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