"O caso Rugai não é o caso Richthofen", diz um dos defensores do ex-seminarista que enfrenta júri popular nesta segunda-feira. Cinco homens e duas mulheres formam o júri

A defesa do ex-seminarista Gil Rugai, acusado em 2004 de matar o pai e a madrasta em uma casa em Perdizes, zona oeste de São Paulo, promete causar um "drama" durante o julgamento do réu ao apontar dois novos suspeitos como os "verdadeiros assassinos" de Luiz Carlos Rugai e Alessandra de Fátima Troitino. O julgamento estava marcado para 10h, mas somente foi iniciado três horas depois, às 13h30, após o sorteio dos jurados. Cinco homens e duas mulheres decidirão se Rugai é culpado ou inocente.

Gil Rugai chega ao Fórum da Barra Funda, em São Paulo, com a mãe e o irmão
Futura Press
Gil Rugai chega ao Fórum da Barra Funda, em São Paulo, com a mãe e o irmão

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"O caso Rugai não é o caso Richthofen", disse o defensor Thiago Anastácio, que conversou com a imprensa em frente ao fórum, antes do início do julgamento. "Nós vamos indicar duas pessoas que até mesmo vocês perguntarão: 'Por que não nos disseram isso? Por que essas pessoas não foram cabalmente investigadas?'".

Ainda de acordo com o advogado, a revelação desses nomes vai causar um "grande drama" nos trabalhos da equipe de acusação porque os documentos que indicariam os culpados "sempre estiveram no processo". "A questão é que esse processo nunca foi lido, debatido."

Questionado sobre os novos suspeitos, Anastácio afirmou que só serão releavados diante dos sete jurados, que vão decidir o futuro de Rugai, hoje com 29 anos. Ele pediu ainda que a população que não faça julgamentos precipitados. "Não acreditem que a bomba do caso Richthofen vai cair aqui. O caso do Gil Rugai não é o caso Richthofen. A defesa trará elementos que não são metafóricos. São dados que nunca foram revelados por serem estarrecedores."

Veja as fotos do julgamento do ex-seminarista Gil Rugai

Gil Rugai chegou ao fórum acompanhado pela mãe, irmão e defensores, por volta das 10 horas. Evitando os jornalistas, o acusado disse apenas que está bem preparado e que "a defesa vai provar" sua inocência. "Estou bem confiante. Eles (a acusação) não têm provas, eles têm suspeitas."

Jurados e testemunhas

Segundo a assessoria do Tribunal de Justiça (TJ), a sessão começou às 13h30. Cinco homens e duas mulheres foram os escolhidos para compor o Tribunal do Júri. Durante o julgamento, 15 testemunhas serão ouvidas pelo juiz Adilson Paukoski Simoni - cinco de acusação, nove de defesa e uma pessoa indicada pelo magistrado.

As testemunhas de acusação, que foram arroladas pelo Ministério Público, são Domingos (vigilante que teria visto Gil Rugai e uma outra pessoa saírem juntos do local do crime),  Daniel Romero Munhoz (perito criminal) , Alberto Bazaoa Neto (amigo do pai de Gil Rugai) , Rodolfo Chiareli (delegado que participou das investigações) e Adriano Yssamu (perito criminal) .

Os que foram chamados pela defesa são Ricardo Salada, Albieri Espíndola, Ana Lúcia Pastore Scheitzmeyer, Cristina Lekisch Gonzales, Valmir Salaro, Léo Greco Rugai (irmão do réu) , Valeriano Rodrigues dos Santos, José Eugênio Moura e Edson Tadeu de Moura. Testemunha de juízo, indicada pela juiz, é Francisco Luiz Valério Alves. 

Perícia

Marcelo Feller, o segundo defensor de Rugai, também falou aos jornalistas. No entando, preferiu levantar dúividas sobre as provas de acusação e o trabalho da perícia no local do crime, em 2004. Um dos pontos mais criticados foi o laudo dos peritos que teria concluído que a marca de sapato na porta arrombada da casa em Perdizes pertencia a Rugai.

"Consultamos quatro médicos ortopedistas e nenhum concluiu que o pé do Gil é o pé que chutou a porta. Quem concluiu isso foi o dono de uma sapataria no Belém (bairro da zona leste de São Paulo). Isso é ciência? Esse laudo da perícia é assinado por cinco peritos. Uma foi presa em flagrante por vender laudo e o outro é investigado pela venda de laudos para uma quadrilha de caça-níqueis."

O promotor Rogério Zaggalo desqualificou o argumento da defesa ao dizer que os documentos anexados recentementes ao processo são "irrelevantes". Para ele, Rugai teria cometido o duplo homicídio motivado "por um sentimento de repúdio, revolta e medo de ser preso por desviar dinheiro". O réu é acusado de desviar R$ 25 mil reais de uma empresa familiar para a sua própria conta e outros R$ 200 mil, cujo destino precisa ser investigado.

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