“Não havia funcionários da CPTM para conter o tumulto causado pela chuva”

Por Wanderley Preite Sobrinho - iG São Paulo | - Atualizada às

compartilhe

Tamanho do texto

Temporal em São Paulo causou apagões, desmaios em estação de trem e acidente na rua

O temporal que atingiu a cidade de São Paulo na noite de quinta-feira (14) surpreendeu os paulistanos, que amanheceram contando os prejuízos causados por ele. Enquanto 50 mil pessoas ficaram sem energia elétrica, outras perderam o sinal de internet, tiveram os carros alagados ou sofreram pequenos acidentes.

O maior volume de queixas, no entanto, é contra a Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM), que estaria sem funcionários suficientes para conter o tumulto que tomou conta da estação Pinheiros, na Linha 4-Amarela, responsável pela conexão do trem com o metrô na zona oeste de São Paulo.

Maria Fernanda Ziegletz
Passageiros escalam paredes da estação Pinheiros, na zona oeste. Eles reclamam que não havia funcionários da CPTM para orientar, o que a companhia nega

É o que conta o analista de comunicação, Rafael Ernandi. “Nunca vi uma situação dessas, com pessoas desmaiando, gritaria, desespero.” Depois de desistir de chegar em casa pela estação Barra Funda, ele tentou a estação Pinheiros, quando “a coisa simplesmente parou. Não cabia mais gente em lugar algum”.

“De repente começou um tumulto, correria, gente gritando e aparentemente não era nada. Pessoas começavam a escalar as paredes e ficavam penduradas tentando fugir do tumulto descontrolado. Vi muitas pessoas desmaiando, uma delas atrás de mim.”

Ele diz que gritou por espaço, “mas era impossível porque não tinha nenhum segurança da CPTM tentando ajudar, controlar o problema. O trajeto que eu faço em 50 minutos, ontem fiz em 3h45”.

Leia mais: São Paulo deve enfrentar novo temporal e alagamentos nesta sexta

Departamento de Música da USP teve área submersa por causa da chuva

São Paulo ainda registra mais de cem semáforos com problemas

Chega a 90 número de desalojados em São Paulo por causa do temporal

A falta de funcionários da CPTM e de orientação pelos autos falantes também incomodou a assessora de imprensa Sarah Moraes. “Eu procurei e não havia ninguém para orientar. Eu vi quatro mulheres serem carregadas pelos passageiros, um deles quase derrubou a mulher. Foi um caos.” Ela garante que ficou 20 minutos parada sobre a passarela que liga o trem e o metrô. “Desisti. Eu decidi voltar uma estação e pegar um ônibus.”

A amiga de Sarah, Alê Barbosa (31), diz que viu apenas um segurança da CPTM tentando orientar os passageiros. “Mas sem nenhum preparo de áudio. Ele gritou para orientar, mas poucos conseguiram ouvir.”

Muro desaba em oito carros no estacionamento de um supermercado, em Carapicuíba, na Grande SP. Foto: Marcos Bezerra/Futura PressÁgua tomou conta do estacionamento da Escola Visconde de Porto Seguro; funcionários fazem limpeza no local. Foto: Marcelo Camargo/ABr Árvore caiu em carro nesta manhã de sexta-feira (15), na rua dos Três Irmãos, no Morumbi. Foto: Luiz Claudio Barbosa/Futura PressAuditório do Departamento de Música da USP após a chuva desta sexta-feira . Foto: Leitor/Lucas BiscaroSemáforos apagados no cruzamento da avenida Paulista com a rua Ministro Rocha Azevedo, em São Paulo. Foto:  J. Duran Machfee/Futura PressAulas são suspensas no Colégio Visconde de Porto Seguro,  no Morumbi, devido alagamento no estacionamento. Foto: Luiz Claudio Barbosa/Futura PressEstragos causados pelas chuvas que alagaram o clube do estádio do Morumbi, na zona sul de SP. Foto: Marcos Bezerra/Futura PressFuncionários retiravam nesta manhã lama da av. Jules Rimet, região do estádio do Morumbi, em SP. Foto: Marcos Bezerra/Futura PressChuva e alagamento na região da Vila Pompeia, em São Paulo (SP), na quinta-feira (15). Foto: Paulo Preto/Futura PressChuva deixou muitos estragos em uma favela ao lado do córrego Pirajussara, Campo Limpo, na zona sul. Foto: Nivaldo Lima/Futura PressCasas desabaram na quinta-feira (14) após a forte chuva, na rua Salgo Sapopemba, Jardim Elba. Foto: Edu Silva/Futura Press

A CPTM explica que o temporal de ontem “provocou a interrupção da circulação de trens entre as estações Palmeiras-Barra Funda e Lapa”. Teria sido durante a alteração na circulação dos trens que usuários passaram a utilizar a Linha 4-Amarela como alternativa. “Com isso, houve excesso de usuários na passarela de transferência da estação Pinheiros, sendo registrados até quatro casos de mal súbito e uma queda acidental, atendidos pelas equipes da estação. Preventivamente, a CPTM acionou também o Corpo de Bombeiros e a Policia Militar.”

A assessoria da companhia nega ausência de informações pelos sistemas de som, e diz que as informações foram prestadas também pelas redes sociais e notas encaminhadas aos veículos de comunicação.

Falta de energia

Além das falhas no sistema de transporte, a população reclama da falta de energia, que atingiu principalmente as regiões sul e oeste da capital, onde caíram 100 milímetros de chuva. Perto dalí, no bairro do Butantã, sete torres de um condomínio próximo à rodovia Raposo Tavares ficaram sem energia entre 18h e 12h de hoje, quando a reportagem conversou com a estilista Gabrielly Coleraus, de 24 anos. "Preciso subir 16 andares para chegar em casa. Meu serviço também acabou afetado porque trabalho de casa.”

Segundo a Eletropaulo, 2.000 eletricistas estão trabalhando para levar luz a 50 mil pessoas que estão sem energia desde ontem.

O produtor de áudiovisual, Pedro Gama, de 25 anos, ficou sem internet entre 17h e 22h de ontem na região da Lapa. “Fique sem internet todo esse tempo depois de levar três horas do trabalho para casa. Um percurso eu faço em 40 minutos em um dia comum.” Gama reclama de uma passagem subterrânea da região, reformada recentemente para não alagar. “O túnel ficou dois meses fechado para não encher, mas ontem estava alagado até a boca.”

O temporal também causou alguns acidentes, como o que aconteceu à estudante Letícia Bazzarelli, de 23 anos, que quebrou o dedo do pé ao tropeçar enquanto atravessava uma rua alagada na região da Barra Funda. “Meu carro estava com água até a metade da porta. No caminho, pisei em falso, torci o pé e cai”. Com o braço sangrando, ela conta que conseguiu entrar no carro e ir para a casa, na Vila Mariana.

“Meu dedo estava muito inchado, então tomei um analgésico e dormi. Quando acordei, não consegui colocar o pé no chão. Terminei indo para o hospital, onde foi constatado fratura no dedo mínimo.”

Segundo a meteorologista do Climatempo, Josélia Pegorim, a região oeste foi a mais atingida pelo temporal. “Cem milímetros de chuva acumulados na região. Tecnicamente, esse volume é extremamente elevado. O estrago todo foi porque essa chuva foi muito intensa e caiu todo em apenas duas horas de chuva.”

Leia tudo sobre: igspalagamentoschuvastemporalsão paulovítimascptm

compartilhe

Tamanho do texto

notícias relacionadas