Prefeito se antecipa a tragédia e diz: Quem não fiscalizar deve perder mandato”

Por Vasconcelo Quadros |

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Em Ferraz de Vasconcellos (SP), Acir Filló fechou 4 boates por falta de segurança na semana anterior ao incêndio no Sul. "80% das casas não tinham condições de funcionar", afirma

O prefeito Acir Filló (PSDB), de Ferraz de Vasconcelos, cidade da Grande São Paulo, não é vidente, mas pelo bom senso acabou sendo o único gestor que se antecipou à tragédia de Santa Maria com medidas preventivas duras ao perceber o terreno minado em que pisam os frequentadores de casas noturnas no País.

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Na madrugada de domingo, momentos antes da Boate Kiss arder em chamas e ser escurecida pela fumaça preta que matou os estudantes, ele determinava o fechamento da quarta casa noturna em menos de uma semana. “Elas não atendiam as normas mínimas de segurança”, disse o prefeito.

Logo que assumiu o cargo, ele organizou um programa de fiscalização e deu a ele o nome de “Balada Legal”. Uma força tarefa formada por meia centena de servidores entra no meio do espetáculo, pede que o som seja suspenso e faz a vistoria. Se houver irregularidade nos quesitos de segurança, os frequentadores são mandados embora e o estabelecimento é interditado. Quatro deles foram fechados assim, de madrugada e no meio da balada.

Mauricio Barbosa/Futura Press
Boate em Santa Maria que queimou apresentava problemas de segurança

“80% das casas não tinham condições de funcionar. No resto do País a situação é pior. O empresário quer o lucro e não está preocupado com a segurança dos frequentadores. Cabe ao poder público fiscalizar e fazer com que se enquadrem”, diz Acir Filló.

O prefeito garante que não dará trégua a quem desrespeitar as regras, cobra uma ação eficaz de seus colegas e, realista, dá a dica sobre a medida mais eficaz para reduzir os riscos de tragédias:

“O prefeito que não fiscalizar deve perder o mandato e ser preso por falta de respeito à vida”, diz.

No cargo há apenas um mês, Acir Filló enxergou por trás das tragédias uma combinação igualmente perigosa: a omissão, a negligência e a corrupção. Ele defende medidas radicais e tem uma leitura precisa do que falta ao País para reduzir os improvisos na gestão pública:

“Se não vier uma lei federal e o Ministério Público não cobrar a aplicação dessa lei com rigor, essa tragédia será esquecida, e logo estaremos falando sobre a próxima”, diz.

Legislação: Projeto que define normas de segurança em boates tramita há 5 anos

E, como quem conhece os meandros da malandragem, põe o dedo na ferida: “É preciso combater a corrupção na concessão de alvarás tanto nas Prefeituras quanto nos corpos de bombeiros”.

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