Nova administração da São Paulo promete implantar um Grupo Gestor previsto em decreto. Gestão Kassab mantinha coronel reformado como homem forte da feira popular

Embora empregue 12 mil pessoas e receba 15 mil compradores todos os dias, a tradicional Feirinha da Madrugada – no Brás, centro de São Paulo – é administrada informalmente pela Prefeitura de São Paulo, que, agora sob o comando de Fernando Haddad (PT), promete cumprir o acordo firmando com o governo federal, dono do terreno, de modernizar a feira e dar poderes a um Grupo Gestor, que chegou a ser implantado pela gestão de Gilberto Kassab (PSD), mas que atuou sem poder efetivo.

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A ministra do Planejamento, Mírian Belchior, cedeu à prefeitura o terreno (Pátio do Pari) de 20 mil metros quadrados por meio de um contrato assinado com Kassab em julho do ano passado. A condição para usar o espaço por 35 anos era que a prefeitura reformasse o estacionamento de ônibus e construísse torres de escritórios e um hotel para receber os sacoleiros, que chegam de todas as regiões do Brasil para comprar e revender os produtos em sua cidade natal.

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A prefeitura editou, ainda em julho, um decreto prevendo a criação do Conselho, mas uma portaria indicando seus 11 membros só foi publicada no dia 29 de setembro. Um deles vinha da Secretaria de Planejamento, outro da Secretaria do Governo Municipal, o terceiro da Secretaria de Desenvolvimento Urbano, seis membros da Secretaria de Desenvolvimento Econômico e do Trabalho e dois da secretaria de Coordenação das Subprefeituras, entre eles o coronel reformado da Polícia Militar, João Roberto da Fonseca, considerado pelos comerciantes o homem forte da feira.

Decreto da prefeitura que cria o Grupo Gestor para controlar a Feira da Madrugada, mas que nunca vigorou de fato
Reprodução
Decreto da prefeitura que cria o Grupo Gestor para controlar a Feira da Madrugada, mas que nunca vigorou de fato

Fonseca foi afastado do cargo com a posse de Haddad, no último dia 1º, mas até o momento não há previsão para a formação do novo Conselho. Até lá, diz a assessoria da prefeitura, o município só cuidará da limpeza e manutenção do local, conhecido não só pela venda de produtos populares, mas também pelas denúncias de corrupção.

Aluguel

Unidas pelas paredes, as 4.500 barracas são recobertas por uma lona azul. Os boxes se perdem por corredores estreitos, que começam ao lado de um restaurante e dão para os fundos do estacionamento, onde 400 ônibus encostam e esperam por 12 horas o retorno de seus passageiros-compradores.

Uma das denúncias mais frequentes é a atuação de corretores informais que negociam o aluguel das barracas entre esses corredores. A reportagem conversou com um deles, que ofereceu um Box de 2 X 2,5 metros pelo valor de R$ 1.000 por mês. Também é preciso pagar pela segurança dos produtos, um valor que pode chegar a R$ 250.

Projeto de como deveria ser a Feira da Madrugada, algo muito distante da realidade do centro popular de compras
Divulgação
Projeto de como deveria ser a Feira da Madrugada, algo muito distante da realidade do centro popular de compras

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