Diretora do Cratod discorda de internação forçada e é demitida

Por Ricardo Galhardo , iG São Paulo |

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Centro é o pilar da política pública de combate ao uso de drogas e sede do plantão judiciário no centro de São Paulo. "Me opus à atual política e fui demitida", disse Marta Jezierski ao iG

Marcelo Camargo/ABr
Primeiro dia com internação forçada teve protestos em frente ao Cratod, no centro de São Paulo

A diretora geral do Centro de Referência de Álcool, Tabaco e Outras Drogas (Cratod), Marta Jezierski, foi demitida na última sexta-feira (18) por discordar da nova política de incentivo às internações forçadas de usuários de crack adotada pelo governo estadual.

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O Cratod é o principal centro de tratamento de dependentes químicos em São Paulo e pilar de toda a política pública de combate ao uso de drogas. Por isso foi escolhido para sediar o plantão judiciário inaugurado segunda-feira para agilizar casos de internação forçada de dependentes de crack, batizado Operação Centro Legal – Fase 2.

A Marta Jezierski, responsável desde 2010 por coordenar todo atendimento a dependentes químicos no Cratod, se posicionou contra a nova política adotada pelo governo estadual e foi demitida pelo coordenador do serviço de Saúde da secretaria de Saúde do Estado, Sebatião André de Felice.

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Marta é considerada uma das maiores especialistas do país em tratamento de dependentes químicos e trabalha desde 1987 na área. Segundo ela, o governo do estado tentava há mais de dois anos implantar a política priorizar as internações forçadas mas esbarrava na recusa por parte dos médicos especialistas.

“Propusemos outras alternativas como a implantação de um consultório de rua na Cracolândia, a instalação de um telão onde as pessoas poderiam ‘doar’ mensagens de apoio aos usuários, ampliar o horário de atendimento do Cratod. Mas para isso o Estado precisaria investir em recursos humanos e contratar mais médicos. Me opus à atual política e fui demitida”, disse Marta.

A assessoria de imprensa da Secretaria de Saúde do Estado confirmou a saída da coordenadora do Cratod mas não informou os motivos.

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