PM de SP mata um a cada 16 horas, mais do que em 2006

Policiais mataram em serviço, entre janeiro e novembro, mais do que em 2006, quando ocorreram os ataques do PCC; governo do Estado fala em 1 morte a cada 256 prisões

iG São Paulo |

Policiais militares mataram em serviço, entre janeiro e novembro, mais do que em todo o ano de 2006, quando ocorreram os ataques do Primeiro Comando da Capital (PCC) . Em 2012, já são 506 mortos no Estado em confrontos classificados como resistência seguida de morte, ante 495 daquele ano. Em média, a PM mata uma pessoa a cada 16 horas.

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A escalada no número de mortos pela PM é acompanhada da onda de violência que se intensificou em outubro e provocou a queda do secretário da Segurança Pública Antonio Ferreira Pinto , em 21 de novembro - e sua substituição por Fernando Grella Vieira. "Acho que se demonstra claramente a existência de uma política institucionalizada para matar. É impossível que se tenha tantas pessoas dispostas a morrer em confrontos com a PM. É preciso checar no que deu a investigação a respeito dessas mortes", diz o presidente do Conselho de Defesa dos Direitos da Pessoa Humana, Ivan Seixas.

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Para o presidente da Comissão de Segurança Pública da Ordem dos Advogados Brasil em São Paulo (OAB-SP), Arles Gonçalves Júnior, o elevado número é consequência da política de combate ao crime adotada por Ferreira Pinto. "Enfrentamento do crime organizado tem de ser feito com inteligência, não com violência. Senão dá nisso, porque põe ‘pilha’ em quem está na rua."

Trata-se também do mês de novembro com maior letalidade policial desde que é possível a consulta eletrônica no Diário Oficial do Estado (a partir de 2003), com 79 mortos. Em comparação com o mesmo período de 2011, por exemplo, o aumento foi de 75,5%. É ainda o número mais elevado para o acumulado dos 11 primeiros meses desde 2003.

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Média elevada

Coordenadora auxiliar do Núcleo de Cidadania e Direitos Humanos da Defensoria Pública, Daniela Skromov observa que a média de casos de resistência seguida de morte já é, normalmente, bastante elevada, em comparação com os homicídios. "Já causa espanto, pois são em torno de 10% a 15% das mortes violentas no Estado. Acima de 3% já deveria despertar a preocupação das autoridades, segundo índices internacionais."

Para Daniela, deveriam ser adotados métodos de controle. "Em termos de política pública, o que importa é que os índices são absurdos. Há de se fazer algo. Deve-se fazer a filmagem obrigatória dessas ações, por exemplo. As imagens poderiam absolver ou condenar o policial. Do que se tem medo?"

Governo do Estado

A Secretaria da Segurança Pública (SSP) admite que "o número absoluto ( de mortes ) é alto", mas diz que a "quantidade de mortes por prisões e apreensões ainda é relativamente baixa, se comparada ao restante da década".

Segundo a SSP, houve, de janeiro a novembro, um morto para 256 prisões e apreensões - a taxa era de 132,6 em 2000.

A Pasta diz também que as taxas de mortes em confronto por 100 mil habitantes também estão em declínio. A SSP afirma que se preocupa com o aumento nos números absolutos e diz que um trabalho conjunto entre o Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa e a Corregedoria apura abusos.

O ex-secretário Antonio Ferreira Pinto não foi encontrado para comentar as críticas. As informações são do jornal O Estado de S.Paulo .

Com Agência Estado

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